As cotações do trigo em Chicago recuaram mais um pouco nesta semana, com o primeiro mês chegando a bater em US$ 4,60/bushel no dia 20/08. Já o fechando da quinta-feira (22) foi um pouco melhor, ficando em US$ 4,67/bushel, contra US$ 4,69 uma semana antes.

Este comportamento está ligado a alguns fatores. Em primeiro lugar, os números indicados no relatório de oferta e demanda do USDA, no dia 12/08, que foram baixistas para o trigo. Em segundo lugar, a colheita na União Europeia se aproxima do final, aumentando o volume ofertado de trigo no cenário mundial.

Em terceiro lugar, as exportações estadunidenses de trigo não estão boas no momento, atingindo a 462.200 toneladas na semana encerrada em 8 de agosto, o que significa 2% abaixo da média das quatro semanas anteriores.

Para o ano 2020/21 as mesmas chegaram a 12.300 toneladas. Em quarto lugar, consultoria francesa (Strategie Grains) aumentou suas estimativas de exportações de trigo por parte da União Europeia, já que o produto local está competitivo. Enfim, as condições das lavouras de trigo de primavera nos EUA estão com 70% entre boas a excelentes, 23% regulares e apenas 7% entre ruins a muito ruins, melhorando o cenário em relação a semana anterior.

Dito isso, no Mercosul a tonelada Fob de trigo para exportação se manteve entre US$ 230,00 e US$ 240,00 na referência, enquanto a safra nova argentina continuou em US$ 185,00.

E no Brasil o mercado continua estável, mas pressionado para altas a partir de dois fatores: estragos climáticos importantes nas regiões produtoras, especialmente no Paraná; e desvalorização do Real, com a moeda brasileira trabalhando acima de R$ 4,00 por dólar em praticamente toda a semana.



Assim, a média gaúcha no balcão fechou a semana em R$ 41,52/saco, enquanto os lotes se mantiveram, na referência, em R$ 46,80. No Paraná, preços nominais no balcão mantidos entre R$ 46,50 e R$ 47,50, enquanto em Santa Catarina estiveram entre R$ 41,00 e R$ 42,00/saco. Já nos lotes, o Paraná se manteve com valores entre R$ 54,00 e R$ 55,00, enquanto a região catarinense de Campos Novos registra R$ 50,40/saco.

Por enquanto, os moinhos não pressionam para a aquisição de trigo, estando abastecidos, e segurando as importações devido ao câmbio. Além disso, a colheita se iniciou no Paraná, havendo cerca de 7% da área já colhida em meados da corrente semana.

No entanto, a preocupação com o encarecimento das importações devido a desvalorização recente do Real é cada dia mais nítido no mercado. Todavia, o que mais preocupa é o fato de que as quebras devido as geadas começam a aparecer nas estatísticas. E o resultado, como se previa, não é bom. Se, por um lado, no Rio Grande do Sul ainda é cedo para uma avaliação mais consistente, por outro lado, no Paraná, o Deral indica que as condições das lavouras continuam piorando.

Até meados da corrente semana, 9% das mesmas estavam entre ruins a muito ruins, enquanto 37% se mostravam regulares, deixando o quadro de boas a excelentes em 54% apenas, contra 60% na semana anterior e 55% no ano passado na mesma época. Ou seja, o percentual de lavouras boas a excelentes já é menor do que o registrado na péssima safra do ano passado, embora o quadro de regulares e ruins ainda esteja melhor.

Até meados de setembro o contexto de perdas ficará mais claro, com o avanço da colheita paranaense e uma avaliação melhor da realidade gaúcha. Por enquanto, o quadro indica menor volume de produção e de qualidade do produto em relação ao que se previa, deixando em aberto um viés de alta para o trigo de qualidade superior. Especialmente se o câmbio continuar nestes níveis e a crise na Argentina persistir.


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CEEMA

Fonte: Informativo CEEMA UNJUÍ, do prof. Dr. Argemiro Luís Brum (1) e de Jaciele Moreira (2).

1 – Professor do DACEC/UNIJUI, doutor em economia internacional pela EHESS de Paris França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA.
2-  Analista do Laboratório de Economia da UNIJUI, bacharel em economia pela UNIJUÍ, Tecnóloga em Processos Gerenciais – UNIJUÍ e aluna do MBA – Finanças e Mercados de Capitais – UNIJUÍ e ADM – Administração UNIJUÍ.

Texto originalmente publicado em:
CEEMA
Autor: CEEMA - Unijui

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