As pragas podem ser dispersadas entre países devido ao fluxo de materiais vegetais, através de pessoas, animais máquinas e vento, podendo essa dispersão resultar em grandes prejuízos nos primeiros surtos em locais aos quais não são nativas.

Quando isso ocorre, os produtores e técnicas não estão preparados para o manejo mais eficiente e assertivo. Além disso, pode ocorrer liberações emergenciais de defensivos para minimizar os estragos dos ataques.

Hoje você conhecerá as principais pragas quarentenárias e os prejuízos que elas ocasionaram, além de conhecer alguns critérios legislativos.

Figura 1. Pragas quarentenárias: ferrugem e Helicoverpa armígera.

Foto: Inquima (2016).

O que são pragas quarentenárias?

São organismos que apresentam ameaças e potencial de danos a culturas.

Considera-se pragas com importância econômica potencial (Barbosa et al., 2014):

  • Pragas Quarentenárias Ausentes: ainda não apresentam registro no país;
  • Pragas Quarentenárias Presentes: sua presença não se encontra amplamente distribuída entre todas as regiões e estão sob controle oficial.

Registrado no MAPA (2019), a planta daninha Amaranthus palmeri apresenta 3 hospedeiros (algodão, soja e milho) e está presente no estado do Mato Grosso, enquadrando-se como praga presente (encontra-se no país, mas concentrado em algumas regiões).

Figura 2. Praga, hospedeiros e unidade da federação com ocorrência.

Fonte: MAPA (2018).

Quais são as maiores preocupações?

  • Não conhecemos seu comportamento em nossas condições ambientais;
  • Precisamos adotar práticas de controle emergenciais;
  • Não há defensivos registrados para pragas quarentenárias;
  • Podem apresentar características com elevado potencial de danos;
  • Ampla faixa de disseminação por rotas de acesso ao nosso território (principalmente nas divisas);
  • Potencial de perdas de produção irreparáveis.

Entenda o conceito de praga

Quando nos referimos à palavra “praga”, não se engane com o conceito. Segundo a legislação, praga se refere a todo material nocivo aos vegetais, sejam, insetos, ácaros, doenças, nematoides, vírus, bactérias ou plantas daninhas.

O bicudo-do-algodoeiro, introduzido no Brasil no ano de 1983 e originário do México. Desde então, estabeleceu-se preferencialmente no cerrado e seu principal hospedeiro é o algodão, causando sérios danos para a comercialização das fibras. Além disso, seu controle com moléculas químicas beira 20 aplicações ou mais, tamanho é o nível de infestação e severidade da praga. Os custos com controle são imensuráveis.



A ferrugem asiática (Phakopsora pachyrhizi) apresentou seu primeiro registro no ano de 2001. Nos próximos 10 anos de sua incidência, o prejuízo foi estimado em US$ 25 bilhões (Spadotto et al., 2014).

A lagarta Helicoverpa armigera causou seu primeiro surto na safra de 2011/12. No momento, não havia produtos registrados. Assim, houve a introdução de inseticidas emergenciais para amenizar os danos da praga.


Veja também: 10 principais pragas da soja – Helicoverpa armigera


Figura 3. Distribuição da Helicoverpa armigera para o Brasil.

Fonte: Embrapa.

No entanto, por ser uma praga que ataca diversas estruturas da planta, tanto folhas como a região reprodutiva, as perdas foram irreparáveis. As culturas mais afetadas foram as que possuem maior importância econômica, como algodão, milho, soja, feijão e girassol.

Figura 4. Danos em soja (a) e no algodão (b).

Fonte: Czepak et al. (2013).

Após ser introduzida no Brasil, outros países da América do Sul registraram a ocorrência da lagarta.

A preocupação foi tanta, que muitos produtores acharam que não teriam como impedir a perda da produção. Suas características descritas a seguir, resultaram em elevado potencial de perdas de rendimento:

  • Praga de grande voracidade;
  • Polífaga (alimenta-se de diversas culturas);
  • Sem registro de inseticidas;
  • Resistência a produtos em outros países.

No primeiro ano de relato do seu surto, no estado da Bahia, as perdas foram estimadas em 80% na cultura do algodão. Na safra seguinte, 2012/13, os ataques seguiram e houve relatos de prejuízos de R$ 140,00.ha-1 (Ávila et al., 2013). Nesta safra, as perdas foram estimadas em US$ 4 bilhões (Spadotto et al., 2014).

Na próxima Figura, elaborada pela Embrapa, notamos as principais vias de entrada das pragas e as regiões com culturas mais ameaçadas nos estados brasileiros.

Figura 5. Vias de entrada de pragas quarentenárias.

Fonte: Embrapa (2014).

Visto a grande dinâmica de circulação, seja nos portos, aeroportos e interseções de rodovias federais, estaduais e hidrovias com os limites territoriais brasileiros, nota-se a importância das fiscalizações de materiais vegetais, intensificando-se barreiras fitossanitárias.

Fiscalizações do Trânsito de Vegetais

Para que o trânsito seja realizado de forma a não contaminar territórios com pragas desconhecidas ou antes nunca registradas, a fiscalização e controle de materiais vegetais deve ser realizado de forma correta e segura.

Para o controle em portos, aeroportos e fronteiras, há a Vigilância do Trânsito Agropecuário Internacional (Vigiagro), que realiza fiscalizações de materiais agropecuários e são de responsabilidade do MAPA (MAPA, 2016).

Construiu-se a distribuição de Postos Fixos de Fiscalização como ação preventiva e de controle da entrada de pragas pelas rodovias. Segue na Figura 6, os postos no estado do Mato Grosso.

Figura 6. Postos Fiscais no Estado do Mato Grosso.

Fonte: Indea (Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso).

Na Figura 7, é possível observar a lista das principais ameaças à agricultura brasileira.

Figura 7. Pragas quarentenárias.

Embrapa (2014 apud Freitas).

Considerações finais

Hoje as pragas exóticas introduzidas em nosso território, como a ferrugem, bicudo e Helicoverpa armigera, geram perdas significativas na produção anualmente. Caso houvesse prevenção, poderia significar uma economia de bilhões de dólares e segurança para a agricultura brasileira.

É preciso saber reconhecer a importância dessas pragas. Elas podem ocasionar danos irreparáveis, pois não temos conhecimento amplo do seu comportamento e táticas de controle. Além disso, não há registro de produtos para essas pragas.

A qualquer momento, caso não ocorra fiscalização, novas pragas podem ser introduzidas no país e causar bilhões em prejuízos, como ocorreu com as últimas inseridas no nosso território.

Elas não são ocasionais e são consideradas pragas primárias. Quando inseridas num local, o potencial para permanecer afeta diretamente a economia do país.

Referências

ÁVILA, Crébio José; VIVAN, Lúcia Madalena; TOMQUELSKI, Germison Vital. Ocorrência, aspectos biológicos, danos e estratégias de manejo de Helicoverpa armigera (Hübner)(Lepidoptera: Noctuidae) nos sistemas de produção agrícolas. Dourados: Embrapa Agropecuária Oeste, v. 12, 2013.

BARBOSA, C. de J. et al. Pragas quarentenárias A1 e A2 da citricultura baiana. Embrapa Mandioca e Fruticultura-Comunicado Técnico (INFOTECA-E), 2014.

CZEPAK, Cecília et al. Primeiro registro de ocorrência de Helicoverpa armigera (Hübner)(Lepidoptera: Noctuidae) no Brasil. Pesquisa Agropecuária Tropical, v. 43, n. 1, p. 110-113, 2013.

Embrapa Soja. Helicoverpa armigera: Ameaças fitossanitárias. Embrapa, módulo 1

Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso. Pragas Quarentenárias. 2019

Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. A VIGILÂNCIA DO TRÂNSITO AGROPECUÁRIO INTERNACIONAL. 2017

Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. PRAGAS QUARENTENÁRIAS PRESENTES – PQP. D.O.U nº 190, Seção 1, pg. 14, 2/10/2018

SPADOTTO, C. A.; MINGOTI, R.; HOLLER, W. A. Distribuição da produção agrícola e vias de acesso de pragas quarentenárias no Brasil. Embrapa Gestão Territorial-Nota Técnica/Nota Científica (ALICE), 2014.

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Redação: Equipe Mais Soja.

 

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