Plantas daninhas resistentes ao glyphosate: fique por dentro dos relatos no Brasil.

Hoje vamos conhecer um pouco sobre plantas daninhas resistentes ao herbicida glyphosate.

Você sabe quais os casos de resistência a este herbicida no Brasil?

Saiba, que existem no Brasil 50 relatos de resistência a herbicidas?

Destes 50 casos, temos 8 espécies de plantas daninhas resistentes ao herbicida glyphosate.

Casos de resistência no mundo ao grupo G (Inibidores da EPSPs). Fonte: Heap (2010).

Antes de falarmos de cada um desses casos, vamos entender um pouco sobre os conceitos de resistência cruzada e múltipla.

A resistência cruzada ocorre quando o biótipo de planta daninha é resistente a dois ou mais herbicidas do mesmo mecanismo de ação, porém de grupos químicos distintos.

Já a resistência múltipla ocorre quando o biótipo de planta daninha é resistente a dois ou mais herbicidas de mecanismos de ação diferentes.

Vamos ver agora quais são essas oito espécies de plantas daninhas e, em quais culturas estes casos foram registrados.

Chloris elata

É uma planta daninha monocotiledônea, pertencente à família Poaceae, conhecida por capim-branco.

O primeiro caso de resistência ao glyphosate dessa espécie foi em 2014 em lavouras de soja.

Os autores Brunharo et al. (2015) verificaram que a redução na absorção de glyphosate e o aumento da retenção de glyphosate na folha tratada contribuem para a resistência ao glyphosate nesta população de C. elata do Brasil.

Fonte: Heap (2019).

Lolium perenne ssp. multiflorum

É uma planta daninha monocotiledônea, pertencente à família Poaceae, conhecida por azevém.

O primeiro caso de resistência desta espécie ao glyphosate foi verificada em 2003, em lavouras de soja e pomares, no estado do Rio Grande do Sul.

No ano de 2010, foi constatado casos de resistência múltipla em lavouras de milho, soja e trigo do Rio Grande do Sul, aos herbicidas glyphosate (EPSPs) e clethodim (ACCase).

Em 2017, em lavouras de milho, soja e trigo no Paraná, foram encontradas plantas resistentes a 2 mecanismos de ação: EPSPs (glyphosate) e ALS (iodosulfuron e pyroxsulam).

Eleusine indica

Esta planta é conhecida por capim-pé-de-galinha, é anual ou perene, com reprodução por sementes. 

É uma planta daninha monocotiledônea, pertencente à família Poaceae.

Em 2016 foi observado o primeiro caso no Brasil, com plantas desta espécie resistente ao glyphosate, em lavouras de milho, soja e trigo, no estado do Paraná. 

          Em 2017 foi verificado a resistência múltipla a 2 mecanismos de ação: EPSPs (glyphosate) e ACCase (fenoxaprop e haloxyfop), em lavouras de feijão, milho, algodão e soja no Mato Grosso.

 Fonte: Heap, 2019.                        

Amaranthus palmeri

Planta daninha dicotiledônea, pertencente à família Amaranthaceae.

 

O primeiro caso no Brasil foi relatado em 2015, em lavouras de algodão no Mato Grosso, nas quais foram observadas a resistência ao herbicida glyphosate.

Já, em 2016, foram encontradas plantas com resistência múltipla em lavouras de milho, algodão e soja, no estado do Mato Grosso, aos herbicidas glyphosate (EPSPs) e ALS (chlorimuron, cloransulam e imazethapyr).

Conyza bonariensis, Conyza canadensis e Conyza sumatrensis

São as famosas buvas, também conhecidas por voadeira.

São dicotiledôneas pertencentes à família Asteraceae.

Essas espécies são anuais, herbáceas, com reprodução por sementes.

No Brasil, em 2005, nos estados de São Paulo e Rio Grande do Sul, foram constatadas plantas da espécie C. bonariensis resistentes ao glyphosate, em lavouras de milho, soja, trigo e frutíferas.

Também no ano de 2005, foram verificadas plantas da espécie C. canadensis resistentes ao glyphosate, em lavouras de soja, pomares e frutíferas, no estado de São Paulo.

Os relatos de C. sumatrensis são mais recentes. O primeiro foi observado em 2010, em lavouras de milho e soja do estado do Paraná, com plantas resistentes ao glyphosate.

Em 2011, já foram constatadas plantas de C. sumatrensis com resistência múltipla ao glyphosate (EPSPs) e ALS (chlorimuron), infestando áreas de milho e soja no Paraná.

No ano de 2017, em Assis Chateaubriand (Paraná), em lavouras de soja, verificou-se biótipos resistentes de C. sumatrensis a 3 mecanismos de ação: glyphosate (EPSPs), Fotossistema 1 (paraquat) e ALS (chlorimuron).

Leia Mais: Redução da produtividade da soja causada por densidades populacionais de buva…

Também, no ano de 2017, em Assis Chateaubriand (Paraná), foi constatado biótipos de C. sumatrensis resistentes a Auxinas sintéticas (2,4-D), glyphosate (EPSPs), Fotossistema 2 (diuron), Fotossistema 1 (paraquat) e PROTOX (saflufenacil), ou seja, uma resistência múltipla a 5 mecanismos de ação!



Digitaria insularis

Por fim, temos o capim-amargoso, espécie monocotiledônea, anual, entouceirada, pertencente à Família Poaceae.

No Brasil, foi registrado o relato do biótipo resistente ao glyphosate ocorreu em 2008, em lavouras de milho e soja no Paraná.

Como vimos os relatos de resistência no Brasil e no mundo estão evoluindo.

O manejo integrado de plantas daninhas é, foi e sempre será nossa principal ferramenta na prevenção e manejo da resistência.

Por isso, quanto mais métodos de controle usarmos, menor é o risco de seleção de biótipos de plantas daninhas resistentes.

Leia Mais: Interferência de capim-amargoso sobre a produtividade da soja…

Lembre-se que temos os métodos químico, físico, mecânico, cultural, biológico e preventivo.

Vamos discutir estes métodos nos próximos artigos.

Conclusão

Neste artigo vimos importantes conceitos como resistência cruzada e múltipla.

Também conhecemos quais são as 8 plantas daninhas resistentes ao herbicida glyphosate no Brasil, e os casos de resistência múltipla que envolvem este herbicida.

Gostou do artigo? Tem algum tema sobre plantas daninhas que você gostaria de ver aqui? Deixe seu comentário abaixo!

Sobre a Autora: Ana Ligia Girardeli, Sou Engenheira Agrônoma formada na UFSCar. Mestra em Agricultura e Ambiente (UFSCar) e Doutora em Fitotecnia (USP/ESALQ). Atualmente, estou cursando MBA em Agronegócios.

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