Os maiores volumes de algodão, milho, carnes em geral, café, etanol e frutas exportados no primeiro semestre de 2019 garantiram crescimento de quase 4% na quantidade total de produtos embarcados pelo agronegócio nacional frente ao mesmo período do ano passado. Os dados são do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP.

O faturamento com as vendas, no entanto, caiu. Nos primeiros seis meses deste ano, as exportações de produtos do agronegócio renderam US$ 47.8 bilhões, com queda de 2,70% em relação ao mesmo período de 2018.

Esse resultado, segundo pesquisadores do Cepea, esteve atrelado à baixa de 8,50% nos preços em dólares recebidos pelos exportadores. Em real, o faturamento externo do agronegócio diminuiu em mais de 11%, devido ao recuo dos preços em dólar e à valorização de 5,70% do real.

Produtos exportados

Boa parte dos produtos exportados pelo agronegócio brasileiro apresentou alta nas vendas no primeiro semestre de 2019 quando comparado ao mesmo período de 2018. Segundo o Cepea, foram observados crescimento nos embarques de algodão em pluma (125%); milho (78%); café (42%); carnes bovina (25%), suína (24%) e aves (9%); etanol (23%); madeira (1%) e celulose (56%). Já os produtos do complexo da soja, suco de laranja e açúcar registraram queda nos embarques reduzidos.

O salto no volume exportado de algodão resulta de aumentos importantes de produção no Brasil, em razão do crescimento nos preços internacionais nos últimos anos. Em 2019, o mercado firme foi reforçado pelas importações da China, no rescaldo do confronto comercial entre esse país e os EUA.

Para o milho, as exportações continuam em expansão em 2019, puxada por uma demanda externa firme e pela boa produção doméstica. As carnes em geral, bovina, suína e de aves, têm mantido bom desempenho, ajudado pela redução na produção chinesa, onde os episódios de Peste Suína Africana (PSA) têm impactado negativamente a produção. Já o café manteve suas vendas externas em expansão em 2019, mas a preços menores: a boa safra mundial não tem permitido a recuperação de preços da commodity.

Destinos

A China é o principal destino das exportações do agronegócio brasileiro, com participação de mais de 33% do faturamento em dólares, seguida por países da Zona do Euro (16,20%) e dos Estados Unidos (7,40%).

A demanda chinesa continuou concentrada nos produtos do grupo cereais/leguminosas/oleaginosas, que ficou com mais de 70% das exportações brasileiras no primeiro semestre. Outro produto importante é a carne bovina: do total da proteína brasileira exportada no período, mais de 30% tiveram a China como destino. Considerando-se China e Hong Kong, o percentual se eleva para mais de 50%.

Segundo semestre

Embora a quantidade exportada possa continuar crescendo no segundo semestre de 2019, não há expectativas de aumento dos preços, devido à boa oferta internacional dos principais produtos agrícolas.

Além disso, diante da nova reconfiguração da política comercial brasileira, o País poderá obter ganhos de comércio. No entanto, é pouco provável que esses resultados sejam imediatos e, desse modo, o faturamento em dólar do setor pode ficar abaixo do recorde atingido em 2018. Além disso, mais um fator de incerteza para o segundo semestre é o recrudescimento das relações comerciais entre China e Estados Unidos.

Texto originalmente publicado em:
SNA
Autor: CEPEA

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