Os tripes têm se tornado uma importante praga nas lavouras de soja de todo o Brasil. Anteriormente, era considerada uma espécie que causava poucas preocupações e danos, mas nos últimos anos tem se tornado alvo de pesquisas e estudos para seu controle. Esses insetos são muito pequenos, apresentando de 1 a 1,5 mm de comprimento quando adultos e cor escura (Figura 1). Possuem aparelho bucal raspador, com o qual perfuram o tecido foliar da planta, alimentando-se do conteúdo celular e causando sérios prejuízos à cultura da soja.

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Figura 1. Tripes em soja (Caliothrips Phaseoli)

Fonte: Crop Life. Confira a imagem original clicando aqui.

Os danos causados pelo inseto adulto, provenientes da raspagem do tecido foliar, intensificam a perda de água pelas plantas de soja. Em condições de déficit hídrico a desidratação é acentuada, com as plantas murchando mais rapidamente. Sob grande presença de tripes, ocorre ainda envelhecimento e queda precoce das folhas.

Dentre os métodos de controle para tripes em soja, destacam-se a rotação de culturas, inseticidas biológicos e químicos, além de medidas preventivas. Embora as rotações com plantas gramíneas reduzam a infestação local, os adultos arrastados pelo vento colonizarão a lavoura independentemente da cultura antecessora. Assim, é necessário fazer um rápido e completo manejo na lavoura, acompanhado por constante monitoramento para evitar novos focos de propagação.

A principal dificuldade no manejo de tripes está associada ao comportamento da praga na planta, por concentrar-se nos terços medianos e inferiores e na superfície inferior das folhas (Figura 2). Assim, o produto fitossanitário não atinge os segmentos mais baixos do dossel das plantas em concentração suficiente para eliminar a praga, reduzindo a eficácia de controle. Ademais, inseticidas de ação de contato (como os piretroides) possuem pouca ou nenhuma mobilidade e/ou translaminaridade através das folhas e plantas de soja, apresentando baixa eficiência quando não atingem de maneira eficaz os terços médio e inferior e gerando uma falsa impressão de controle.

Figura 2. Tripes na face inferior do folíolo da soja

Fonte: Grupo Cultivar. Confira a imagem original clicando aqui.

Ao optar por um método de controle de tripes em uma lavoura de soja, o produtor deve sempre levar em consideração a seletividade, ou seja, o efeito do produto sobre os inimigos naturais e outros organismos não-alvo. Além disso, deve-se preconizar a rotação de princípios ativos, visando evitar a seleção de populações resistentes da praga.

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Atualmente, existem 23 produtos comerciais registrados no Brasil para o controle de Frankliniella schultzei (a espécie mais comum de tripes em soja), sendo que 17 deles utilizam o ingrediente ativo acefato (Figura 3). Outras opções incluem os ingredientes ativos clorfenapir, imidacloprido e permetrina. Ao utilizar o controle químico, este deve ser feito com racionalidade, pois o uso indiscriminado de produtos químicos favorece o desenvolvimento de resistência e posterior aumento populacional da praga.

Figura 3. Produtos registrados para o controle de F. schultzei na cultura da soja

Fonte: Agrofit. Disponível, clicando aqui.

No contexto atual de Manejo Integrado de Pragas (MIP), têm-se investigado o efeito de certos inseticidas fisiológicos que poderiam reduzir as infestações posteriores de tripes em soja após a sua aplicação, visto que estes insetos podem produzir várias gerações em um mesmo ano. As aplicações terrestres de baixo volume (20 a 25 litros por hectare) têm demonstrado boa efetividade, maior às de volumes convencionais (60 a 80 litros) e às de alto volume (100 litros ou mais). Isto se deve possivelmente à maior concentração de ingrediente ativo em cada gota que chega às zonas infestadas, além da maior penetração das gotas no dossel vegetativo pelo seu menor tamanho.

 Considerações finais

O controle de tripes em soja é dificultado pela sua alta taxa reprodutiva, com ciclo de 15 dias, não havendo uma época preferencial para se iniciar o manejo.

Em geral, as medidas de controle ocorrem juntamente com as aplicações de fungicidas e/ou inseticidas visando o controle de percevejos, quando as plantas de soja já se encontram em estádio reprodutivo. Por outro lado, altas densidades populacionais da praga na fase vegetativa da cultura justificam uma entrada antecipada.

Considerando a dificuldade de se atingir o alvo quando a cultura apresenta o dossel fechado, uma aplicação de inseticida antes do fechamento das entrelinhas pode elevar a eficácia de controle de tripes em soja.

Elaboração do texto: Rael Adams, estudante do Curso de Agronomia na UFSM e membro do grupo Manejo e Genética de Pragas/UFSM

Revisão: Henrique Pozebon, Mestrando PPGAgro  e Prof. Jonas Arnemann, PhD. e Coordenador do Grupo de Manejo e Genética de Pragas – UFSM

REFERÊNCIAS

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