Em abril, o mercado spot de arroz em casca no Rio Grande do Sul foi marcado por baixa liquidez e negociações travadas durante praticamente todo o mês. Apesar do avanço consistente da colheita e do aumento gradual da disponibilidade física do grão, a comercialização permaneceu restrita diante do forte desencontro entre as expectativas de vendedores e compradores.
Do lado da oferta, produtores seguiram resistentes em ampliar os volumes negociados, avaliando que os preços praticados ainda eram insuficientes para remunerar adequadamente os custos de produção. Dessa forma, as vendas ocorreram de forma pontual, concentradas em momentos de necessidade de caixa ou em lotes de maior qualidade, especialmente aqueles com rendimento superior a 60% de grãos inteiros. Mesmo na reta final da colheita, a entrada adicional de produto no mercado não foi suficiente para gerar pressão uniforme de baixa, uma vez que a retração vendedora limitou a fluidez das transações.
Pelo lado da demanda, o comportamento também permaneceu cauteloso. Indústrias beneficiadoras atuaram de maneira comedida nas aquisições, pressionadas pela dificuldade de repasse de preços ao atacado e ao varejo, e pela consequente compressão das margens de beneficiamento. Além disso, a expectativa em torno dos leilões de apoio à comercialização anunciados pela Conab adicionou incerteza ao ambiente, levando parte dos agentes a postergar negociações à espera de maior definição sobre os impactos desses mecanismos no escoamento da safra.
Nesse contexto, o mercado apresentou comportamento regional heterogêneo e oscilações pontuais nas cotações, sem, contudo, consolidar um movimento baixista contínuo. Os negócios seguiram concentrados em pequenos volumes, com demanda seletiva e prêmio para grãos de melhor rendimento industrial.
Assim, embora o spot tenha permanecido lento ao longo de abril, o mês foi marcado mais por um ambiente de disputa entre agentes do que por uma pressão generalizada de oferta, em um cenário no qual a baixa liquidez dificultou a formação de tendências mais definidas para os preços. Ainda que as negociações tenham permanecido em pequenos volumes, a retração da oferta e a negociação pontual de lotes de melhor qualidade mantiveram firmes as referências médias no agregado mensal.
No último mês, a média do Indicador CEPEA/IRGA-RS (58% de grãos inteiros, pagamento à vista) foi de R$ 62,66/sc de 50 kg, alta de 6,52% frente à de março. No acumulado de abril (de 31 de março a 30 de abril), o avanço foi de 0,1%.
Considerando-se as médias das microrregiões que compõem o Indicador, houve aumento de 1,57% em abril na Planície Costeira Externa, a R$ 62,96/sc de 50 kg. Na Planície Costeira Interna e Zona Sul, as elevações foram de 4,13% e 5,61%, respectivamente, a R$ 63,83/sc e R$ 64,10/sc. Na Fronteira Oeste, Campanha e Depressão Central, as altas foram ainda mais expressivas, de 6,88%, 8,33% e 9,75% a R$ 62,44/sc, R$ 61,81/sc e R$ 60,47/sc, respectivamente.
Em relação aos demais rendimentos acompanhados pelo Cepea, a média de preços do produto com 63% a 65% de grãos inteiros subiu 4,72% entre março e abril, a R$ 63,95/sc de 50 kg. Para os grãos com 59% a 62% de inteiros, o aumento foi de 5,25%, a R$ 63,03/sc. Quanto ao produto de 50% a 57% de grãos inteiros, a elevação foi de 6,6% no mesmo comparativo, a R$ 61,83/sc.
Colheita
Segundo a Conab, até 24 de abril, a colheita nacional havia atingido 88,3% da área cultivada, com os trabalhos praticamente finalizados em Goiás e Santa Catarina (99%) e avançando em Mato Grosso (94,6%), Tocantins (78%) e Maranhão (31,8%).
No Rio Grande do Sul, a colheita da safra 2025/26 alcançou 93,51% da área semeada (cerca de 834,1 mil hectares), segundo o IRGA. Regionalmente, os maiores avanços foram registrados na Planície Costeira Externa (97,47%), na Zona Sul (95,86%), na Planície Costeira Interna (95,01%), na Campanha (94%), na Fronteira Oeste (93,26%) e na Região Central (85,17%).
Fonte: Cepea




