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Viabilidade econômica da cultura do milho safrinha 2019, em Mato Grosso do Sul

As análises de viabilidade são ferramentas imprescindíveis para o planejamento e para a avaliação do desempenho econômico-financeiro de qualquer atividade agrícola. Sendo assim, ao planejar a safra de outono/inverno, além da preocupação com os processos produtivos, o produtor deve ficar atento às ações gerenciais e administrativas da propriedade, bem como às oscilações do mercado para o momento de comercializar o resultado de sua safra.

Sabendo-se que o resultado econômico-financeiro da propriedade rural depende da gestão administrativa, dos custos de produção, da produtividade e do preço de venda do grão, é muito importante o produtor elaborar, acompanhar e conhecer profundamente os custos de produção de sua atividade econômica.

Nesse sentido, a fim de auxiliar o produtor na apuração e avaliação dos resultados econômicos que podem ser obtidos em sua propriedade, este trabalho tem por objetivo apresentar as estimativas do custo de produção da cultura do milho safrinha em 2019.

Metodologia da formação dos custo e da análise econômica

Considerou-se para elaboração das estimativas de custo para a safrinha 2019 o cultivo de milho Bt, milho Bt + RR e milho convenciona.

Os preços dos fatores de produção e dos produtos, levantados nos meses de outubro 2018, foram usados para elaborar o custo de produção, estimar o grau de importância dos seus componentes e analisar a viabilidade econômica da cultura do milho na safrinha de 2019.

A produtividade média estimada, neste trabalho, é de 5.400 kg/ha para o milho Bt e para o milho Bt + RR, enquanto para a do milho convencional é de 4.800 kg/ha.



Análise do custo de produção

Na Tabela 1 estão representados os custos de produção de milho safrinha 2019, para três diferentes tecnologias, sendo milho Bt, milho Bt + RR e milho convencional.

Os insumos, com média de 43,89% de participação, impactam fortemente o custo total, em função do elevado custo com fertilizantes (18,44%) e sementes (13,79%). Por sua vez, as operações agrícolas, que englobam a manutenção das máquinas e dos implementos, o combustível e a mão de obra, correspondem, em média, a 10,71% do custo total. Outro componente importante no custo de produção são os denominados custos administrativos, que correspondem, em média, a 17,22% do total.

Somando-se o custo com insumos, operações agrícolas, custos administrativos e depreciações tem-se o custo operacional total, que corresponde, em média, a 76,43% do custo total.

Outro item não menos importante é o da remuneração dos fatores de produção, representada pela remuneração esperada sobre o capital empregado em máquinas, equipamentos e benfeitorias e a terra, que correspondente ao valor de arrendamento.

A soma de todos os componentes que compõem o custo total, para a safrinha de milho 2019, atinge R$ 2.294,93 por hectare com o milho Bt, R$ 2.420,25 com o milho Bt + RR e R$ 2.202,62 com o milho convencional.

Análise dos indicadores de eficiência econômica

Considerando-se a produtividade média esperada de 5.400 kg/ha , tanto com o milho Bt quanto com o milho Bt + RR, e de 4.800 kg/ha com o milho convencional, e preço de comercialização de R$ 27,88 por saca de 60 kg, a receita total (RT) será de R$ 2.509,20 tanto para o milho Bt quanto para o Bt + RR e de R$ 2.230,40 com milho convencional (Tabela 2).

No custo operacional total (COT), que é o desembolso realizado para conduzir a atividade, acrescido da depreciação, a margem bruta com o milho Bt será de R$ 756,85; com o milho Bt + RR de R$ 631,53 e com o milho convencional de R$ 570,36. Para atingir estes valores, a produtividade de nivelamento deverá ficar entre 59,54 e 62,85 sacas de 60 kg, por hectare. Para tanto, o preço de nivelamento, também denominado de custo operacional médio, deverá ser ficar entre R$ 19,47 e R$ 20,86.

Analisando-se o custo total (CT), percebe-se que a margem líquida será positiva com as três tecnologias avaliadas. Dessa forma, para remunerar o custo total será necessário produzir 82,31 sc/ha com o milho Bt, 86,81 sc/ha com o milho Bt + RR e 79,00 sc/ha com o milho convencional. Assim, o preço de nivelamento deverá ficar entre R$ 25,50 e R$ 27,53 por saca de 60 kg.

A taxa de retorno (TR), que consiste na relação margem líquida e custo total, apresenta-se positiva nas três tecnologias avaliadas. Isso significa que, mantendo-se os atuais níveis de preços e do custo total, o produtor poderá remunerar todos os custos de produção.

Análise de sensibilidade

A análise de sensibilidade permite identificar os limites de variações dos preços dos produtos e das quantidades produzidas sem comprometer a viabilidade econômica do sistema de produção. A análise aponta o valor mínimo para comercialização do produto ou a quantidade mínima a ser produzida para que o produtor não tenha prejuízos com a atividade agrícola.

Foram consideradas três situações de menor favorabilidade, sendo as alterações de -10%, -20% e -30% e três de maior favorabilidade de +10%, +20% e +30%, tanto para as variações dos preços pagos ao produtor e das quantidades produzidas, nas três diferentes tecnologias avaliadas.

Análise das alterações de preços

Considerando-se que os preços por saca de milho podem variar em um intervalo de R$ 19,52 e R$ 36,24, a produtividade de nivelamento para o milho Bt pode ficar entre 117,6 sc/ha , quando o preço for reduzido em 30%, e 63,3 sc/ha, quando o preço for aumentado em 30%. No milho Bt + RR, a produtividade de nivelamento pode ficar entre 124,0 sc/ha e 66,8 sc/ha. No milho convencional, fica entre 112,8 sc/ha e 60,8 sc/ha (Tabela 3).

Análise das alterações nas quantidades produzidas

Considerando-se que as quantidades de milho safrinha produzidas podem variar em um intervalo de 63,0 sc ha e 117,0 sc ha , tanto com o milho Bt quanto com o milho Bt + RR, o preço mínimo de comercialização deverá ficar entre R$ 36,43 e R$ 20,69.

No milho convencional, considerando que a produtividade pode variar entre 56,0 sc ha e 104,0 sc ha , o preço de comercialização ficará entre R$ 39,33 quando a produtividade for reduzida em 30%, e R$ 21,18 quando a produtividade for aumentada em 30% (Tabela 4).

Considerações

Mantendo-se os atuais níveis de preços de mercado e do custo de produção, a maior renda líquida será obtida com o milho Bt e a menor com o milho convencional. Mesmo com baixa rentabilidade, o milho safrinha poderá gerar renda líquida positiva para o produtor de milho na safrinha 2019.

Sabe-se que os preços praticados no mercado, no momento da comercialização, devem ser iguais ou acima do preço de nivelamento para que o produtor obtenha renda líquida positiva. Se porventura estiverem abaixo, possivelmente o produtor terá margem líquida negativa.

AutorAlceu Richetti, Administrador, mestre em Administração, analista da Embrapa Agropecuária Oeste, Dourados, MS.

Fonte: Embrapa

Equipe Mais Soja
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