Foto: Fernando Iost

As principais pragas da cultura da soja nas últimas safras são espécies polífagas, ou seja, que se alimentam de mais de um hospedeiro.

Considerando-se o modelo atual de produção de grãos, baseado em sistemas de cultivo que intercalam cultivos de soja, milho e algodão, é necessário entender que a cultura da soja é quem dita a dinâmica de pragas no ano agrícola. Segundo previsão da Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB), a soja será cultivada em mais de 35 milhões de hectares na safra 2019/2020. Já as áreas de milho e algodão, mesmo somadas, não ultrapassam 20 milhões de hectares (aproximadamente 17,5 milhões de hectares para milho e, 1,6 milhões para algodão). Assim, discutir o cenário de pragas na cultura da soja é relevante também para as demais culturas do sistema.

O cenário de pressão de pragas previsto para uma cultura depende de vários fatores, como as condições climáticas, o histórico regional, a tecnologia utilizada por cada produtor e, principalmente o histórico da lavoura. No sistema de produção atual, em que os produtores, além de intercalar culturas, também mantém plantas de cobertura na entressafra, é imprescindível que a atenção seja voltada também para a cultura de cobertura. A espécie vegetal escolhida e o manejo utilizado influenciam diretamente as pragas que serão problemáticas na cultura de verão, nesse caso a soja. Para tanto, recomenda-se monitorar pragas na cultura de cobertura para embasar a tomada de decisão, sendo algumas das alternativas a aplicação de inseticidas na cultura ou mesmo a dessecação antecipada.

A importância de cada espécie varia entre as regiões produtoras. Além disso, surtos ocasionais podem ocorrer, alterando o status de importância de uma dada espécie para cada safra. Ainda, a incidência de cada uma dessas espécies depende das condições locais e de aspectos relacionados ao cultivo e manejo.

A planta de soja pode ser danificada por pragas desde seu sistema radicular, até suas vagens e grãos, passando por caule e folhas. Além disso, o ataque pode ocorrer desde a fase de plântula até o fim do período reprodutivo. As principais pragas que atacam a cultura da soja são as lagartas e os percevejos, além de ácaros fitófagos e mosca-branca.

Vamos começar pelas lagartas! As principais espécies de Lepidoptera encontradas na soja são:

Lagarta-da-soja, Anticarsia gemmatalis

Lagarta falsa-medideira, Chrysodeixis includens

Lagartas das vagens, do complexo Spodoptera

Lagarta Helicoverpa armigera

Lagarta elasmo, Elasmopalpus lignosellus

Lagarta-maçãs, Chloridea virescens, anteriormente Heliothis virescens

Broca-das-axilas, Epinotia aporema

Parte das lagartas que atacam a cultura são controladas pela tecnologia da soja geneticamente modificada Bt, que possui a capacidade de expressar proteínas inseticidas originarias da bactéria Bacillus thuringiensis. Existe, atualmente, mais de um tipo de proteína inseticida (Cry1Ac, Cry1A.105 e Cry2Ab), que podem ser encontradas nas diferentes variedades de soja de maneira individual (1 proteína por variedade) ou combinadas, que são conhecidas como eventos piramidados (mais de 1 proteína por variedade). No entanto, nem todas espécies de lagartas são controladas por essa tecnologia, fazendo-se necessários outros métodos de controle quando os níveis populacionais da praga atingirem níveis de controle. Além de não controlar algumas espécies de lagartas que não são alvos da tecnologia, como o complexo Spodoptera, as espécies de percevejos também não são alvo da tecnologia.

Vale lembrar que a utilização de tecnologia Bt implica em cuidados por parte do produtor para a manutenção da alta eficácia dessa tecnologia. O principal cuidado a ser tomado é a implantação de área de refúgio, em que o produtor semeia variedades não-transgênicas junto à cultura Bt. O produtor pode optar por implantar a variedade não-Bt em faixas intercaladas na lavoura Bt, em blocos ou no perímetro da lavoura. Ainda, se deve respeitar as recomendações de se utilizar no mínimo 20% da área como refúgio e, com uma distância máxima de 800 metros da lavoura Bt.

Dos percevejos que atacam a cultura da soja, destacam-se, em função do dano causado, o percevejo marrom, Euschistus heros, o percevejo verde-pequeno, Piezodorus guildinii e o percevejo verde, Nezara viridula. Atualmente, além dessas três espécies, populações do percevejo barriga-verde, Dichelops furcatus e D. melachantus têm sido reportadas com maior frequência. Sendo todos pertencentes à família Pentatomidae, esses insetos apresentam muitas características em comum, sendo facilmente confundidos no campo (Figura 1). Apesar da dificuldade, a corrreta identificação da espécie presente na lavoura é essencial para a melhor escolha de tática de manejo.

Foto: Fernando Iost

Figura 1. Similaridade na morfologia de percevejos na soja.
Abaixo, à esquerda, Euschistus heros; Acima, Euschistus taurulus; No meio, à direita, Dichelops melachantus

As novas tecnologias disponíveis e que ainda estão por vir para o manejo de pragas na soja podem ser encontradas AQUI no Blog AgroBASF. Lembre-se que a base para o Manejo Integrado de Pragas é o monitoramento frequente da lavoura e a tomada de decisões de controle somente quando os níveis populacionais das pragas atingirem níveis de controle. Portanto, aproveite as dicas acima e fique atento aos insetos pragas na sua lavoura, buscando sempre a máxima produtividade!

Texto originalmente publicado em:
blogagro.basf.com.br
Autor: Fernando Filho (Jan de 2020)

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