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A La Niña está de volta

A tão esperada chuva, para encher os reservatórios, aconteceu. Setembro teve precipitação acumulada próximo dos 300 milímetros em alguns municípios da Campanha, Região Central e Planície Costeira Interna (Figura 1 A). Dessa forma, boa parte do RS, incluindo a Metade Sul, ficou com precipitações acima da média (Figura 1 B).

As precipitações abundantes foram essenciais para a recuperação dos níveis dos reservatórios localizados na Metade Sul do Estado, que agora estão com 90-95% da capacidade.

Figura 1 (ver acima). Mapa da precipitação acumulada (A) e da anomalia da precipitação (B) durante setembro de 2021 no RS em relação à média climatológica (relativa ao período 1981-2010). As escalas de cores indicam, em mm, o acumulado de precipitação (A) e a anomalia de precipitação (B), cujos valores positivos (azul) indicam precipitação acima da média e valores negativos (laranja-vermelho) indicam precipitação abaixo da média. Fonte de dados: INMET

Além dos altos volumes de precipitação, na Metade Sul do RS, os eventos de chuva foram mais concentrados e ocorreram ao longo de todo o mês. Com isso, o solo esteve encharcado por mais tempo, atrasando o início da semeadura do arroz na maioria das regionais do Irga. A exceção foi a Fronteira Oeste, que teve maior janela de semeadura em relação às demais regiões. As temperaturas oscilaram bastante, dias mais quentes, com cara de verão, e dias mais frios, com cara de inverno. Estas oscilações são normais, visto que setembro já é o primeiro mês da primavera, estação de transição e, também, devido aos eventos de chuva, que favorecem essas oscilações, devido às trocas de massas de ar, quentes e frias (Figura 2).

Figura 2. Temperaturas máxima e mínima diária (°C), suas respectivas normais climatológicas (NC, linhas pontilhadas) (°C) (relativas ao período 1981-2010) e precipitação pluvial diária (mm) referente a setembro de 2021, em cinco municípios da Metade Sul do RS, que representam cinco das seis regiões arrozeiras do RS. Observação: devido à falha nos dados da estação meteorológica, a Planície Costeira Interna não foi representada na figura. Fonte de dados: INMET

Situação atual do fenômeno ENOS (El Niño-Oscilação Sul) e perspectivas

Em sua última atualização, em 14 de outubro, a NOAA-CPC (National Oceanic and Atmospheric Administration, Climate Prediction Center) divulgou que as condições oceano-atmosféricas condizentes com a La Niña se desenvolveram durante setembro e deverão continuar, com 87% de chance, entre os meses de dezembro/2021 e fevereiro/2022. Com isso, este fenômeno influenciará o regime de chuvas pela segunda safra seguida, aumentando o risco de estiagem no RS nesta primavera.

A Temperatura da Superfície do Mar na região Niño 3.4 esteve em -0,5 °C no trimestre jul-ago-set, sendo o primeiro trimestre com anomalias no patamar de La Niña. Na Figura 3 observa-se que a região do Niño 3.4, em setembro, esteve com anomalia entre normal e abaixo da normal. Já a região Niño 1+2 ficou com anomalia positiva. Quando essa região tem anomalias positivas mais intensas, ela favorece a entrada de frentes frias mais potentes e que geram maiores volumes de precipitações. Além disso, as águas no Oceano Atlântico Sul apresentaram temperatura um pouco acima da normal. Esses dois fatores somados é o que pode ter favorecido as chuvas do mês de setembro de 2021.

Figura 3. Anomalia da Temperatura da Superfície do Mar em setembro de 2021. O retângulo central na imagem mostra a região do Niño 3.4, a qual os centros internacionais utilizam para calcular o Índice Niño (índice que define eventos de El Niño e La Niña). Já o retângulo menor mostra a região Niño 1+2, que modula a qualidade, ou seja, a regularidade das chuvas no RS. Fonte: Adaptado de CPTEC/INPE

As anomalias negativas da temperatura das águas subsuperficiais na região do Oceano Pacífico Equatorial aumentaram significativamente durante setembro e, também, no início de outubro (Figura 4). Essa bolha de águas frias subsuperficiais continuará aflorando em superfície, dando sustentação à La Niña nos próximos meses.

Figura 4. Anomalia da temperatura subsuperficial das águas na região Equatorial do Oceano Pacífico (°C) em relação à profundidade (de 0 a 300 m), entre os meses de julho e outubro de 2021. Pêntadas significam média de cinco dias consecutivos. Fonte: Adaptado de CPC/NCEP/NOAA

Resumindo, o sistema acoplado é condizente com o da La Niña e assim deverá permanecer nos próximos meses. Com isso, deverá ser observada redução no volume e na frequência das precipitações nos meses de novembro e dezembro, principalmente.

Relembrando que o efeito do ENOS (El Niño-Oscilação Sul) ocorre durante a primavera. Durante o verão, outros fatores interferem nas chuvas e, no caso do RS, a temperatura da água do Oceano Atlântico Sul tem bastante influência.

Previsão de precipitação no trimestre novembro, dezembro de 2021 e janeiro de 2022 no RS

O IRI (International Research Institute for Climate Society) prevê até 50% de chance das precipitações ficarem abaixo da média no trimestre nov-dez-jan na Metade Sul do RS. O modelo CFSv2 (Climate Forecast System, da NOAA-CPC) prevê precipitação abaixo da Normal Climatológica em novembro e dezembro de 2021 e entre normal e abaixo da Normal em janeiro de 2022.

O INMET (Instituto Nacional de Meteorologia) também prevê que as precipitações fiquem abaixo da Normal em novembro e dezembro, com volumes totais abaixo dos 100mm na Zona Sul e em parte da Campanha e Planícies Costeira Interna e Externa. Para janeiro, a previsão é de que as precipitações fiquem dentro da Normal em quase todo o Estado, com algumas regiões podendo ter chuvas acima da média. A Região Central, por exemplo, conforme essa previsão, poderá ter volumes acima dos 160mm (Figura 5).

Figura 5. Precipitação total prevista e anomalia de precipitação prevista para novembro e dezembro de 2021 e janeiro de 2022 no RS. Fonte: adaptado de INMET

Com a previsão de maiores períodos de tempo mais seco até o final de outubro, a semeadura do arroz no Estado deverá avançar sem maiores problemas. Outro fator que deixou de ser preocupação relaciona-se aos níveis dos reservatórios, agora praticamente cheios. No entanto, é necessário que as chuvas ocorram com certa regularidade para manter o nível dos rios e arroios, que são mais variáveis, conforme as chuvas.

Recomendações: focar na semeadura do arroz, para garantir a semeadura durante o período recomendado, permitindo que as cultivares expressem seu potencial produtivo. Realizar também a semeadura da soja para garantir que haja umidade no solo suficiente para o processo de germinação e emergência de sementes, visto que em novembro o volume de precipitações deverá diminuir. É importante atualizar-se quanto à previsão do tempo, para melhor se programar para as atividades diárias.

Fonte: IRGA

Vitene

Equipe Mais Soja
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