Os relatos da ocorrência de ferrugem-asiática (Phakopsora pachyrhizi) em lavouras comerciais vem aumentando na safra 2025/2026. Em apenas seis dias (de 2 de Janeiro a 8 de Janeiro), os casos relatados passaram de 91 para 128, uma aumento de aproximadamente 40% (Consórcio Antiferrugem, 2026).
Dentre os estados mais afetados pela doença, destacam-se o Paraná com 77 casos, o Mato Grosso do Sul com 39 casos e o Rio Grande do Sul, com 5 casos até o momento (figura 1). Esse aumento significativos dos casos apresenta relação principalmente com as condições climáticas e ambientais favoráveis ao desenvolvimento da ferrugem, associadas a presenta de inóculo do fungo em áreas próximas.
Figura 1. Distribuição dos casos de ferrugem-asiática na safra 2025/2026 quanto ao estado de ocorrência. Atualização de 8 de Janeiro de 2026.

Além dos casos já registrados em lavouras comerciais, o mapa de dispersão da ferrugem-asiática demonstra a presença de esporos do fungo Phakopsora pachyrhizi em grande parte do Paraná, o que pode resultar nem um aumento expressivo dos casos de ocorrência da doença, caso condições de umidade e temperatura favoreçam a infecção pelo fungo.
Figura 2. Mapa de dispersão dos casos de ferrugem-asiática na safra 2025/2026 no Brasil. Atualização de 8 de Janeiro de 2026.

Condições favoráveis ao desenvolvimento da ferrugem
Mesmo na presença de esporos da ferrugem, para que ocorra a infecção na planta é necessária a presença de água livre na superfície da folha. São necessários no mínimo 6 horas de molhamento foliar, com o máximo de infecção ocorre com 10 a 12 horas de água livre na folha. O molhamento foliar pode ser proveniente de orvalho ou de chuvas. Temperaturas entre 18 ° C e 26,5 ° C também favorecem o desenvolvimento da ferrugem (Soares et al., 2023).
Figura 3. Molhamento foliar, água livre em folhas de soja.
Para o controle químico da ferrugem-asiática, a prevenção é fundamental. A aplicação de fungicidas deve ocorrer antes do surgimento da doença ou logo nos primeiros sintomas. Para maximizar a eficácia, recomenda-se o uso de fungicidas de alta performance em associação com produtos multissítios. Além disso, é crucial rotacionar os modos de ação dos fungicidas ao longo do programa fitossanitário. Essa prática reduz a pressão de seleção de biótipos resistentes do fungo, sendo uma estratégia essencial para o manejo da resistência.
Veja mais: Eficiência de fungicidas no controle da ferrugem-asiática
Alerta: Danos
Considerada uma das doenças mais agressivas da soja, dependendo da suscetibilidade da cultivar e severidade da doença, as perdas de produtividade em função da ocorrência da ferrugem podem chegar a 90% (Godoy et al., 2025).
Ao determinar o modelo de ponto crítico para estimar danos causados pela ferrugem-asiática em soja, Danelli; Reis; Boaretto (2015) observaram que para cada 1% de incidência foliolar, para a densidade de lesões variaram de 13,34 a 127,4 kg/ha/1 lesão/cm² e para densidade urédias variaram de 5,53 a 110,0 kg/ha/1 uredia/cm², tem-se a redução da produtividade de 3,41 a 9,02 kg/ha.
Figura 4. Escala diagramática para avaliação da severidade da ferrugem da soja.

Vale destacar que a redução da produtividade causada pela ferrugem pode estar ligada a fatores como cultivar, ambiente e severidade da doença. Sobretudo, considerando a agressividade da doença, medidas preventivas devem ser adotadas para o controle da ferrugem, especialmente em áreas vizinhas aos casos relatados e/ou com presença de esporos do fungo.
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Referências:
CONSÓRCIO ANTIFERRUGEM. MAPA DA DISPERSÃO. Consórcio Antiferrugem: Parceria público-privada no combate à ferrugem asiática da soja, 2025. Disponível em: < http://www.consorcioantiferrugem.net/#/main >, acesso em: 08/01/2026.
DANELLI, A. L. D.; REIS, E. M.; BORETTO, C. CRITICAL-POINT MODEL TO ESTIMATE YIELD LOSS CAUSED BY ASIAN SOYBEAN RUST. Summa Phytopathol., Botucatu, v. 41, n. 4, p. 262-269, 2015. Disponível em: < https://www.scielo.br/pdf/sp/v41n4/0100-5405-sp-41-4-0262.pdf >, acesso em: 08/01/2026.
GODOY, C. V. et al. EFICIÊNCIA DE FUNGICIDAS PARA O CONTROLE DA FERRUGEM-ASIÁTICA DA SOJA, Phakopsora pachyrhizi, NA SAFRA 2024/2025: RESULTADOS SUMARIZADOS DOS ENSAIOS COOPERATIVOS. Embrapa Soja, Circular Técnica, n. 2019, 2025. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/handle/doc/1177349 >, acesso em: 08/01/2026.
GODOY, C. V.; KOGA, L. J.; CANTERI, M. G. DIAGRAMMATIC SCALE FOR ASSESSMENT OF SOYBEAN RUST SEVERITY. Fitopatologia Brasileira, p. 63-68, 2006. Disponível em: < https://www.scielo.br/j/fb/a/7zsWfRPH6xXNGHjsS4ZSNwN/?format=pdf&lang=en >, acesso em: 08/01/2026.
SOARES, R. M. et al. MANUAL DE IDENTIFICAÇÃO DE DOENÇAS DE SOJA. Embrapa Soja, Documentos, n. 256, 2023. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/handle/doc/1158639 >, acesso em: 08/01/2026.






