Em um sistema de produção, vários fatores interferem na produtividade de uma cultura e sucesso no seu cultivo, contudo, um dos primeiros a interferir é o manejo do solo. Para se ter um bom desenvolvimento de plantas e produtividade da cultura é necessário que o solo apresente bons atributos físicos, químicos e biológicos. Com relação aos atributos químico, uma boa fertilidade e CTC do solo são essenciais para atender as necessidades nutricionais da planta já a respeito dos atributos biológicos, se busca uma abundante fauna edáfica benéfica ao solo, melhorando propriedades de coesão entre partículas, galerias e do solo e auxiliando na melhoria de atributos físicos do solo.

Quais são as principais causas da compactação do solo?

Segundo OLIVEITA et al. (2019), a compactação do solo é causada principalmente pelo trafego de máquinas agrícolas (figura 1), caminhões e pisoteio de animais que pastejam as áreas de integração lavoura/pecuária.  A compactação do solo nada mais é do que a consequência de uma pressão exercida no solo superior a sua capacidade de resistência, causando seu adensamento, diminuindo sua macroporosidade e espaço aéreo.

Figura 1. Compactação do solo causada por passada de máquina agrícola.

Foto: Henrique Debiasi

SECCO et al. (2004), destacam que a propensão do solo a compactação está diretamente relacionado com as características granulométricas, teor que matéria orgânica e umidade do solo, tendo esta última efeitos mais perceptíveis quanto a compactação do solo. Os autores ainda destacam que a uma relação direta com a propensão a compactação e a umidade do solo.

Avaliando o comportamento da compactação com base nos teores de umidade do solo para um Latossolo Roxo, FIGUEIREDO; JUNIOR; FERREIRA (2000) alcançaram resultados que demonstram a curva de compactação para este solo sob cultivo em sistema de semeadura direta sobre a palhada (Figura 2). Demonstrando que a umidade crítica de compactação é menor que o limite de plasticidade do solo, sendo este superior a zona de friabilidade do solo onde  ocorre a máxima compactação.

Figura 2. Curva de compactação de um Latossolo Roxo, para o sistema de manejo sob semeadura direta (SD), para as profundidades de 0 a 0,07 m e 0,25 a 0,32m para os períodos de janeiro, abril e novembro de 1996.

Adaptado: FIQUEIREDO; JUNIOR; FERREIRA (2000).

De modo geral, a compactação cresce à medida que a umidade aumenta, até chegar ao seu nível máximo, (ápice da curva), a partir desse ponto a umidade é tanta que o solo torna-se plástico. Na prática não são realizadas atividades agrícolas em solos plásticos, ou solos muito úmidos, salvo algumas práticas de manejo como no arroz irrigado por inundação em sistemas pré-germinados, contudo, geralmente essas práticas são realizadas após o nível de plasticidade dos solo, onde sua coesão não é tão forte, facilitando a realização das atividades.



 

Quais são as consequências do solo compactado na cultura da soja?

Uma das principais consequências da compactação do solo é a diminuição da infiltração de água no perfil do solo em virtude da diminuição de macroporos. Avaliando a relação entre a macroporosidade e a densidade do solo, SECOO et al. (2004) encontraram respostas lineares para a diminuição da macroporosidade com o aumento da densidade do solo (figura 3).

Figura 3. Relação entre a macroporosidade e a densidade para um Latossolo Vermelho distroférrico.

Fonte: SECCO et al. (2004).

A drástica diminuição da macroporosidade do solo além de diminuir a infiltração de água em seu perfil, diminui o espaço aéreo no solo e com isso a aeração do mesmo, dificultando as trocas gasosas no sistema raiz/solo.

Além disso, o aumento da compactação do solo afeta a produtividade da soja, limitando o crescimento radicular da planta e com isso a absorção de água e nutrientes como demonstrado na figura 4 por BEULTER & CENTURION (2004).

Figura 4. Desenvolvimento radicular de plantas de soja em um perfil de solo até a profundidade de 0,3 m, compactado com resistência a penetração de 2.4 Mpa.

Adaptado: BEULTER & CENTURION (2004).

Os autores ainda destacam que para resistência à penetração superiores a 0,85 MPa a produtividade da soja é diminuída, podendo ultrapassar 1000 Kg. ha-1 de perdas conforme o aumento da compactação.

Figura 5. Relação entre a resistência à penetração e a produtividade de soja.

Adaptado: BOULTER & CENTURION (2004).

Mas como manejar a compactação do solo e diminuir perdas de produtividade?

Dentre as ferramentas disponíveis para a descompactação do solo, o uso de processos físico/mecânicos como a escarificação ou subsolagem do solo apresentam bons resultados, contudo, estas práticas requerem enorme força de tração e como contrapartida resultam em custos de produção com máquinas e combustível.

Uma prática interessante é inserir ao sistema de rotação de culturas, plantas de cobertura com a capacidade de descompactar o solo como o nabo forrageiro, girassol e outras culturas com sistemas radicular denso e/ou pivotante. Na figura 6 é possível visualizar o efeito da rotação de culturas na diminuição da densidade do solo em sistema de Plantio direto.

Figura 6. Comparação entre sistema de rotação de culturas (tremoço/milho – aveia/soja – trigo/soja e trigo-soja) e sistema sucessão de culturas (trigo/soja), para um e três anos agrícolas, nas profundidades de 8 a 13 cm de solo.

Adaptado: TORRES & SARAIVA (1999).

Além disso, alternativas como o tráfego controlado de máquinas e manejo da plantas de cobertura resultam em melhorias dos atributos físicos do solo (Figura 7).

Figura 7. Cultivo de nabo forrageiro nas linhas de tráfego de máquinas agrícolas como ferramenta na descompactação do solo.

Fonte: BERTOLLO (2018).

Cabe destacar que a compactação do solo traz inúmeros malefícios ao sistema produtivo, além de afetar negativamente a produtividade, então cabe ao produtor rural em conjunto com o técnico responsável analisar as opções de manejo mais adequadas para seu sistema e implanta-las em sua lavoura.

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Veja também: Uso de crotalária como alternativa no controle de nametoides

Referências:

BERTOLLO, G. M. DESEMPENHO E EMISSÕES DE TRATOR EM SEMEADURA COM DIFERENTES CONFIGURAÇÕES DE SULCADORES EM ÁREAS DE TRAFEGO CONTROLADO DE MÁQUINAS. Santa Maria, 139p. 2018.

BEULTER, A. N.; CENTURION, J. F. COMPACTAÇÃO DO SOLO NO DESENVOLVIMENTO RADICULAR E NA PRODUTIVIDADE DA SOJA. Pesq. agropec. bras., Brasília, v.39, n.6, p.581-588, jun. 2004.

FIQUEIREDO, L. H. A; JUNIOR, M. S. D; FERREIRA, M. M.  UMIDADE CRÍTICA DE COMPACTAÇÃO E DENSIDADE DO SOLO MÁXIMA EM RESPOSTA A SISTEMAS DE MANEJO NUM LATOSSOLO ROXO. R. Bras. Ci. Solo, p. 487-493, 2000.

OLIVEIRA, A. B. et al. COLEÇÃO 500 PERGUNTAS, 500 RESPOSTAS. Embrapa, Brasília, 274 p. 2019.

SECCO, D. et al.  PRODUTIVIDADE DE SOJA E PROPRIEDADES FÍSICAS DE UM LATOSSOLO SUBMETIDO A SISTEMAS DE MANEJO E COMPACTAÇÃO. R. Bras. Ci. Solo, p.797-804, 2004.

TORRES, E; SARAIVA, O. F. CAMADAS DE IMPEDIMENTO MECÂNICO SO SOLO EM SISTEMAS AGRÍCOLAS COM SOJA. Embrapa Soja, Londrina, 58p. 1999.

Redação: Maurício Siqueira dos Santos – Eng. Agrônomo.

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