A empresa brasileira Promip, com sede em São Paulo e especializada na produção de inseticidas biológicos, acaba de desenvolver uma nova estratégia para o controle de mosca-branca (Bemisia tabaci). O programa de manejo baseia-se na utilização combinada de dois agentes biológicos: um ácaro predador (Amblyseius tamatavensis) e um fungo entomopatogênico (Beauveria bassiana), comercializados sob os nomes de Amblymip e Bovemip, respectivamente.

De acordo com a estratégia de uso combinado, o ácaro predador (agente macrobiológico) seria responsável por consumir os ovos e ninfas de primeiro ínstar da mosca-branca, enquanto o fungo (agente microbiológico) realizaria o controle de ninfas maiores e dos adultos da praga (Figura 1). Embora já haja outros produtos microbiológicos disponíveis no mercado para o controle de B. tabaci, esse é o primeiro registro no Brasil de um bioinseticida macrobiológico específico para essa praga.

Figura 1. Adulto (esquerda) e ninfa (direita) de B. tabaci em folha de soja

Fonte: ARNEMANN et al. (2019). Confira a imagem original clicando aqui: http://www.ccsenet.org/journal/index.php/jas/article/view/0/39733

Altamente polífaga e com ampla capacidade de dispersão, a mosca-branca é considerada a segunda praga invasiva mais difundida e economicamente importante do mundo. A praga alimenta-se de 36 gêneros de plantas e apresenta relatos de resistência a 56 inseticidas diferentes, além de atuar como vetor de mais de 100 vírus fitopatogênicos (WILLIS, 2017).

Adultos e ninfas dessa espécie sugam a seiva das plantas ao mesmo tempo em que excretam uma substância açucarada que favorece o crescimento de fumagina sobre as folhas (Figura 2), prejudicando o processo de fotossíntese e ocasionando perdas de rendimento que podem chegar a 27 kg de grãos por hectare com uma densidade populacional média de uma mosca-branca por trifólio de soja (PADILHA et al., 2020).

Figura 2. Folíolo de soja sadio (esquerda) e folíolo infestado por B. tabaci (direita), com formação de fumagina.

Fonte: Grupo de Manejo e Genética de Pragas

Tendo em vista o alto grau de resistência de B. tabaci a diferentes inseticidas químicos, o uso de bioinseticidas surge como uma alternativa promissora para o controle de populações resistentes dessa praga, contribuindo para a construção de um manejo economicamente eficiente e ambientalmente sustentável de mosca-branca. Para saber mais sobre o controle biológico de B. tabaci em soja, clique aqui: https://maissoja.com.br/controle-biologico-de-mosca-branca-em-soja/

Revisão: Prof. Jonas Arnemann, PhD. e coordenador do Grupo de Manejo e Genética de Pragas – UFSM

Referências: 

ARNEMANN, J. A. et al. Managing whitefly in soybean. Journal of Agricultural Science, v. 11, n. 9, 2019. Disponível em: http://www.ccsenet.org/journal/index.php/jas/article/view/0/39733

PADILHA, G. et al. Damage assessment of Bemisia tabaci and economic injury level on soybean. Crop Protection, v. 143, p. 105542, 2021. Disponível em: https://doi.org/10.1016/j.cropro.2021.105542

POZEBON, H. et al. Distribution of Bemisia tabaci within soybean plants and on individual leaflets. Entomologia Experimentalis et Applicata, v. 167, p. 396–405, 2019. Disponível em: https://onlinelibrary.wiley.com/doi/abs/10.1111/eea.12798

PROMIP. Portfólio de produtos biológicos. Disponível em: https://promip.agr.br/bovemip/

WILLIS, K. J. Estado das plantas do mundo. Royal Botanic Gardens, 2017. Disponível em: https://issuu.com/fernandoruz/docs/sotwp_2017

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