A maior oferta na América do Sul e as expectativas de expansão da área cultivada nos Estados Unidos pressionaram as cotações da soja nos Estados Unidos e no Brasil em abril. No mercado nacional, a queda foi intensificada pela desvalorização do dólar frente ao Real – de 3,8% no mês e de 12,9% em relação ao mesmo período do ano anterior –, com a moeda cotada, em média, a R$ 5,03 em abril, o menor patamar desde março de 2024 (R$
4,98).
As projeções indicam aumento da disponibilidade doméstica. Segundo a Conab, em relatório divulgado no dia 14 de abril, a safra 2025/26 correspondeu a 48,47 milhões de hectares, alta de 2,4% em relação à anterior, com produtividade média de 3.696 kg/ha (+2%). Com isso, a produção nacional pode alcançar 179,15 milhões de toneladas, crescimento de 4,5% e estabelece um novo recorde no país.
Quanto aos preços no mercado spot, os Indicadores CEPEA/ESALQ – Paranaguá e CEPEA/ESALQ – Paraná registraram queda de 1,4% e 0,9%, respectivamente, de março para abril e de 3,8% e de 5% na comparação anual, em termos reais (IGP-DI de março/26), para R$ 127,55/sc e R$ 121,29/sc de 60 kg, respectivamente.
No cenário internacional, a pressão se deve ao avanço acelerado na semeadura da safra 2026/27 nos Estados Unidos. O movimento de baixa, por sua vez, foi limitado pela valorização do óleo de soja e pela desvalorização do dólar, que tende a tornar as commodities norteamericanas mais atrativas aos consumidores internacionais.
Na Bolsa de Chicago, o contrato maio/26 da soja em grão registrou média de US$ 11,6767/bushel (US$ 25,74/sc de 60kg) em abril. O valor recuou 0,3% de março para abril, mas permaneceu 13,5% acima do registrado em abril de 2025.
ÓLEO DE SOJA
A valorização do óleo de soja no mercado internacional tem reconfigurado a dinâmica da cadeia, com impacto direto nas margens de esmagamento. No entanto, no Brasil, a retração dos prêmios de exportação limitou o repasse da alta do óleo aos preços domésticos.
No cenário externo, a intensificação dos conflitos no Oriente Médio e as incertezas quanto ao fluxo global de petróleo – especialmente no Estreito de Ormuz – sustentaram a valorização do complexo energético e, consequentemente, do óleo de soja.
Além disso, paralisações pontuais de caminhoneiros na Argentina mantiveram o mercado em alerta, com possíveis redirecionamentos de demanda para os Estados Unidos e o Brasil. Na CME Group (Bolsa de Chicago), o contrato Maio/26 do óleo de soja avançou 9,5% entre
março e abril, encerrando a US$ 0,7001/lp (US$ 1.543,52/t), o maior valor nominal desde novembro de 2022.
No Brasil, contudo, esse movimento não foi integralmente repassado. A pressão negativa dos prêmios de exportação limitou os ganhos domésticos: em Paranaguá (PR), os prêmios do óleo para embarque em maio/26 eram negociados entre -12,50 e -12,00 centavos de dólar por libra-peso em 1º de abril, recuando para -19,50 centavos de dólar por libra-peso no dia 30 de abril. Em período equivalente do ano anterior, os prêmios do óleo eram negociados em -4,50 centavos de dólar por libra-peso.
Fonte: Cepea





