O mercado conta com um grande número de soluções e produtos para garantir a qualidade de aplicação, redução de perdas e o aumento da eficiência dos manejos fitossanitários. Kissmann (1998) define que qualquer substância ou composto sem propriedades fitossanitárias, exceto a água, que é acrescido numa preparação da calda de agrotóxico, para facilitar a aplicação, aumentar a eficácia ou diminuir riscos, é classificada como um adjuvante.

As pesquisas afirmam que os adjuvantes podem influenciar vários fatores nas aplicações dos defensivos. Os principais pontos estão relacionados a alteração das propriedades da solução, aumento de eficácia biológica, exercendo também ganhos no desempenho da operação. Aspectos como diminuição de deriva, maior molhamento, melhor espalhamento sobre as folhas, maior eficiência e velocidade de absorção do ingrediente ativo sobre o alvo (cultura, plantas daninhas e insetos) são benefícios que podem ser obtidos pelo uso dos adjuvantes (CUNHA et al., 2013; XU et al., 2010).

Deve-se ter em conta que há um grande número de barreiras que envolvem as aplicações de defensivos agrícolas. No que se refere a planta, temos as superfícies foliares com ceras difíceis de serem molhadas e que evitam a entrada de líquidos na planta. Essas ceras são empecilhos primários contra a deposição, retenção, disseminação e penetração de gotículas de agroquímicos. Os adjuvantes podem superar esses impeditivos e aumentar a deposição, propagação, absorção, e penetração de produtos na planta (GASKIN et al., 2000; HESS e FOY, 2000; KUDSK e MATHIASSEN, 2007; PENNER, 2000; RAMSEY et al., 2005, 2009).

Já no que se refere às barreiras climáticas, vários fatores podem atuar negativamente sobre as aplicações. A deriva, ou seja, o desvio da trajetória que impede que as gotas produzidas atinjam o alvo, está relacionado, principalmente, ao tamanho de gotas e à velocidade do vento (Silva, 1999). As condições ambientais exercem grande influência no resultado da operação, sendo assim, necessário conhecer o espectro das gotas pulverizadas adequando não só o seu diâmetro, mas também, buscando outras ferramentas. Uma alternativa são os adjuvantes como os óleos para obter maior penetração na folha, umectantes para reduzir a evaporação e bicos anti deriva para a construção de gotas mais adequadas.

O portfólio de adjuvantes disponíveis no mercado é vasto e compreende, principalmente: Óleo Minerais e/ou Vegetais, Silicones, Surfactantes, Emulsificantes, Nitrogênio, Fósforo, Resinas Orgânicas, EDTA, Óleos Essenciais, entre outros. A partir disso, torna-se imprescindível classificá-los de acordo com seus benefícios. Vários autores definem os adjuvantes em utilitários e ativadores (VAN VALKENBURG, 1982; STICKER, 1992; HAZEN, 2000; McMULLAN, 2000; STOCK; BRIGGS 2000; TU; RANDALL, 2003).



Adjuvantes utilitários ou úteis

Podem modificar as características físicas da solução de pulverização (HAZEN, 2000), melhorar a qualidade da calda, a viscosidade e a tensão superficial das gostas. Seus principais efeitos são:

  • redução da formação de espuma;
  • quelatizante para sequestro de cátions;
  • redutor de deriva;
  • dispersante (homogeniza a calda e reduz entupimento do sistema);
  • acidificante e tamponante de pH, entre outros.

Adjuvantes ativadores ou potencializadores

Melhoram a eficácia biológica e química dos produtos aplicados, a qualidade da aplicação, tamanho e o espalhamento de gotas e podem promover certa resistência a chuva (HAZEN, 2000). Os principais produtos e seus efeitos são: surfactantes, que garantem o espalhamento da gota sobre as folhas; emulsificantes, fertilizantes nitrogenados e óleos que aumentam a velocidade de absorção dos produtos usados; umectantes, que diminuem a evaporação; e os adesivos, que evitam escorrimento e garantem melhor fixação sobre as folhas. Hazen também acrescenta que os adjuvantes ativadores modificam a deposição da pulverização na folhagem da planta e aumentam o movimento na superfície das folhas para áreas de maior absorção.


Confira o vídeo do professor Adriano Arrué, sobre a importância dos adjuvantes nas pulverizações.


De acordo com o professor deve-se ter em conta três fatores na escolha dos adjuvantes. São eles:

  1. Planta (espécie, estágio fenológico e local);
  2. Aplicação (modalidade, momento e condição ambiental);
  3. Alvo biológico (planta daninha, inseto e doença).

A necessidade do adjuvante estará diretamente relacionada ao defensivo usado e os objetivos da aplicação. Em um estudo Xu et al., (2010) realizaram testes com com Óleo Vegetal Concentrado (OVC), Óleo de Semente Metilada (OSM), Surfactante Não Iônico (SNI), e uma Mistura de Surfactante e Óleo (MSO). A adição de adjuvantes à solução de pulverização reduziu significativamente o ângulo de contato das gotas, gerando maior espalhamento e aumento da área molhada.

Xu e seus colaboradores observaram que os ganhos na qualidade da aplicação variaram com a espécie vegetal e a classe adjuvante usados. Em geral, o OSM e o SNI aprimoraram a gota, espalhando e mantendo o tempo de evaporação das gotículas nas superfícies das folhas. Após a evaporação, os resíduos químicos formaram acúmulos no formato de anéis. Já as gotas com adjuvantes a base de óleo apresentaram distribuição residual com deposição mais uniforme.



Os resultados do estudo de Xu et al., (2010), demonstram que a seleção da classe apropriada dos adjuvantes tem grande influência sobre o molhamento das folhas e a formação de depósitos, fatores que tem ligação direta com uma maior eficácia dos produtos aplicados. A tendência da redução dos volumes de aplicação, tanto em veículos terrestres como em aéreos é crescente, e apresenta grande dependência dos adjuvantes. Veja mais sobre esse assunto no texto “Adjuvantes agrícolas viabilizam a redução do volume de aplicação em soja.

Yu et al. (2009a, 2009b) investigaram o tempo de evaporação e a área de cobertura de gotículas. Eles descobriram que a dinâmica de evaporação e deposição são muito influenciadas pelo tamanho de gota e umidade relativa.  Em um ambiente com 30% a 90% de umidade relativa a adição de surfactantes pode aumentar a área de cobertura de gotículas de 4,5 para 10,1 vezes nas folhas com mais pelos, e 3,4 para 4,1 vezes nas folhas cerosas. Também observaram que o tempo para a evaporação das gotas foi maior.

De acordo com Xu et al., (2010) os surfactantes apresentam as seguintes classes: não iônicos, aniônicos, catiônicos, organosilicones e silicones. Eles diminuem a tensão superficial das gotas nas superfícies foliares, garantindo uma maior cobertura das gotículas e absorção foliar (HESS e FOY, 2000; LIU, 2004; WANG e LIU, 2007; RYCKAERT et al., 2007). A concentração do surfactante é importante e influencia na eficácia da aplicação dos agroquímicos. Concentrações crescentes de surfactante 0,01% a 1% promovem melhor absorção foliar dos produtos, entretanto, para alguns surfactantes, a maior concentração pode produzir um efeito negativo sobre a absorção dos químicos (WANG e LIU, 2007).

Uma estratégia que pode ser usada, de acordo com Penner (2000) é a de adicionar os adjuvantes indicados nos rótulos dos produtos, como por exemplo, ‘usar tensoativos não-iônicos a 0,25%’ ou ‘usar 0,5% de óleo de semente metilada’. O mesmo autor afirma que o ideal é buscar a combinação do adjuvante com os produtos químicos usados, espécie cultivada, plantas daninhas a serem controladas e as condições ambientais no momento da aplicação.



Nos inseticidas biológicos também foram observados resultados positivos quando realizada a adição de adjuvantes no preparo de calda. Saiba mais sobre o assunto no artigo: Influência de adjuvantes nas propriedades físico-químicas da calda de inseticida biológico.

As especificações de cada produto criam a oportunidade para os adjuvantes falharem ou terem sucesso, dependendo dos demais químicos presentes na calda. O uso de um adjuvante inadequado pode ser pior do que não usar nenhum. Por exemplo, o uso de redutores de espuma juntamente às pontas com indução de ar, pode interferir negativamente na formação das gotas. Esse tipo de adjuvante é responsável por reduzir a agregação do ar com a água, diminuindo o tamanho das gotas produzidas pelas pontas com indução, levando ao aumento da deriva.

Tudo isso dá origem à uma pergunta pertinente: “Qual adjuvante deve ser usado na calda?” Para realizar as adições e combinações dos adjuvantes da melhor maneira possível, é sempre importante observar a incompatibilidade ou possível alteração no comportamento químico e biológico do produto, também se atentar as especificações no rótulo e sempre considerar os resultados de estudos sobre o assunto.

Portanto, inúmeros são os fatores a se ter em conta para uma aplicação adequada de defensivos agrícolas. Assim, tendo em vista o alto investimento desse tipo de operação o mínimo que se deve ter em conta ao realiza-la é o tamanho de gotas que se busca, as características da superfície do alvo (ceroso ou não ceroso, com ou sem pêlos), umidade relativa, temperatura, vento e a composição química da mistura de tanque (água, pesticida, aditivos).

Redação: Eng. Agrônomo Diego André Rizzatto

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