Semana de ganhos no mercado da soja em Chicago. Mesmo diante da falta do desfecho positivo nas negociações entre chineses e americanos na busca por um acordo que coloque fim na guerra comercial entre os dois países, o mercado de clima e compras chinesas de carne suína americana levaram otimismo a bolsa de Chicago, proporcionando assim um resultado positivo na semana. O Brasil acompanhou este movimento, porém foi limitado pela valorização do real e pela boa oferta da oleaginosa nas regiões produtoras.

A Bolsa de Chicago registrou uma semana de ganhos nos principais vencimentos dos contratos da soja. Os contratos com vencimento em maio/2019, que passou a ser a referencia para o mercado físico no Brasil, registraram ganhos de 1,22%, em comparação com a abertura dos trabalhos no inicio da semana, encerrando a sexta-feira (15) acima da barreira psicológica dos 9 dólares o bushel. Os contratos para julho/2019, acumularam uma avanço de 1,32%, encerrando a semana cotados a US$ 9,23 por bushel.

Mais um semana o foco do mercado esteve voltado ao esperado acordo entre EUA e China, que busca colocar fim na guerra comercial travada entre os dois países. E, talvez, a noticia mais importante que tivemos nesta semana em relação a este importante tema veio do representante de Comércio dos EUA, Robert Lighthizer, que declarou que as conversas entre representantes dos os dois países estão evoluindo e se aproximam de um fim. Ainda segundo o representante do governo americano, as negociações estão nas semana finais, podendo ser fechado ou não um acordo.

Assim, podemos esperar um ultimo capitulo nos próximos dias. Enquanto isso os investidores segue em compasso de espera. Nem mesmo as tão festejadas compras chinesas de soja americana tem causado empolgação em Chicago. Na segunda-feira (11) o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) reportou que a China comprou mais 926 mil toneladas de soja dos Estados Unidos.

Porém, como relatado em boletins anteriores, estas compras chinesas já são aguardadas, uma vez que fazem parte do compromisso chines em adquirir ao menos 10 milhões de toneladas da soja americana. No entanto a realidade ainda é de que as vendas americana de soja somam, até o momento, 41.182,2 milhões de toneladas, contra mais de 49 milhões nesse mesmo período do ano passado e o resultado deste cenário é um estoque final muito elevado, acima dos 20 milhões de toneladas.

Mesmo diante da comprovação da importância do acordo comercial entre os dois países para o mercado da soja, dois fundamentos chamaram atenção esta semana e movimentaram o mercado.



O primeiro fundamento é o que chamamos de “mercado de clima”, que nada mais é do que a influencia das condições climáticas no plantio e no desenvolvimento das lavouras americanas.

Apesar de ser de forma tímida, os “players” em Chicago começam a voltar suas atenções para o clima nas regiões produtoras e passam a se preocupar com plantio da safra americana. Há relatos de que o excesso de chuvas, e até mesmo enchentes pontuais, estão impedindo o inicio do plantio em algumas regiões do sul dos EUA e tal informação estimularam algumas compras técnicas, levando a altas no mercado de grãos na metade final da semana.

O segundo fundamento que movimentou o mercado e causou um exelente movimento de alta na sexta-feira (15), foi a compra de carne suína da China nos EUA que elevou as posições futuras do suíno na bolsa de Chicago, batendo em seu limite de alta, puxando as cotações da soja. Este foi mais um sinal de que os asiáticos tem se movimentado na busca da melhoria do comercio com os americanos.

Os ganhos em Chicago chegaram aos portos brasileiros, porém a valorização do real impediu que a magnitude deste movimento de alta alcançasse as regiões produtoras. Mesmo assim, foi registradas elevação de mais de 4% na partida de exportação para Goiás, fruto também da migração da referencia na bolsa de Chicago do vencimento de março para maio. Na sexta-feira, tal valor chegou a R$ 70,45 a saca de 60 kg, alta de R$ 2,87/Sc.

Mesmo diante deste movimento, o avanço da colheita pressiona os preços nas regiões produtoras do país, impedindo movimentos de alta. Em Goiás, a grande evidência para tal fato é o recuo do valor da soja disponível na semana, que registrou recuo de 1,32%, sendo o valor médio do estado cotado a R$ 67,66/sc. Já a soja balcão, fechou a semana praticamente estável, e soja futuro, com expressivos ganhos.

Na semana que se inicia é importante manter a atenção voltada para as seguintes informações:
1. Evolução das negociações entre o Governo Americano e Chinês em relação ao impasse comercial dos dois países;
2. E o clima no EUA no inicio do plantio da safra americana;

Fonte: Boletim de Mercado da Soja de Goiás – IFAG

Texto originalmente publicado em:
IFAG
Autor: Boletim de Mercado da Soja de Goiás – IFAG

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