O trigo é uma cultura que apresenta significativa resposta a adubação nitrogenada e elevada demanda do nutriente, sendo que são extraídos em média 27,95 kg de nitrogênio por tonelada de grãos produzidos e exportados cerca de 20,1 kg.ha-1 de nitrogênio (Martins, 2019).

Tabela 1. Extração e exportação de nutrientes do trigo obtidas por diferentes autores.

Fonte: Martins (2019)

Sendo assim, o a adubação nitrogenada representa um considerável custo de produção para a cultura do trigo. Entretanto, existem alternativas que possibilitam a obtenção de boas produtividades de trigo a um baixo custo, podendo reduzir o custo de produção da cultura. Uma dessas alternativas é a inoculação do trigo com bactérias do gênero Azospirillum.

Segundo Hungria (2011), além dessas bactérias atuarem estimulando o crescimento das raízes de diversas espécies de plantas pela liberação de fito-hormônios, essas bactérias possuem a capacidade de fixar nitrogênio atmosféricos. Entretanto, diferente da relação entre plantas de soja e bactérias fixadoras de nitrogênio do gênero Bradyrhizobium que é simbiótica, a relação entre o trigo e bactérias do gênero Azospirillum é associativa.

Essas bactérias excretam somente uma parte do nitrogênio fixado diretamente para a planta associada; posteriormente, a mineralização das bactérias pode contribuir com aportes adicionais de nitrogênio para as plantas, contudo, é importante salientar que o processo de fixação biológica por essas bactérias consegue suprir apenas parcialmente as necessidades das plantas, sendo necessário o fornecimento de nitrogênio para boas produtividades de trigo (Hungria, 2011).



Estudos realizados pela Embrapa em Londrina e Ponta Grossa com a cultura do trigo, indicam que a inoculação com Azospirillum resultou em incremento significativo médio no rendimento de grãos da ordem de 14%. Entretanto, Hungria (2011) destaca que o incremento de produtividade decorrente da inoculação em trigo pode estar relacionado a estirpe da bactéria utilizada, sendo que as estirpes Ab-V1, Ab-V5, Ab-V6 e Ab-V8 foram as mais efetivas, resultando em um incremento na produtividade de 312 a 423 kg ha–1, ou de 13% a 18% em comparação com o controle não inoculado.

Tabela 2. Efeito da inoculação1 com estirpes de Azospirillum no rendimento (kg de grãos ha-1) de trigo.

Fonte: Hungria (2011)

O incremento de produtividade do trigo decorrente da inoculação com Azospirillum também foi observada por Pinto et al. (2017); Mumbach et al. (2017) e Dartora et al. (2016). Conforme estudo realizado por Dartora et al. (2016) a simples inoculação de sementes com Azospirillum sp sem qualquer adição de N proporcionou incremento de 23,9% no rendimento de grãos de trigo, contribuindo também para a melhoria de outros componentes de produtividade (Tabela 3).

Tabela 3. Comprimento de espiga (CE), número de espigas por metro linear (NE), número de grãos por espiga (NGE), massa de 1000 grãos (M1000) e produtividade (PROD) de plantas de trigo, cultivar CD104, em função da inoculação com estirpes de A. brasilense (AbV5) e H. seropedicae (SmR1) de forma isolada e combinada. Marechal Cândido Rondon – PR, 2010 (Dartora et al., 2016).

Fonte: Dartora et al. (2016)

Tendo em vista os aspectos observados e os resultados de estudos aqui apresentados, a inoculação do trigo com bactérias do gênero Azospirillum mostra-se como uma interessante alternativa par uso na cultura do trigo, especialmente pelos benefícios á cultura e baixo custo. Além disso, a inoculação do trigo é uma prática que auxilia tanto no aumento de produtividade do trigo quanto na sustentabilidade do sistema de produção, possibilitando maior produção de raízes da cultura e com isso maior absorção de água e nutrientes do solo.

 

Referências:

DARTORA, J. et al. ADUBAÇÃO NITROGENADA ASSOCIADA À CO-INOCULAÇÃO DE Azospirillum brasilense e Herbaspirillum seropedicae NA CULTURA DO TRIGO. Revista Cultivando o Saber, v. 9, n. 2, p. 243 – 253, 2016. Disponível em: < https://www.fag.edu.br/upload/revista/cultivando_o_saber/57a3b24d4ab57.pdf >, acesso em: 16/04/2021.

HUNGRIA, M. INOCULAÇÃO COM Azospirillum brasilense: INOVAÇÃO EM RENDIMENTO A BAIXO CUSTO. Embrapa, Documentos, n. 325, 2011. Disponível em: < https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/29560/1/DOC325.2011.pdf >, acesso em: 16/04/2021.

MARTINS, G. Tabela de Extração e Exportação dos nutrientes na Cultura do TRIGO. Nutrição de Safras, 2019. Disponível em: < https://www.nutricaodesafras.com.br/tabela-de-extracao-e-exportacao-dos-nutrientes-na-cultura-do-trigo/ >, acesso em: 16/04/2021.

MUMBACH, G. L. et al. RESPOSTA DA INOCULAÇÃO COM Azospirillum brasilense NAS CULTURAS DE TRIGO E DE MILHO SAFRINHA. SA vol. 18 n°. 2, p. 97-103. Curitiba Abr/Jun. 2017. Disponível em: < https://revistas.ufpr.br/agraria/article/view/51475 >, acesso em: 16/04/2021.

PINTO, T. E. et al. PRODUTIVIDADE DE TRIGO EM DIFERENTES DOSES DE NITROGÊNIO INOCULADO OU NÃO COM  Azospirillum brasilense. 9º Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão – SIEPE, 2017. Disponível em: < https://guri.unipampa.edu.br/uploads/evt/arq_trabalhos/12479/seer_12479.pdf >, acesso em: 16/04/2021.

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