Os valores do milho voltaram a registrar quedas intensas ao longo de abril, sobretudo na primeira quinzena do mês, quando houve o baixo interesse de compradores, que se mantiveram cautelosos nas negociações. Parte desses agentes relatava ter estoques e também estar atenta aos bons volumes dos estoques de passagem da temporada 2024/25 e à maior colheita da safra verão 2025/26.
Do lado da oferta, vendedores, atentos à demanda enfraquecida durante esse período, apresentaram maior interesse nas negociações, chegando, em alguns momentos, a reduzir os valores ofertados. Entretanto, a irregularidade das chuvas na segunda quinzena do mês, além das altas temperaturas em parte dos estados de Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Paraná, deixou produtores em alerta, limitando maiores desvalorizações.
No acumulado no mês (31 de março a 30 de abril), os preços de balcão (pago ao produtor) e de lotes (negociações entre empresas) recuaram fortes 4,5% e 4,2% no período. As médias mensais de balcão e lote recuaram 0,6% entre os meses de março e abril.
Especificamente na região consumidora de Campinas/SP, o Indicador ESALQ/BM&FBovespa desvalorizou de 4,9% entre os dias 31 de março a 30 de abril, fechando o dia 30 a R$ 66,91/saca de 60 kg. A média do Indicador, de R$ 67,95/sc de 60 kg ficou 4,2% inferior à do mês de março e ainda 17% menor que a de abril/23, em termos reais (calculado por meio do IGP-DI de março/26).
CAMPO
A irregularidade das chuvas ao longo de abril pode afetar o desenvolvimento das lavouras de segunda safra, que tiveram a semeadura finalizada em meados do mês, conforme dados da Conab. Quanto à safra verão, segundo a Conab, até o dia 1º de maio, 66,7% da área nacional havia sido colhida.
ESTIMATIVAS
Entre os dados divulgados pela Conab no dia 14 de abril, destaca-se o aumento de 0,6% na produção do milho segunda safra em relação ao mês anterior, principalmente devido às melhoras no Paraná e também no Maranhão e Ceará, totalizando 109,11 milhões de toneladas, ainda 3,6% inferior à da temporada anterior.
Quanto à safra verão e à terceira safra, as estimativas de produção neste mês foram de 27,96 milhões de toneladas (+12%) e 2,48 milhões de toneladas (-17%), respectivamente. No agregado, a produção em 2025/26 chegará a 139,57 milhões de toneladas, 1,1% inferior à da temporada anterior.
A demanda interna soma 94,64 milhões de toneladas, 4% superior à da temporada anterior, e as exportações são estimadas em 46,5 milhões de toneladas. Assim, os estoques finais em janeiro/27 são projetados em 12,81 milhões de toneladas, semelhante às 12,68 milhões de toneladas da safra 2024/25, mas acima da média das últimas cinco safras, de 8,67 milhões de toneladas.
No âmbito internacional, o USDA divulgou relatório indicando aumento nos estoques e na produção para a temporada global 2025/26. Os estoques passaram de 292,74 milhões de toneladas no relatório divulgado em março para 294,80 milhões neste mês, devido aos avanços no Brasil e na Índia. Frente à safra 2023/24, o estoque mundial deve cair apenas 0,5%.
O USDA estima a produção mundial em 1,301 bilhão de toneladas, contra 1,297 bilhão de toneladas previstas no relatório de março. Esse avanço se deve à maior produção na Índia. O consumo subiu para 1,302 bilhão de toneladas. Neste cenário, a relação estoque/consumo da temporada 2024/25 é de 23%, abaixo da média dos últimos cinco anos, de 25,6%.
INTERNACIONAL
Na CME Group (Bolsa de Chicago), os vencimentos futuros avançaram no acumulado de abril, impulsionados pela valorização do petróleo, que melhora a competitividade relativa do etanol, e pela forte demanda internacional pelo cereal dos Estados Unidos. Além disso, as tensões no Oriente Médio, que mantêm o Estreito de Ormuz bloqueado e aumentam os custos com fertilizantes, também influenciam os valores em Chicago. No entanto, a alta foi limitada pelo início da semeadura no país.
Neste contexto, o contrato Mai/26 subiu 1,5%, fechando a US$ 4,6475/bushel (US$ 182,96/t) no dia 30. Os vencimentos de Jul/26 e Set/26 avançaram 1,4% e 2%, fechando a US$ 4,7475/bushel (US$ 186,90/t) e US$ 4,7975/bushel (US$ 188,87/t).
Nos Estados Unidos, o USDA indicou que 38% da área havia sido semeada até o dia 3, mesmo percentual do ano anterior, mas acima da média dos últimos cinco anos (2021-2025), de 34%. Na Argentina, a Bolsa de Cereais de Buenos Aires apontou que a colheita chegou, até o dia 30, a 28% da área nacional. O órgão também elevou sua estimativa de produção para 61 milhões de toneladas, acima das 57 milhões de toneladas estimadas anteriormente.
Fonte: Cepea




