Autores: Prof. Dr. Argemiro Luís Brum e Jaciele Moreira.

O primeiro mês cotado para a soja em Chicago não rompeu os US$ 9,00/bushel durante esta semana, apesar de ter ficado constantemente próximo a este teto. O fechamento desta quinta-feira (20) ficou em US$ 8,92/bushel, contra US$ 8,96 uma semana antes.

A doença do coronavírus (agora batizado de Covid-19) na China, com extensão para outros países, continua impactando o mercado, embora pareça que, aos poucos, o avanço da mesma começa a ser controlado. No entanto, o número de mortes na China ainda aumenta a cada dia que passa e o comércio com o país asiático se mantém parcialmente bloqueado em muitas áreas.

Afora isso, o mercado continua esperando uma reação mais consistente nas compras chinesas de soja estadunidense, após a assinatura da Fase Um do acordo comercial entre EUA e China, ocorrida no dia 15 de janeiro passado.

Por outro lado, no Brasil a redução nas vendas externas de soja já aparece. Em valor, a média diária das mesmas recuou 25,5% do início de janeiro até meados de fevereiro, na comparação com a média do mesmo período do ano passado, apesar de fevereiro já estar bem melhor do que janeiro, fato normal pois a nova safra começa a entrar no mercado neste período.

Assim, nos 10 primeiros dias úteis de fevereiro a média diária ficou em US$ 68,2 milhões, com um volume exportado de 1,93 milhão de toneladas. O preço médio de venda foi de US$ 353,90/tonelada. Na comparação com janeiro a alta é de 192,4% em valor e de 185% em volume, enquanto o preço médio registrou ganho de 2,6%. Já em relação a fevereiro de 2019 houve recuo de 27,2% em valor e de 26,8% em volume, com o preço caindo 0,6%. (cf. Safras & Mercado)

Dito isso, o mundo se preocupa cada vez mais com o recuo no crescimento econômico chinês, agora previsto para 5,2% em 2020, contra projeções iniciais de 5,8% e algo em torno de 6,2% em 2019 (cf. Moody´s). Isso tende a provocar menos consumo interno no país de forma geral. Nota-se que se esse quadro for confirmado, a economia chinesa recuará de um ponto percentual em relação ao ano passado.

Por sua vez, a Associação Norte-Americana dos Processadores de Óleos Vegetais (NOPA) anunciou que o esmagamento da oleaginosa nos EUA, em janeiro, atingiu a 4,82 milhões de toneladas, contra 4,76 milhões em dezembro e 4,73 milhões esperadas pelo mercado.

Já as exportações líquidas de soja por parte dos EUA, na semana encerrada em 06/02, ficaram em 644.800 toneladas, com um aumento de 2% sobre a média das quatro semanas anteriores. Deste total, a China comprou 132.000 toneladas. Para o ano 2020/21 as vendas chegaram a 6.300 toneladas no total semanal. O mercado esperava um total, na soma dos dois anos, de um volume entre 600.000 a um milhão de toneladas.



Enquanto isso, as inspeções de exportação estadunidenses atingiram a 992.294 toneladas na semana encerrada em 13/02, segundo o USDA, ficando um pouco acima do esperado pelo mercado. No acumulado do ano ano comercial, iniciado em 1º de setembro, as inspeções atingem a 28,3 milhões de toneladas, contra 23,8 milhões um ano antes.

Enfim, o mercado externo termina a semana na expectativa das primeiras indicações sobre a nova safra dos EUA, as quais sairiam no tradicional Fórum Anual do USDA, que ocorre nestes últimos dias de fevereiro e, sobre o qual, discorreremos com mais detalhes no boletim da próxima semana.

O mercado estava apostando, para anova safra estadunidense, em uma área plantada com soja de 34,2 milhões de hectares e uma produtividade média de 3.382 quilos/hectare (56,4 sacos/ha). Com isso, em clima normal, a produção total ficaria em 115 milhões de toneladas, após as 96,8 milhões da frustrada safra do ano passado.

Na Argentina, o plantio da nova safra de soja está concluído, tendo alcançado algo em torno de 17,2 milhões de hectares. Por outro lado, a comercialização da safra 2018/19 se encontrava com 82% vendida em fins de janeiro, contra 97% em igual período do ano anterior.

Aqui no Brasil, mais uma vez o câmbio sustentou os preços da soja, diante da estabilidade das cotações em Chicago e de prêmios novamente em recuo, com os mesmos ficando entre US$ 0,37 e US$ 0,65/bushel no final da semana.

De fato, o Real voltou a se aproximar dos R$ 4,38 por dólar e, com isso, o preço médio no balcão gaúcho fechou a semana em R$ 78,53/saco, enquanto os lotes giraram entre R$ 84,50 e R$ 85,00/saco na região produtora. Nas demais praças nacionais os lotes oscilaram entre R$ 73,00/saco em boa parte do Nortão do Mato Grosso, até R$ 86,50/saco em Campos Novos (SC), passando por R$ 81,00 em Cascavel (PR) e R$ 83,00 no norte deste Estado; R$ 73,00 em São Gabriel (MS); R$ 76,00 em Goiatuba (GO); R$ 78,00 em Pedro Afonso (TO); e R$ 80,00/saco em Uruçuí (PI).

A colheita de soja no país teria atingido a 23% até o início desta semana, sendo que se espera um volume de 124,5 milhões de toneladas (sob condição do que virá da safra gaúcha diante da estiagem ali sofrida, já que as primeiras lavouras colhidas sem irrigação estão apresentando uma produtividade baixa, entre 15 e 35 sacos/hectare – são as lavouras precoces, mais atingidas pela falta de chuva).

Deste total, o Brasil espera exportar 70 milhões de toneladas e esmagar 44,1 milhões. Isto poderá originar 33,6 milhões de toneladas de farelo e 8,8 milhões de óleo de soja. Do total do farelo produzido, o país exportaria 15,5 milhões e consumiria 17 milhões de toneladas. Já no óleo, a exportação ficaria em apenas 350.000 toneladas e o consumo interno em 8,55 milhões, sendo que destes, 3,95 milhões de toneladas seriam destinadas à fabricação de biodiesel. (cf. Safras & Mercado)


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CEEMA

Fonte: Informativo CEEMA UNJUÍ, do prof. Dr. Argemiro Luís Brum (1) e de Jaciele Moreira (2).

1 – Professor do DACEC/UNIJUI, doutor em economia internacional pela EHESS de Paris França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA.
2-  Analista do Laboratório de Economia da UNIJUI, bacharel em economia pela UNIJUÍ, Tecnóloga em Processos Gerenciais – UNIJUÍ e aluna do MBA – Finanças e Mercados de Capitais – UNIJUÍ e ADM – Administração UNIJUÍ.

Texto originalmente publicado em:
CEEMA
Autor: CEEMA Unijui

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