O mercado de arroz em casca no Rio Grande do Sul foi marcado, ao longo de julho, pela combinação entre oferta restrita e demanda aquecida, cenário que levou a média mensal do Indicador CEPEA/IRGA-RS ao maior patamar desde agosto de 2025. A necessidade de aquisição de matéria-prima levou parte das indústrias a reajustar sucessivamente as ofertas de compra durante o mês, mas a comercialização permaneceu limitada pela postura
retraída dos produtores, que seguiram apostando em novas valorizações durante a entressafra.

A demanda de outros estados e o fortalecimento das exportações também contribuíram para intensificar a concorrência pelo cereal, sustentando a recuperação das cotações. Na última semana do mês, o anúncio do Governo Federal sobre futuras aquisições públicas de arroz e milho reforçou ainda mais a expectativa de alta entre os vendedores, apesar de ainda não terem sido divulgados o cronograma e as regras para operacionalização das compras.

No início de julho, as exportações brasileiras encerraram o primeiro semestre de 2026 com o maior volume da série histórica da Secex para o período, tornando o mercado externo mais atrativo que o doméstico e reduzindo o interesse dos produtores em ampliar as vendas no mercado spot. Ao longo do mês, a menor disponibilidade de arroz, a necessidade de recomposição dos estoques pelas indústrias e a demanda internacional mantiveram o viés altista do mercado. Em diversas regiões, compradores reajustaram as indicações de compra mais de uma vez na mesma semana, enquanto os vendedores permaneceram seletivos, aguardando preços considerados mais remuneradores.

A partir da segunda quinzena de julho, as chuvas persistentes no Rio Grande do Sul dificultaram o carregamento do cereal e reduziram a liquidez, mas não impediram novos avanços nas cotações, que passaram a ocorrer de forma mais disseminada entre as microrregiões acompanhadas pelo Cepea.

Além disso, a atualização do preço mínimo da Política de Garantia de Preços Mínimos (PGPM) também reforçou as expectativas dos agentes quanto às políticas de sustentação da renda do produtor.

Para o arroz longo fino em casca (58% de grãos inteiros e 10% de quebrados, Tipo 1), o valor para a Região Sul (exceto Paraná) foi reajustado em 6,8%, passando de R$ 63,74 para R$ 68,07 por saca de 50 kg. Embora os novos valores tenham vigência apenas entre fevereiro de 2027 e janeiro de 2028, a atualização contribuiu para fortalecer as expectativas do mercado.

Preços regionais – No acumulado do mês, a média do Indicador CEPEA/IRGA-RS (58% de grãos inteiros, pagamento à vista) foi de R$ 64,20/saca de 50 kg, 7,92% acima da registrada em junho e a maior desde agosto de 2025. No encerramento do mês, em 31 de julho, o Indicador atingiu R$ 68,63/sc, maior valor nominal desde agosto do ano passado.

Dentre as microrregiões que compõem o Indicador, as regiões da Planície Costeira Externa e da Planície Costeira Interna apresentaram aumentos de 9,33% e 9,08% no comparativo mensal, com médias de R$ 64,95/sc e R$ 66,49/sc em jul/26. Na Zona Sul e na Depressão Central, as altas foram de 8,44% e 8,2%, para R$ 66,33/sc e R$ 59,76/sc, respectivamente. Nas regiões da Campanha e Fronteira Oeste, houve elevações de 7,4% e 6,52%, com respectivas médias de R$ 62,59/sc e 64,18/sc.

Para as demais faixas de rendimento acompanhadas pelo Cepea, o preço médio do produto com 50% a 57% de grãos inteiros no Rio Grande do Sul subiu 8,97% entre jun/26 e jul/26, a R$ 62,28/sc de 50 kg. Os grãos com 59% a 62% de inteiros se valorizaram 8,5% no período, com a média passando para R$ 65,00/sc. Já para o produto de 63% a 65% de grãos inteiros, o preço avançou 8,46% em igual comparativo, a R$ 65,92/sc.

Varejo – Dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15), divulgados pelo IBGE em 28 de julho, apontam estabilidade de 0,06% no conjunto de produtos e serviços consumidos pelas famílias brasileiras. Para o arroz, especificamente, houve queda de 0,81% na coleta realizada entre 17 de junho e 15 de julho. No acumulado dos últimos 12 meses, o recuo chega a 15,06% na média nacional.

Fonte: Cepea


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FONTE

Autor:Cepea

Site: Agromensais Cepea

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