O objetivo deste trabalho foi avaliar o efeito da aplicação da fonte compactada contendo KCl com Polihalita, em comparação ao KCl como fonte de potássio, e também comparar seu efeito com o de outras fontes de enxofre normalmente utilizadas na adubação de soja.

Autores: VALE, F.1; ROSA, R.P.2; PITTELKOW, F.K.2; SERIO, D.R.3

Trabalho publicado nos Anais do evento e divulgado com a autorização dos autores.

Introdução

O plantio de soja em diversas regiões do Brasil tem sido realizado em áreas com teores médios a baixo de enxofre (S), com potencial de resposta à adição desse nutriente. Também o manejo de fontes de potássio (K) com utilização de fertilizantes com menor risco de salinização e com menor velocidade de lixiviação do nutriente no perfil do solo pode ser vantajoso. Outra constatação encontrada em diversas regiões é relacionada com baixos teores de bases, cálcio (Ca) e magnésio (Mg) no perfil, em função das correções de solo através do uso de calcário aplicado superficialmente, aonde o Ca e Mg aplicados apresentam baixa mobilidade para camadas abaixo da superfície, restringindo o aprofundamento das raízes, deixando as plantas mais susceptíveis aos veranicos. Nos últimos anos uma nova fonte de potássio foi introduzida no Brasil, denominada de sulfato de potássio, cálcio e magnésio, oriunda do mineral natural denominado Polihalita. Esse fertilizante contém 14% de K2O; 12% de Ca; 3,6% de Mg e 19% de S, e é comercializado no Brasil com a marca comercial Polysulphate. Por apresentar teores reduzidos de sódio e cloro, esse fertilizante possui menor índice de salinidade quando comparado ao KCl, além de apresentar solubilidade gradual dos nutrientes.

Alguns trabalhos demonstraram o efeito da aplicação da Polihalita para diversas culturas, incluindo a soja (Vale, 2016; Bernardi et al., 2018; Pittelkow et al., 2018). Uma nova tecnologia para utilização da Polihalita foi introduzida recentemente para os produtores de soja, com a produção do fertilizante compactado contendo uma mistura de KCl com Polihalita no mesmo grânulo, e com isso permitindo aplicações do S em conjunto com o K, incluindo doses de Ca e Mg, além de se evitar a segregação dos nutrientes, mesmo nas adubações realizadas à lanço em pré-plantio. Esse novo fertilizante já é comercializado com a marca PotashpluS. O objetivo deste trabalho foi avaliar o efeito da aplicação da fonte compactada contendo KCl com Polihalita, em comparação ao KCl como fonte de potássio, e também comparar seu efeito com o de outras fontes de enxofre normalmente utilizadas na adubação de soja.

Material e Métodos

O experimento foi conduzido na safra 2018/2019, na Estação Experimental da Fundação Rio Verde, Lucas do Rio Verde, MT. O solo foi identificado como Latossolo Vermelho – Amarelo distrófico, argiloso, contendo 460 g kg-1 de argila, 75 g kg-1 de silte e 465 g kg-1 de areia,  e que apresentava os seguintes atributos químicos na camada de 0 a 20 cm, antes da implantação do experimento: 21,4 g dm-3 de matéria orgânica; 5,1 de pH H2O; 13,5 mg dm-3 de P Mehlich; 0,09 cmolc dm-3 de K Mehlich; 1,8 cmolc dm-3 de Ca KCl; 0,3 cmolc dm-3 de Mg KCl; 6,9 cmolc dm-3 de CTC, 11 cmolc dm-3 de S Fosfato de cálcio; 0,24 cmolc dm-3 de B água quente; 1,0 cmolc dm-3 de Cu Mehlich; 4,0 cmolc dm-3 de Mn Mehlich; 1,8 cmolc dm-3 de Zn Mehlich; e 48% de V%. O delineamento experimental foi de blocos inteiramente casualizados, com seis tratamentos distribuídos em quatro blocos.

As doses de N, P2O5 e K2O aplicadas foram, respectivamente, de 17, 80 e 80 kg ha-1, enquanto que a de S foi de 20 kg ha-1, ajustadas em função das misturas entre as fontes de nutrientes avaliadas. Como fontes de potássio foram utilizados o KCl (60% de K2O) e a fonte PotashpluS (37% de K2O; 5.7% de Ca; 1.8% de Mg e 9.2% de S); as fontes de enxofre utilizadas foram o superfosfato simples (18% de P2O5, 16% de Ca, 8% de S), S elementar pastilhado com bentonita (90% de S), um fertilizante comercial contendo fósforo e enxofre, este último presente parte na parte sulfato e parte como S-elementar (8% de N, 40% de P2O5, 3.2 de Ca, 9.3% de S – do total de S, 3.5% na forma sulfato e 5.8% na forma elementar), além do fertilizante PotashpluS. O MAP (11% de N e 52% de P2O5) foi a fonte padrão de P em todos tratamentos, exceto no tratamento 3 aonde a dose do nutriente foi ajustada na mistura com superfosfato simples, e no tratamento 6, que recebeu todo fósforo em conjunto com a fonte de enxofre testada.

Os tratamentos utilizados foram:

  1. 154 kg ha-1 MAP, sem aplicação de K2O e S
  2. 154 kg ha-1 MAP + 134 kg ha-1 de KCl
  3. 64 kg ha-1 MAP + 245 kg ha-1 de superfosfato simples + 134 kg ha-1 de KCl
  4. 154 kg ha-1 MAP + 134 kg ha-1 de KCl + 22 kg/ha de S elementar pastilhado
  5. 154 kg ha-1 MAP + 217 kg ha-1 do fertilizante PotashpluS
  6. 200 kg ha-1 da mistura 8-40-0-9.3%S + 134 kg ha-1 de KCl

Todas fontes fosfatadas (MAP, superfosfato simples, 8-40-0-9.3%S), assim como o S elementar pastilhado, foram aplicadas no sulco de plantio. O KCl e o PotashpluS foram aplicados em pré-plantio em área total. No tratamento 3 houve complementação de N com aplicação de 20 kg ha-1 de ureia. As parcelas continham 13 linhas de plantio espaçadas em 0,45 cm, totalizando 4,5 m de largura e 13,0 m de comprimento, com área 58,5 m2. A cultivar utilizada foi a M 8372 IPRO, que possui crescimento determinado. Os tratamentos foram aplicados na semeadura, realizada no dia 19/10/2018, com as sementes tratadas com Standak Top (2 mL kg-1 de sementes).

O controle de doenças, insetos-praga e plantas daninhas foi efetuado conforme as recomendações técnicas para a cultura. Foi feita a avaliação de altura de plantas, em centímetros, e da população de plantas, em plantas por hectare, antes da colheita, que foi realizada em 14/02/2019, através da retirada dos grãos das plantas em oito metros lineares em dois pontos dentro de cada parcela. Determinou-se a produtividade de grãos, em sacas por hectare, além da massa de mil grãos (MMG), em gramas. Os dados do efeito das fontes de K e S foram submetidos à análise de variância aplicando-se o teste F (P<0,05) e então realizou-se a comparação de médias pelo teste de Scott-Knott (P<0,05) através do programa estatístico Sisvar 5.6 (Ferreira, 2008).

Resultados e Discussão

Não houve efeito significativo da aplicação dos tratamentos para os parâmetros altura de plantas, população de plantas e massa de mil grãos, conforme observado na Tabela 1.

Tabela 1. Variáveis de altura de plantas na colheita, em cm, população de plantas na colheita, em plantas por hectare, e massa de mil grãos, em g, em função das fontes de potássio e enxofre aplicadas.

Porém, observou-se efeito significativo pelo teste de Scott-Knott (p<0,05) quando se avaliou o efeito das fontes em relação à produtividade de grãos de soja, em sacos por hectare. O fornecimento de S através de fontes contendo todo nutriente na forma de sulfato, superfosfato simples (SSP) e PotashpluS, mostrou-se significativamente superior do que as outras fontes de S, seja a aplicação com todo S na forma de S-elementar, seja parte do S como sulfato e parte como elementar (mistura 08-40-00+9.3%S). Isso evidencia a importância da aplicação de S na forma de sulfato, principalmente em áreas com teores de S abaixo do nível crítico de 15 mg dm-3 de S na camada 0-20 cm. Resultado semelhante foi apresentado por Pittelkow et al. (2018).

Isso decorre da rápida solubilização e disponibilização do nutriente quando na forma sulfato, enquanto que a forma elementar necessita de maior tempo para se tornar disponível para plantas (Horowitz; Meurer, 2006), e a planta pode não ter enxofre suficiente no solo para iniciar seu desenvolvimento. Não foram observadas evidências positivas no aumento da população de plantas e nem na produtividade de grãos em função da redução da salinidade do fertilizante pela substituição parcial de KCl por Polihalita, como relatado por Bernardi et al. (2018). A aplicação em pré-plantio e área total das fontes potássicas pode ter reduzido esse potencial de salinidade do KCl.

Figura 1. Produtividade de grãos de soja em função das fontes de potássio e enxofre aplicadas.


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Conclusão

Houve efeito da aplicação de enxofre para a cultura da soja, e as fontes com o nutriente na forma de sulfato mostraram maior potencial de resposta do que o fornecimento parcial ou total do nutriente na forma elementar.

O manejo da adubação da soja aplicando-se o fertilizante PotashpluS à lanço em pré-plantio, fornecendo toda a necessidade de potássio e enxofre da cultura, e com o fósforo de alta concentração, MAP, no sulco de plantio ou até em área total, apresenta-se como uma ótima ferramenta para manejo nutricional para a cultura.

Referências

BERNARDI, A.C.C.; SOUZA, G.B.; VALE, F. Polyhalite Compared to KCl and Gypsum in Alfalfa Fertilization. Electronic International Fertilizer Correspondent – e-ifc, Zug, Switzerland, International Potash Institute – IPI, v.52, p.3-40, 2018.

FERREIRA, D. F. SISVAR: Um programa para análises e ensino de estatística. Revista Symposium (Lavras), v.6, p.36-41, 2008.

HOROWITZ, N.; MEURER, E.J. Oxidação do enxofre elementar em solos tropicais. Ciência Rural, Santa Maria-RS, v.36, n.3, p.822-828, 2006.

PITTELKOW, F.K.; ROSA, R.P.; VALE, F. Polyhalite efficiency as source of sulfur for soybean and cotton in Brazil. In: WORLD CONGRESS OF SOIL SCIENCE, 21., 2018, Rio de Janeiro/RJ. Anais… Vienna: IUSS, 2018.

VALE, F. Movimentação de cálcio e magnésio no perfil do solo com uso de Polihalita na adubação potássica da soja. In: REUNIÃO BRASILEIRA DE FERTILIDADE DO SOLO E NUTRIÇÃO DE PLANTAS, 32., 2016, Goiânia/GO. Anais… Viçosa: SBCS, 2016.

Informações dos autores

1International Potash Institute – IPI, Rua Arlindo Oriani, 65, CEP 13403-864, Piracicaba-SP, fabio.vale@icl-group.com;

2Fundação Rio Verde;

3ICL Brasil.

Disponível em: Anais da 37ª Reunião de Pesquisa de Soja. Londrina – PR, Brasil.

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