O complexo de tripes é um grupo importante de pragas em diversas culturas agrícolas e vem ganhando relevância na cultura da soja. De acordo com a Embrapa Soja (2014), podem ser encontradas várias espécies de tripes em soja, sendo as mais frequentes Caliothrips braziliensis e Frankliniella schultzei (Figura 1).

Figura 1. Tripes adulto da espécie Frankliniella schultzei.

Fonte: Embrapa – Ivan Carlos Corso. Confira a imagem original clicando aqui.

É preciso destacar que esses insetos são influenciados pelo clima, sendo mais agressivos em épocas de seca e, somado a isso, o seu ciclo curto favorece o aumento populacional. Além disso, Gamundi & Perotti (2009) constataram em seu estudo que a produtividade de soja submetida ao ataque por tripes foi 11,3% maior nos tratamentos com irrigação.

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Mesmo na sua fase adulta, os tripes são extremamente pequenos, possuindo de 1 a 2 mm de comprimento. Além disso, concentram-se nos pontos mais protegidos, como o dorso das folhas e o terço inferior das plantas de soja, dificultando seu controle. Na fase jovem, apresentam coloração esbranquiçada, enquanto na fase adulta possuem coloração escura e asas franjadas (Figura 2).

Figura 2. Tripes adulto (A) e ninfa (B) de Caliothrips brasiliensis.

Fonte: Paulo Roberto Valle da Silva Pereira. Confira a imagem original clicando aqui.

O dano direto desses insetos está relacionado com sua alimentação. Devido ao hábito de raspar a epiderme das folhas de soja para sugar a seiva, ocorrem inicialmente manchas com coloração branca (Figura 3) e posteriormente pontuações escuras nos locais de ataque. Logo, ocasiona a diminuição da taxa fotossintética das plantas, ou seja, menor produção de energia e menor conversão de fotoassimilados.

Figura 3. Dano inicial de tripes em soja (folha com manchas esbranquiçadas).

Fonte: Mais Soja. Confira a imagem original clicando aqui.

Somado a isso, um dos sintomas clássicos em lavouras de soja atacadas por tripes são as folhas cinzentas, podendo ficar necrosadas dependendo da severidade da infestação (Figura 4). Ademais, o dano de raspagem além de prejudicar a planta diretamente, torna-se porta de entrada para agentes patogênicos.

Figura 4. Dano mais avançado de tripes em soja, com pontos necrosados.

Fonte: Adaptado de Rede Técnica de Cooperados – RTC. Confira a imagem original clicando aqui.

Por se tratar de um inseto que reduz a área fotossintética da planta, seus danos na produtividade da cultura são de difícil quantificação. Porém, segundo estudos de Gumandi et. al. (2005), as perdas variam de 10 a 25% na produtividade da soja.

Portanto, o complexo de tripes vem ganhando relevância na cultura da soja como uma praga típica de épocas de seca. É um inseto que se caracteriza por raspar as folhas e sugar a seiva, ocasionando diminuição na taxa fotossintética das plantas. São muito pequenos e de difícil controle, por concentrarem-se preferencialmente no dorso das folhas e no baixeiro das plantas de soja. Assim, as aplicações de inseticida devem atingir os segmentos inferiores do dossel da cultura para que o controle da praga seja eficaz.

Revisão: Henrique Pozebon, Mestrando PPGAgro  e Prof. Jonas Arnemann, PhD. e Coordenador do Grupo de Manejo e Genética de Pragas – UFSM

REFERÊNCIAS:

Gamundi, J.C.; Perotti, E. Evaluación de daño de Frankliniella schultzei (Trybom) y Caliothrips phaseoli (Hood) en diferentes es- tados fenológicos del cultivo de soja. INTA EEA Oliveros – Para mejorar la produccion. 42, 2009. Disponível em https://inta.gob.ar/sites/default/files/script-tmp-evaluacion_daos_en_soja.pdf

Gamundi, J.C.; Perotti, E.; Molinari, A.; Manlla, A.; Quijano, D. Evaluación del daño de trips Caliothrips phaseoli (Hood) en soja. Para mejorar la producción. 30, 2005.

SOSA-GÓMEZ, D.R.; CORRÊA-FERREIRA, B.S.; HOFFMANN-CAMPO, C.B.; CORSO, I.C.; OLIVEIRA, L.J.; MOSCARDI, F.; PANIZZI, A.R.; BUENO, A.F.; HIROSE, E.; ROGGIA, S. Manual de identificação de insetos e outros invertebrados da cultura da soja. EMBRAPA SOJA. 3ª edição, Londrina, PR 2014. Disponível em https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/105924/1/Doc269-OL.pdf



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