No momento de estresse hídrico, as plantas buscam estratégias de sobrevivência pela falta de umidade, pois o sistema radicular não consegue absorver água e nutrientes e fazer as trocas gasosas necessárias, o objetivo da planta então, é perder menos água na parte aérea, perder menos água nas folhas. Dentre as estratégias adotadas estão a produção de estruturas que impedem/minimizam a saída de água nas folhas.Mas quais seriam essas estratégias? O incremento na deposição de cutículas na superfície e o aumento no número de pelos nas folhas.

Na condição de estresse hídrico, a planta não pode perder água, portanto, começa a depositar mais pectatos de Cálcio, mais cutícula, mais placas de cera, e começa aumentar a quantidade de pelos radiculares. Assim, evitam que a água de dentro do seu conteúdo celular saia facilmente, pois essa estrutura cerosa é apolar e a água é polar, dificultando a passagem da água através desses pontos.

A cultura da soja é conhecida por ser muito sensível ao estresse hídrico (VAN HEERDEN; KRÜGER, 2000). A sua sensibilidade é percebida no período de crescimento e desenvolvimento, percebendo a perda de folhas e menor número de vagens por planta (VAN HEERDEN; KRÜGER, 2000).

E porque as doenças não avançam na soja?

O esporo da ferrugem tenta depositar-se sobre a superfície foliar, porém essa superfície terá muitos pelos, dificultando o contato do patógeno com o hospedeiro. A cutícula muito grossa impede que o apressório faça o seu processo de infecção. Então, no período de estresse hídrico os patógenos além de terem dificuldade de disseminação e germinação, também terão dificuldades de fazer a relação patógeno/hospedeiro aumentar e começar a fazer o processo de infecção.

Os pelos ou tricomas, possuem a missão de proteger as plantas contra o estresse hídrico (GATES, 1980; SCHUEPP, 1993) e o superaquecimento, diminuindo a incidência dos raios solares através do sombreamento (EHLERINGER, 1976) e, também, aumentam a camada de ar estagnada na superfície foliar, onde acabam reduzindo a quantidade de água perdida por evapotranspiração (GATES, 1980; SCHUEPP, 1993). Estes fenômenos são demonstrados no gráfico e figura abaixo:

Stefanello, M. (2014)

Figura 1. Densidade de estômatos e tricomas em folhas de plantas sem déficit hídrico e com déficit hídrico. Itaara – RS, 2013. Gráfico elaborado pelo pesquisador Marlon Stefanello em sua dissertação de mestrado. Quer conferir o material completo? Clique aqui para acessar.

Stefanello, M. (2014)

Figura 2. Tricomas de folhas em plantas sem déficit hídrico (1A), tricomas de folhas em plantas sob déficit hídrico (1B). Foto do pesquisador Marlon Stefanello, de seu trabalho de mestrado. Quer conferir o material completo? Clique aqui para acessar. Itaara – RS, 2013.

Portanto, a planta ao se defender do estresse hídrico ela acaba “criando” ferramentas de defesa estruturais que impedem que o patógeno penetre.

Em vídeo divulgado no canal no Youtube pelo pesquisador Marcelo Gripa Madalosso, é abordado a questão sobre a incidência das doenças na cultura da soja no cenário que se encontra a safra 19/20.

Veja o vídeo abaixo:

Inscreva-se no canal do pesquisador Marcelo Gripa Madalosso clicando aqui.

Referências

STEFANELLO, et al,. COMPORTAMENTO DE FUNGICIDAS EM PLANTAS DE SOJA SUBMETIDAS A DIFERENTES REGIMES HÍDRICOS E HORÁRIOS DE APLICAÇÃO. Santa Maria – RS, 2014.

Elaboração: Engenheiro Agrônomo Matheus Colaço Machado – Equipe Mais Soja.

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