No dia 28 de abril, primeiro dia da 9ª Reunião da Rede Zarc Embrapa, em Brasília/DF, equipes de 34 Unidades da Embrapa e de outras instituições de pesquisa, representantes de seguradoras, do Mapa, do Banco Central e de organizações do setor produtivo reuniram-se em reunião nacional para comemorar os 30 anos do Programa Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) no País. A tecnologia contribui com a mitigação de perdas agrícolas com gestão integrada a políticas públicas.
Na abertura, os parceiros do Programa – Embrapa, Ministério da Agricultura e Pecuária, Banco Central e Sistema OCB – deram às boas-vindas aos presentes. A presidente Silvia Massruhá parabenizou todos os parceiros pelos 30 anos do Zarc e lembrou que houve um trabalho conjunto para revitalizar o Programa há 11 anos como politica pública estratégica para o Brasil. “O Zarc é um modelo institucional de política pública de inteligência estratégica para o País e traz hoje uma dimensão como base para a política da Jornada Verde, pensando como os produtores rurais podem se beneficiar de créditos de carbono e serviços ambientais”, disse.
A presidente lembrou que a Embrapa lançou o Balanço Social 2025 nos 53 anos da Empresa neste ano, sendo o Zarc uma das 200 tecnologias que colaborou para que a cada R$ 1 investido na Embrapa a instituição tenha retornado R$ 27 à sociedade brasileira. “O PIB Agrícola brasileiro foi de R$ 725 bilhões e o impacto da Embrapa foi cerca de 17% no PIB. O maior beneficiário é o produto rural, que traz as demandas e ajuda a validar a tecnologia, uma parceria muito importante”, concluiu.
Claudio Filgueiras Pacheco Moreira, chefe do Departamento de Regulação, Supervisão e Controle das Operações do Crédito Rural e do Proagro (Derop) no Banco Central do Brasil, se diz satisfeito pelo Zarc ter se tornado uma política pública consolidada. “Isso mostra o quanto a tecnologia é importante e faz de nossa agricultura mais pujante. Queremos que o Zarc evolua e se consolide cada vez mais. Se o Banco Central evoluiu muito na prática de crédito rural, isso se deve à Embrapa. Parabenizamos a Embrapa pela grande evolução tecnológica, pelo brilhante programa”.
O coordenador do Ramo Agropecuário do Sistema OCB, Rodolfo Jordão da Silva Filho, afirmou que a entidade trata o Zarc como ferramenta como política pública casada com um modelo de negócio “para dar retorno para a ponta da cadeia produtiva, não somente para as obrigações do crédito e seguro rurais”. Segundo ele, o corpo técnico de mais de 9 mil profissionais da OCB participa dos projetos. “O Zarc como instrumento deve ter cada vez mais protagonismo”, disse.
Para finalizar a mesa de abertura, Guilherme Campos, secretário de Política Agrícola do Mapa, falou que é necessário fornecer mais condições para que o trabalho no campo seja menos arriscado e mais produtivo para o produtor rural. “Tudo que é feito de protagonismo agrícola no mundo é graças a iniciativas como essas da Embrapa. Que esse seja o primeiro ciclo de 30 anos de outros que virão”. Campos também salientou a necessidade de mais divulgação do Zarc para a sociedade brasileira. “Precisamos dar publicidade, cada vez maior, também para o cidadão comum” e agradeceu: “Obrigado a todos pelo trabalho, talento e qualidade do que é entregue”.
Trajetória de 30 anos
Em seguida, os participantes assistiram à palestra “A trajetória dos 30 anos do Zarc”, ministrada pelo coordenador da Rede Zarc Embrapa, pesquisador Eduardo Monteiro. Ele mostrou que as primeiras avaliações de risco nas culturas começaram antes de 1996. Na década de 1990, o ministro da agricultura da época conheceu as primeiras avaliações de risco em culturas na Embrapa Arroz e Feijão, vendo a importância do projeto de redução de riscos climáticos em 1995/1996 realizado pela Embrapa e instituições parceiras.
Com a introdução do Zoneamento Agrícola, houve um impacto significativo, mostrando redução de 70% no índice médio de perdas no conjunto de contratos que seguiam o Zarc em comparação ao total de contratos. “Qualquer redução de 20% de perdas já representa uma economia na casa dos bilhões de reais”, de acordo com o pesquisador.
O pesquisador recordou que o Zarc ficou por alguns anos apartados da Embrapa, de 2003 a 2015. Em 2015, o operacional retornou para Embrapa, com trabalhos de atualização partindo praticamente do zero. Na época, a então chefe-geral da Embrapa Informática Agropecuária (hoje, Agricultura Digital), Silvia Massruhá, “deu apoio necessário e graças a isso estamos aqui hoje. E o passivo já foi praticamente todo superado”, garantiu.
Monteiro refere-se à Rede Zarc como “todo o ambiente de relacionamento, interação e colaboração, em que o corpo técnico de P&D se aproxima dos desafios do Proagro, do seguro rural, do PCR do Mapa, em um ambiente propício para inovação. Com isso, para cada demanda identificada e priorizada, entregamos um resultado concreto de 18 a 24 meses para ser operacionalizado no programa agrícola, a exemplo do Zarc Pecuário, Zarc produtividade e Zarc Níveis de Manejo”, explicou.
ZarcNM
Atualmente, o Programa Zarc está operacionalizando em 49 culturas no Proagro, crédito e seguro rural. “Esta é uma oportunidade de evoluir para o Zarc de segunda geração, mais exigente, o ZarcNM”, disse Monteiro.
Segundo o pesquisador, o Zarc Níves de Manejo (ZarcNM) marca o início de um processo de transição do Zarc tradicional para uma estratégia em que se possa ter produtividade, apesar do risco. Enquanto o Zarc tradicional avalia o risco com base no clima, solo e ciclo da cultura, o ZarcNM incorpora a análise da qualidade do manejo do solo como um dos fatores que colaboram para reduzir os danos por riscos climáticos.
O ZarcNM é uma maneira objetiva de quantificar a redução de risco a partir do aprimoramento do manejo. Ele proporciona uma quantificação individualizada por gleba e talhão. “É um mecanismo de indução da sustentabilidade, porque evidencia como alcançar a estabilidade da produção, do carbono do solo e da manutenção de água no solo e, com isso, procura premiar mais áreas com menos risco”, disse Eduardo Monteiro.
O pesquisador exemplificou como funciona a análise dos níveis de manejo dentro do Zarc com a grande seca que ocorreu em 2022, considerada a pior dos últimos anos, com recordes de perdas na agricultura e de acionamento do Proagro. “A equipe de pesquisa da Embrapa Agropecuária Oeste [Dourados, MS] monitorou áreas de Níveis de Manejo 1 (NM1) e as perdas chegaram a 90%, e em áreas vizinhas com NM4 a perda chegou a 20%. No Sul do País, a Embrapa Soja verificou que em áreas com bons níveis de manejo, a produtividade foi 43% superior a áreas com deficiência de manejo”, relatou.
O ZarcNM está em fase de testes com a cultura da soja no Paraná, e o projeto piloto expandiu para o Sul do Brasil e para o estado de Mato Gross do Sul. “Vamos ter que treinar e capacitar o setor produtivo, validação no campo em todo o Brasil. Depois vamos levar para o milho, trigo e assim por diante. Enquanto isso, o Zarc tradicional tem que existir enquanto se faz a transição. Precisamos fazer isso de forma planejada e calculada para que dê certo”, alertou.
O pesquisador finalizou a palestra dizendo que para seguirem com a expansão do Zarc, “é preciso, em primeiro lugar, encontrar modelo de financiamento compatível para que essa inovação atenda aos requisitos do Proagro, crédito rural e seguro rural. E, em segundo lugar, precisamos mudar como fazemos parcerias com outras instituições. E, assim, consolidar e seguir na trilha de desenvolvimento”.
Homenagens
Profissionais que fizeram e fazem parte do desenvolvimento do Programa Zarc foram homenageados pela Embrapa por seus trabalhos dedicados à evolução contínua da tecnologia. Da equipe da Embrapa foram homenageados Aderson Soares de Andrade Junior (pesquisador da Embrapa Meio-Norte), Aldemir Pazinatto (analista da Embrapa Trigo), Balbino Evangelista (analista da Embrapa Cerrados), Fernando Antonio Macena da Silva (pesquisador Embrapa Cerrados), Ivan Rodrigues de Almeida (pesquisador Embrapa Agricultura Digital), José Renato Bolças Farias (pesquisador Embrapa Soja), Silvando Carlos da Silva (pesquisador da Embrapa Arroz e Feijão), Silvio Steinmetz (pesquisador aposentado da Embrapa Clima Temperado) e Gilberto Rocca da Cunha (pesquisador da Embrapa Trigo).
Das instituições, foram laureadas as alianças estratégicas pilares para modernização, aprimoramento e expansão do Zarc nas pessoas de Claudio Filgueiras Pacheco Moreira, chefe do Departamento de Regulação, Supervisão e Controle das Operações do Crédito Rural e do Proagro (Derop) no Banco Central do Brasil; Pedro Loyola, coordenador do Observatório do Seguro Rural; Hugo Borges Rodrigues, coordenador-geral de Risco Agropecuário do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
Programação técnica
Durante os três dias, de 28 a 30 de abril, os mais de cem profissionais das equipes da Embrapa discutirão a gestão de risco climático a partir da experiência de diferentes atores sobre desafios institucionais, desafios técnicos e científicos, ações da Embrapa no Programa Zarc e projetos de pesquisa. Os temas estão sendo apresentados por representantes do Banco Central, Mapa, Federação das Seguradoras (Fenseg), CNA, Observatório do Crédito e Seguro Rural/FGV, OCB, Emater-RS e Associação Paranaense das Empresas de Planejamento Agropecuário (Apepa).
O que se espera com a reunião técnica é fomentar a adaptação e resiliência da agricultura brasileira em larga escala.
Fonte: Embrapa




