A mosca-da-haste da soja, Melanagromyza sojae, é uma praga invasiva na América do Sul e conhecida em diferentes continentes, pois possui vasta distribuição nos países asiáticos, partes da Rússia, Austrália e Espanha (POZEBON et al., 2020). Causando danos expressivos e com grandes prejuízos aos cultivos de soja, a praga é capaz de abrir galerias no interior da haste das plantas, afetando seu crescimento e levando a uma redução na produtividade de grãos (Figura 1).

As galerias criadas podem se estender por até 70% do comprimento da haste da planta, resultando em uma redução de até 61% na produtividade final de grãos, caso medidas de controle não sejam adotadas durante a fase vegetativa da cultura (MARQUES et al., 2020). Diante disso, salienta-se a importância do monitoramento da mosca-da-haste na cultura da soja e seus conseqüentes métodos de controle.

Figura 1. Adulto de M. sojae ovipositando (esquerda) e pupa no interior da galeria formada (direita)

Fonte: VITORIO et al. (2018). Confira a imagem original clicando aqui

O adulto de mosca-da-haste é um inseto de tamanho diminuto, que realiza pequenas puncturas nas folhas de soja para alimentar-se. Os sintomas ocasionados pelo dano das larvas no interior das hastes são praticamente imperceptíveis no exterior das plantas, dificultando o monitoramento da praga. A forma mais fácil de detecção é através da abertura das hastes, observando a presença das galerias formadas na haste principal e ramificações secundárias. O encurtamento de entrenós e a emissão de ramos laterais excessivos pode ser um indicativo da presença de larvas no interior da haste (Figura 2).

Logo após a emergência das plântulas de soja, é possível constatar ataques precoces de mosca-da-haste por meio do exame das plantas, verificando a presença de galerias e/ou larvas no seu interior. Mais tarde, a detecção ocorre também pela presença de orifícios de saída localizados abaixo da região de inserção dos cotilédones, e em ataques mais tardios, pela presença de orifícios acima da região cotiledonar. Estes orifícios são furos minúsculos feitos pelas larvas, por onde saem os adultos após completarem sua metamorfose.

Figura 2. Planta de soja com encurtamento de entrenós e emissão de ramos laterais devido ao ataque da mosca-da-haste da soja.

Fonte: VITORIO, L (2019). Confira a imagem original clicando aqui

A amostragem em campo deve ser realizada arrancando-se as plantas de soja aleatoriamente, seccionando as plantas com um corte transversal na região do colo da haste, e separando a parte aérea das raízes. Em seguida, com auxílio de um canivete, a planta deve ter a haste principal e ramificações laterais abertas longitudinalmente, de baixo para cima, expondo a medula e tecidos internos da haste, tornando possível verificar a ocorrência de larvas, pupas ou pupários vazios (Figura 3).

Em plantas de soja espontânea (soja guaxa ou tigüera), a amostragem deve ser feita pela coleta de plantas isoladas dentro ou no entorno das lavouras, em estradas ou próximo a armazéns. Diante disso, é possível realizar a contagem de plantas atacadas, visualizar os danos na haste principal e também os orifícios de saída deixados pela praga. Assim, nota-se a importância fundamental do monitoramento para detecção, quantificação e localização de M. sojae na cultura da soja.

Figura 3. Método para averiguar a ocorrência de mosca-da-haste em soja.

Fonte: Grupo de Manejo e Genética de Pragas – UFSM

Nas regiões do mundo em que a praga possui grande importância econômica na cultura da soja, as medidas de controle mais utilizadas remetem-se ao controle cultural e biológico, com cultivares resistentes e semeadura fora dos picos populacionais da praga, visando reduzir seu impacto (POZEBON et al., 2020).

O controle químico é outra opção para o controle dos adultos de M. sojae. Recomenda-se a utilização dos inseticidas clorantraniliprole, imidacloprido + bifentrina, fipronil ou imidacloprido no tratamento de sementes, combinados com pulverizações foliares de clorpirifós, tiametoxam + lambda-cialotrina, tiodicarbe, ou imidacloprido + beta-ciflutrina no início do ciclo da cultura (CURIOLETTI et al., 2016). Assim, as plantas de soja estarão protegidas durante os estádios mais vulneráveis ao ataque da mosca-da-haste, que são as quatro primeiras semanas após a emergência.

No Brasil, ainda não se conhece a ação da mosca-da-haste sobre as cultivares nacionais, tampouco o impacto do controle biológico natural e o efeito do controle químico praticado para outras pragas da soja. É urgente e fundamental a avaliação da reação das cultivares à M. sojae, para que o controle cultural seja somado às demais estratégias em um programa de manejo integrado de mosca-da-haste.

Revisão: Henrique Pozebon, Mestrando PPGAgro  e Prof. Jonas Arnemann, PhD. e Coordenador do Grupo de Manejo e Genética de Pragas – UFSM



REFERÊNCIAS:

Comitê estratégico Soja Brasil alerta sobre mosca-da-haste. Comitê Estratégico Soja Brasil (Cesb). Publicado em 11 de dezembro de 2018. Disponível em https://www.suino.com.br/comite-estrategico-soja-brasil-alerta-sobre-a-mosca-da-haste/#:~:text=O%20Comit%C3%AA%20Estrat%C3%A9gico%20Soja%20Brasil,%2C%20GO%2C%20BA%20e%20MT.

CURIOLETTI, L. E. et al. Ocorrência, distribuição espacial e métodos de controle de Melanagromyza sojae, em soja. 2016.

CZEPAK, C. et al. Primeiro registro da mosca-da-haste da soja Melanagromyzasojae (Diptera: Agromyzidae) no Cerrado brasileiro.Pesquisa Agropecuária Tropical, 2018, vol.48, n.2, pp.200-203. Disponível em https://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1983-40632018000200200&script=sci_abstract&tlng=pt

GASSEN, D. N.; SCHNEIDER, S.; ALMEIDA, E. de. Ocorrência de Melanagromyzasp.(Dip., Agromyzidae) danificando soja no sul do Brasil. Embrapa Trigo-Documentos. Disponível em https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/133860/1/ID11148-1984-1985sojaresultados-p108-109.pdf

MARQUES, R. P. et al. Melanagromyza sojae Zehntner (Diptera: Agromyzidae) damage on soybean: high yield losses in the New World. Journal of Economic Enotmology. Artigo em trâmite para publicação.

POZEBON, H. et al. 2020. Highly invasive and rapidly spreading: Melanagromyza sojae threatens the soybean belt of South America. Biological Invasions. Artigo em trâmite para publicação.

Todos contra Melanagromyza sojae. Defesa vegetal. Publicado em 20 de março de 2017. Disponível em https://www.defesavegetal.net/single-post/2017/03/20/Todos-contra-Melanagromyza-sojae

VITORIO, L. et al. First record of the soybean stem fly Melanagromyza sojae (Diptera: Agromyzidae) in Bolivia. Genetics and Molecular Research, v. 18, gmr18222, 2019.

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