Em virtude de adversidades climáticas e ambientais, em algumas safras é possível observar certos comportamentos um tanto quanto incomuns em plantas de soja, mesmo em cultivares modernas, as quais apresentam maior adaptabilidade ambiental. Um desses comportamentos, é a emissão de trifólios, e/ou ramificações junto aos cotilédones da planta no início do seu desenvolvimento.

Figura 1. Folha trifoliolada junto aos cotilédones da soja.

Fotos:@vitor_hugo.agro

Essa característica, pode ser visualizada em algumas regiões de cultivo, no início do desenvolvimento das plantas, refletindo em algumas indagações, tais como: o que causa? Interfere na produtividade? Tem relação com a qualidade das sementes?

Em vídeo, o Doutor Geraldo Chavarria explica que essa condição está relacionada a ocorrência de estresses. Os estresses que desencadeiam essa condição podem estar relacionados a fatores climáticos e ambientais tais como a deficiência hídrica e a elevada temperatura.



Uma das formas de quantificar a necessidade hídrica da cultura da soja é através da sua evapotranspiração, dada em mm.dia-1. A evapotranspiração da soja varia de acordo com o estádio de desenvolvimento da cultura, sendo maior nos períodos de floração e enchimento de grãos (Figura 2). Contudo, independente da fase de desenvolvimento da cultura, quando o requerimento da cultura é superior a quantidade de água disponível para ela, ocorre déficit hídrico, sendo esse um dos fatores causadores de estresse.

Segundo Farias; Nepomuceno; Neumaier (2007), de maneira geral, a quantidade média requerida de água durante o ciclo de desenvolvimento da soja varia entre 450 e 800mm, sendo que sua evapotranspiração durante o período de enchimento de grãos pode chegar a 7 – 8 mm.dia-1.

Veja também: Evapotranspiração padrão e real da cultura da soja

Figura 2. Evapotranspiração diária (ET) da soja em distintos estádios do seu desenvolvimento fisiológico.

Adaptado: Berlatoet al. (1986).

Segundo Zanon et al. (2018), durante o período de V1 a Vn, a temperatura basal inferior da soja é de 7,6°C e a basal superior é de 40°C, ou seja, a soja não se desenvolve sob temperaturas inferiores e superiores a essas, respectivamente. Sendo assim, temperaturas inferiores e superiores a essa podem desencadear condições de estresse, principalmente quando associadas á condições de déficit hídrico. A temperatura ótima para o desenvolvimento da soja durante o período de V1 a Vn é de 31°C.

Conforme destacado por Chavarria, como o objetivo principal da planta é se desenvolver para perpetuar a espécie, em uma respostar as condições de estresse, a planta tenta “acelerar” seu ciclo, e com isso passa a emitir novos órgãos. Caso o estresse seja prolongado, além da emissão de novas folhas, é possível observar a emissão de flores e frutos respectivamente, mesmo em plantas com baixo porte.

Mas isso afeta a produtividade da lavoura?

Como em reposta da ocorrência de estresse a planta passa a emitir novos órgãos, a fim de acelerar o ciclo de desenvolvimento, caso o período de estresse seja superado e condições adequadas para o desenvolvimento da planta sejam ofertadas, esses novos órgãos emitidos durante o período de estresse, a exemplo das folhas, passam a agregar na produção de fotoassimilados possibilitando maior acúmulo de matéria seca e consequentemente produtividade da cultura. Conduto, esse fato não é obrigatoriamente efetivo, sendo que vários fatores podem influenciar no crescimento e desenvolvimento das plantas, refletindo em uma boa ou má produtividade da cultura.

Qual a relação com a qualidade de sementes?

Conforme destacado por Geraldo, a característica de emissão de novas estruturas/órgãos pode ser observada em maior frequência em plantas oriundas de sementes de elevado vigor, entretanto, o vigor não é o principal fator desencadeador da emissão de novos órgãos, e sim, a ocorrência de estresses.

Confira o vídeo abaixo e veja o que o Dr. Geraldo Chavarria tem a dizer sobre o assunto.


Acompanhe nosso site, siga nossas mídias sociais (SiteFacebookInstagramLinkedinCanal no YouTube


Referências:

Berlato, M.A.; Matzenauer, R.; Bergamaschi, H. EVAPOTRANSPIRAÇÃO MÁXIMA DA SOJA E RELAÇÕES COM A EVAPOTRANSPIRAÇÃO CALCULADA PELA EQUAÇÃO DE PENMAN, EVAPORAÇÃO DO TANQUE “CLASSE A” E RADIAÇÃO SOLAR. Agronomia Sulriograndense, Porto Alegre, v.22, n.2, p.243-259, 1986.

FARIAS; J. R. B.; NEPOMUCENO, A. L.; NEUMAIER, N. ECOFISIOLOGIA DA SOJA. Embrapa, Circular Técnica, n. 48, 2007. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/handle/doc/470308 >, acesso em: 21/12/2020.

Zanon, A. J. ECOFISIOLOGIA DA SOJA: VISANDO ALTAS PRODUTIVIDADES. Santa Maria, 2018.

Nenhum comentário

Deixar um comentário

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.