A eficiência de uma cultura na produção de biomassa e na conversão de fotoassimilados em produtividade está intrinsecamente ligada ao índice de área foliar (IAF), definido como a razão entre a área foliar total e a área de solo ocupada. Em termos gerais, um IAF elevado amplia a interceptação de radiação solar e, consequentemente, potencializa o teto produtivo do genótipo, desde que outros fatores bióticos e abióticos não sejam limitantes (Van Ittersum et al., 2013; Taiz et al., 2017).
O milho, por possuir metabolismo C4, apresenta alta eficiência no uso da radiação solar e fixação de CO2 (Figueredo Júnior et al., 2005). Entretanto, devido ao seu hábito de crescimento determinado, a cultura exibe baixa plasticidade para compensar reduções no IAF. Portanto, assegurar condições ambientais favoráveis é crucial para mitigar a perda de tecidos fotossinteticamente ativos.
A evolução do IAF ao longo do ciclo é influenciada pelo genótipo, por variáveis ambientais (temperatura, déficit hídrico e ventos), fatores bióticos e pela densidade de semeadura. Quanto a este último, observa-se uma relação direta entre o IAF e a densidade populacional (Figura 1), o que reforça a incapacidade da planta de milho em compensar espaços vazios na lavoura através do desenvolvimento lateral.
Figura 1. Evolução do índice de área foliar no híbrido de milho Agroceres 9025 nas densidades de 60, 80, 100 e 120 mil plantas por ha-1. Os marcadores indicam o estágio em que as coletas de dados foram realizadas. As barras indicam o desvio padrão das repetições experimentais.

No início do ciclo, o IAF evolui de forma linear e atinge seu máximo (IAFmax) próximo ao pendoamento (estágio VT), momento em que a planta atinge o número final de folhas (Müller et al., 2005). Devido à influência de diversas variáveis durante a fase vegetativa, o IAFmax exibe alta variabilidade; contudo, por meio do uso de uma função limite, torna-se possível isolar e visualizar sua influência sobre o rendimento de grãos. Na Figura 2, é apresentado o valor de IAFmax que maximiza a produtividade, definido como IAF ótimo (IAFot) (Tagliapietra et al., 2018).
Figura 2. Relação entre a produtividade de grãos e o índice de área foliar máximo (IAFmax) em milho. A linha vermelha tracejada indica o valor de IAFmáx que maximiza a produtividade de grãos (conhecido como IAF ótimo) e a linha preta sólida representa a função limite.

Referências:
FIGUEREDO JÚNIOR, L. G. M. et al. Modelo para estimativa do índice de área foliar da cultura de milho. Revista Brasileira de Milho e Sorgo, Sete Lagoas, MG, v. 4, n. 1, 2005. Disponível em: < https://www.esalq.usp.br/lepse/imgs/conteudo_thumb/Modelo-para-estimativa-de–rea-foliar-da-cultura-de-milho-.pdf > , acesso: 20/04/2026
MÜLLER, A. G. et al. Estimativa do índice de área foliar do milho a partir da soma de graus-dia. Revista Brasileira de Agrometeorologia, v. 13, n. 1, p. 65-71, 2005. Disponível em: < https://www.researchgate.net/publication/269037326_Estimativa_do_indice_de_area_foliar_do_milho_a_partir_da_soma_de_graus-dia_ESTIMATING_THE_LEAF_AREA_INDEX_OF_MAIZE_CROPS_THROUGH_THE_SUM_OF_DEGREE-DAYS >, acesso: 20/04/2026
PILECCO, I. B. et. al. Ecofisiologia do milho visando altas produtividades. Santa Maria, ed. 2, 2024.
TAGLIAPIETRA, E. L. et al. Optimum Leaf Area Index to Reach Soybean Yield Potential in Subtropical Environment. Agronomy Journal, v. 110, n. 3, p. 932–938, 2018. Disponível em: < https://acsess.onlinelibrary.wiley.com/doi/full/10.2134/agronj2017.09.0523 > , acesso: 24/04/2026
TAIZ, L. et al. Fisiologia e Desenvolvimento Vegetal. 6. ed. Porto Alegre: Artmed, 2017. 888 p.
VAN ITTERSUM, M. K. et al. Yield gap analysis with local to global relevance: a review. Field Crops Research, v. 143, n. 1, p. 4-17, 2013. Disponível em: < https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S037842901200295X >, acesso: 19/04/2026




