A inoculação da soja com bactérias do gênero Bradyrhizobium é uma prática diretamente relacionada sustentabilidade do cultivo. A principal contribuição da prática é a fixação biológica de nitrogênio, processo em que por meio de uma relação de simbiose com a planta, a bactéria captura o nitrogênio atmosférico e transforma-o em formas assimiláveis pela planta.

De maneira geral, conforme destacado por GITTI (2016), esse processo permite fornecer todo o nitrogênio que a planta precisa para produtividades médias de 3600 kg.ha-1, sendo desnecessário o fornecimento de fertilizantes nitrogenados à cultura, acarretando em redução dos custos de produção, maior competitividade e sustentabilidade do cultivo.

Além disso, ganhos de produtividade da soja também são observados quando realizada a inoculação da cultura, sendo que para áreas tradicionais de cultivo da soja, PRANDO et. al, (2019) afirmam que o incremento de produtividade chega a 8%. A principal característica observada em soja inoculada é a presença de nódulos nas raízes (figura 1), quando sadios, o interior dos nódulos apresenta coloração rosácea (figura 2).

Figura 1. Nódulos de Fixação biológica de nitrogênio em raízes de soja.

Figura 2. Corte de nódulo de fixação biológica de nitrogênio demonstrando o interior rosáceo como característica.

Fonte: EMBRAPA

Além da inoculação com bactérias do gênero Bradyrhizobium, PRANDO et. al, (2019) destacam que a utilização de outro gênero de bactérias também é vantajoso no cultivo da soja. Trata-se das bactérias do gênero Azospirillum, inseridas no sistema na forma de coinoculação da soja. Conforma apontado pelos autores, as bactérias desse gênero já são indicadas para culturas como trigo e milho desde 2004, sendo que diferentemente do Bradyrhizobium que atua na fixação biologia de nitrogênio, o Azospirillum atua principalmente como agente promotor do crescimento de raízes através da síntese de fitormônios. Além de favorecer a absorção de água e nutrientes em decorrência do maior volume de solos explorado, quando associado ao Bradyrhizobium, as plantas inoculados com Azospirillum apresentam nodulação mais abundante e precoce (PRANDO, et. al, 2019).

Contudo os benefícios da coinoculação não param por ai, conforme destacado por PRADO et. al, (2019), as plantas coinoculadas com Bradyrhizobium e Azospirillum apresentam um incremento de produtividade de 16%.

Avaliando os resultados do uso da coinoculação em diferentes regiões de cultivo da soja no estado do Paraná na safra 2018/2019, PRANDO et. al, (2019), encontraram resultados que demonstram o incremento da nodulação e produtividade da soja quando coinoculada. Conforme observado pelos autores, a nodulação média quando utilizada a coinoculação foi de 20,8 nódulos.planta-1, um aumento de 34,2% quando comparado as plantas não inoculadas. Além do número de nódulos por planta, quando comparado a plantas não inoculadas, os autores observaram que a coinoculação apresentou aumento de quase 50% na massa de nódulos, ou seja além da coinoculação proporcionar o aumento do número de nódulos por planta, também acarreta em nódulos maiores.

Figura 3. Incremento do número de nódulos da soja (%) em resposta à coinoculação com Bradyrhizobium + Azospirillum em relação à testemunha não inoculada. Resultado das Unidades de Referência assistidas pela Emater na safra 2018/2019, em 59 municípios no estado do Paraná.

Fonte: PRANDO et. al, (2019).

Já com relação a produtividade, assim como os resultados obtidos por GITTI (2016), (figura 5), PRADO et. al, (2019), encontraram um incremento de produtividade em 2/3 das Unidades de Referencia acompanhadas pela Emater, sendo superiores e 5%, alcançando 8,3% em alguns casos.

Figura 4. Produtividade da soja (%) em resposta à coinoculação com Bradyrhizobium + Azospirillum em relação à testemunha não inoculada. Resultado das Unidades de Referêcia assistidas pela Emater na safra 2018/2019, em 56 locais no estado do Paraná.

Fonte: PRANDO et. al, (2019).

Cabe destacar que em grande parte das unidades de referência onde foram observados aumento de produtividade, também foi realizada a aplicação de Cobalto (Co) e Molibdênio.

Veja também: Avaliação de diferentes modos de aplicação de cobalto e molibdênio no desenvolvimento da cultura da soja

Figura 5. produtividade da soja em 2015 e 2016 obtidas em tratamentos sem a inoculação de sementes, inoculação com (Bradyrhizobium), coinoculação (Bradyrhizobium + Azospirillum brasilense). 

Adaptado: GITTI (2016).

Para o estudo realizado na safra 2018/2019, a coinoculação resultou em aumento médio de 259 kg.ha-1, ou seja, 4,3 sacas.ha-1. Considerando o valor da saca de soja a R$ 72,00 e o custo da dose do inoculante à base de Bradyrhizobium + Azospirillum a R$ 15,00 ha-1 o lucro líquido da coinoculação seria equivalente a R$ 296,00 ha-1 (PRANDO, et. al, 2019). (Valores referentes a data de realização do estudo). Confira o estudo completo clicando aqui!!!

Embora os valores não estejam corretamente atualizado, é perceptível que a coinoculação da soja apresente ótimo custo/benefício, servindo como ferramenta no aumento da produtividade e sustentabilidade do cultivo.

 

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Referências:

EMBRAPA. FIXAÇÃO BIOLÓGICA DE NITROGÊNIO. Embrapa, Multimídia: Banco de imagens, disponível em: <https://www.embrapa.br/busca-de-imagens/-/midia/1244001/fixacao-biologica-do-nitrogenio>, acesso em: 09/07/2020.

GITTI, D. C. INCOULAÇÃO E COINOCULAÇÃO NA CULTURA DA SOJA. Fundação MS, 2019.

PRANDO, A. M. COINOCULAÇÃO DA SOJA COM BRADYRHIZOBIUM E AZOSPIRILLUM NA SAFRA 2018/2019 NO PARANÁ. Embrapa, Circular Técnica, n. 156, nov. 2019, disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1117312/1/Circtec156.pdf>, acesso em: 09/07/2020.

2 Comentários

  1. Obrigado pela menção no trabalho.
    Se puder corrigir meu sobrenome nas citações e referências, acrescentando a letra N, agradeço.
    Att. Prando

    • Bom dia Dia Dr Prando, obrigado por nos avisar, realmente faltou uma letra. Corrigido.
      Parabéns pelo trabalho aliando sustentabilidade e produtividade.
      Att, Equipe Mais Soja.

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