Muitos de nós já nos deparamos com essa situação no campo, como identificar a planta daninha para podermos tomar a melhor decisão de manejo? Sabemos que o primeiro passo para um manejo de plantas daninhas eficiente é a identificação correta das espécies presentes na área.

Para isso, os monitoramentos e levantamentos da flora infestante precisam ser realizados com seriedade e comprometimento. Nem sempre conseguimos bater o olho na planta daninha e identificar de forma rápida, isso fica ainda mais difícil quando estas espécies são da mesma família, e por isso, apresentam muitas características semelhantes.

Assim, trago para vocês as principais diferenças de três plantas daninhas da Família Rubiaceae: a vassourinha-de-botão, a erva-quente e a poaia-branca.

Principais características da família Rubiaceae

As características morfológicas das plantas dessa família são facilmente reconhecidas, vocês vão identificar: folhas opostas e simples, com estípulas interpeciolares. Veja todas às espécies da Família Rubiaceae neste link.

Para diferenciarmos as três espécies:

Poaia-branca (Richardia brasiliensis):

  • caule prostrado, ramificado, cilíndrico ou quadrangular;
  • caule verde ou com forte pigmentação acastanhada;
  • caule revestido de pelos brancos;
  • os ramos terminais, que darão origem a inflorescência, se dividem em 2 ou 3, sendo chamados de dicótomos ou tricótomos, respectivamente;
  • o pecíolo das folhas é muito curto ou ausente;
  • as folhas são pubescentes (pelos finos, curtos e macios);
  • planta anual, herbácea e rasteira.

Poaia-branca (Richardia brasiliensis). Fonte: Moreira e Bragança (2010).

Detalhe das folhas pubescentes (com pelos) e do pecíolo ausente (as folhas estão inseridas diretamente no caule). Poaia-branca (Richardia brasiliensis). 

Detalhe do caule prostrado, ramificado, com forte pigmentação acastanhada e revestido de pelos brancos. Poaia-branca (Richardia brasiliensis).

Detalhe do caule com forte pigmentação acastanhada, revestido de pelos brancos, ramos terminais que se dividem em 2 ou 3, pecíolo das folhas ausente e folhas pubescentes (pelos finos, curtos e macios). Poaia-branca (Richardia brasiliensis).

Erva-quente (Spermacoce latifolia):

  • o caule é ereto ou prostrado, ramificado, tenro, quadrático nos ramos novo;
  • caule verde a avermelhado;
  • caule com menor quantidade de pelos do que a poaia, porém com pilosidade nos ângulos;
  • os nós do caule são grossos;
  • pecíolo também é curto ou ausente;
  • folhas sem pelos;
  • as nervuras das folhas são muito evidentes;
  • as flores ficam sobre o nó do caule. 

Erva-quente (Spermacoce latifolia). Fonte: Moreira e Bragança (2010).

Detalhe das folhas sem pelos. Erva-quente (Spermacoce latifolia).

Vassourinha-de-botão (Spermacoce verticillata):

  • caule quadrático nas partes jovens e com pelos brancos;
  • caule cilíndrico na base;
  • nós e entrenós bem definidos e ramificados na base;
  • folhas sem pecíolo, pubescência esparsa;
  • folhas em forma de verticilos ao longo dos nós; 
  • planta perene.

Vassourinha-de-botão (Spermacoce verticillata). Fonte: Moreira e Bragança (2010).

Detalhe das folhas em forma de verticilos ao longo dos nós, bem diferente das outras duas espécies. Vassourinha-de-botão (Spermacoce verticillata).

Conclusão

Neste texto você pode entender as principais características da família Rubiaceae, e as diferenças entre as espécies: poaia-branca, erva-quente e vassourinha-de-botão. No próximo texto, vamos ver como controlar estas três espécies e, porque elas estão causando dores de cabeça na hora do manejo. O primeiro passo para o manejo integrado de plantas daninhas é a identificação correta das espécies presentes na área. O levantamento da flora infestante ou do banco de sementes é fundamental para tomar a decisão correta do manejo que iremos adotar em cada área.

Gostou do texto? Tem mais dicas sobre identificação destas três plantas daninhas? Adoraria ver o seu comentário abaixo!

Sobre a Autora: Ana Ligia Giraldeli. Sou Engenheira Agrônoma formada na UFSCar. Mestra em Agricultura e Ambiente (UFSCar), Doutora em Fitotecnia (USP/ESALQ) e especialista em Agronegócios. Atualmente sou professora da UNIFEOB.

 


Foto de capa:  Moreira e Bragança (2010).

7 COMENTÁRIOS

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.