Milho: Apesar de a colheita estar avançando na maior parte das regiões produtoras de segunda safra em julho, o volume disponível para negócios segue limitado no mercado interno. Além de a média nacional da área já colhida estar inferior à das temporadas anteriores, produtores se mantiveram retraídos das negociações, atentos às altas nos preços internacionais, o que pode elevar a paridade de exportação.
Além disso, no início de julho, agricultores estavam atentos às condições climáticas adversas, como as chuvas e geadas. Com isso, os preços do cereal subiram em boa parte das praças acompanhadas pelo Cepea.
No entanto, a alta é limitada, pois os consumidores priorizaram na maior parte do período o consumo dos estoques em detrimento das novas efetivações. Esses consumidores acreditam que os preços podem voltar a cair assim que o volume colhido aumentar e houver necessidade de novas vendas, devido às limitações da capacidade dos armazéns à necessidade de caixa.
PREÇOS – Assim, no acumulado de julho, o Indicador ESALQ/BM&FBovespa avançou 2,6%, fechando a R$ 65,25/saca de 60 kg no dia 31. A média mensal de julho também subiu 2%. Na média das regiões pesquisadas pelo Cepea, o cereal se valorizou 6,4% no mercado de balcão (ao produtor) e 2,4% no de lotes (negociação entre empresas), também no acumulado do mês.
No mesmo sentido, os contratos negociados na B3 subiram em julho, impulsionados pelo forte avanço dos preços internacionais e pela manutenção do dólar acima dos R$ 5. Deste modo, os vencimentos Set/26 e Nov/26 avançaram 2% e 4%, fechando a R$ 69,25 e R$ 673,95/sc de 60 kg no dia 31, respectivamente.
ESTIMATIVAS – Segundo dados divulgados pela Conab em julho, a segunda safra 2025/26 agora está estimada em 109,43 milhões de toneladas, 3% inferior à da temporada anterior, mas 1,5% acima do relatório divulgado em junho, refletindo principalmente os aumentos na produção do Paraná e de Mato Grosso. Para a safra verão, cuja colheita está no final, os aumentos são de 1% no mês e de 18,7% frente à temporada anterior, a 29,6 milhões de toneladas.
Já para a terceira temporada, que tinha estimativa de melhora na produção até junho, os dados foram ajustados, devido à falta de chuvas na maior parte das regiões produtoras no Norte e Nordeste do País. Agora, a produção está estimada em 2,69 milhões de toneladas, 17% inferior na comparação mensal e 10% menor entre as safras 2024/25 e 2025/26.
No agregado das três safras, a oferta no País deve ser de 141,72 milhões de toneladas, leve aumento de 0,4% em relação à temporada anterior, o que, se concretizado, pode ser recorde. O consumo interno deve ser de 94,88 milhões de toneladas, e a Conab estima que as exportações possam chegar a 46,5 milhões de toneladas. Caso esse cenário se confirme, os estoques finais em janeiro/27 ficariam em 14,50 milhões de toneladas, 70% superior à média dos últimos cinco anos.
Pelo USDA, a oferta mundial em 2026/27 pode totalizar 1,29 bilhão de toneladas, 2,3% inferior à da temporada anterior. O consumo é previsto em 1,32 bilhão de toneladas, 1% maior que em 2025/26. As transações internacionais devem se reduzir 4,9% no mesmo comparativo. Porém, com a redução dos estoques finais mundiais em 8%, a relação estoque/consumo passará para 20,9%, a menor desde 2012/13.
CAMPO – A colheita da segunda safra vem avançando na maior parte das regiões, com destaque para Mato Grosso, que tem obtido bons resultados, favorecidos pelo clima. Em São Paulo e em Minas Gerais, porém, a umidade elevada das lavouras limita os avanços no campo. Até o dia 31 de julho, a média nacional chegou à 69,1%, abaixo dos 74,5% registrados na média das últimas cinco safras, segundo a Conab.
Em Mato Grosso, os trabalhos de colheita atingiram 96,77% da área cultivada até o dia 31, segundo dados do Imea (Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária). Em Mato Grosso do Sul, também até o dia 24, 24% do total foi colhido, segundo a Famasul (Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul). Em Goiás, a colheita chegou a 35% no mesmo período, segundo a Conab.
No Paraná, até o dia 03 de agosto, 52% da área havia sido colhida, segundo a Seab/Deral, que também informou que a produção do milho de segunda safra deve recuar 5% frente ao ano passado, a 17 milhões de toneladas, devido aos efeitos da estiagem. Em Minas Gerais e em São Paulo, a Conab indicou que as áreas colhidas estavam em 32% e 15%, respectivamente, até o final do mês.
Quanto à safra verão, a colheita somava 99,3% da área nacional até o dia 31, segundo a Conab, abaixo dos 99,5% da média dos últimos cinco anos.
INTERNACIONAL – Na Bolsa de Chicago (CME Group), os contratos do milho avançaram durante a maior parte de julho, devido principalmente às preocupações climáticas com a produção nos Estados Unidos e na França, por conta do clima seco e quente. Apenas no final do mês, com o retorno das chuvas em Iowa e Nebraska, os vencimentos voltaram a ceder. Com isso, os contratos Set/26 e Dez/26, avançaram 5,8% e 6,4% entre 30 de junho e 31 de julho, ao fecharem no dia 31 cotados a US$ 4,4075/bushel (US$ 173,51/t) e a US$ 4,64/bushel (US$ 182,67/t), respectivamente.
De acordo com o relatório semanal Crop Progress divulgado pelo USDA, até o dia 03 de agosto, 61% da safra de milho estava em condição entre boa e excelente, recuo de 3 p.p. no comparativo anual. Na Argentina, a colheita alcançou 69,8% da área nacional até o dia 30, segundo dados da Bolsa de Cereales.
Fonte: Cepea




