Autores: Prof. Dr. Argemiro Luís Brum e Jaciele Moreira.

As cotações do trigo em Chicago se mantiveram praticamente estáveis, com leve viés de alta. Após se aproximar novamente dos US$ 6,00/bushel, o mercado cedeu durante a semana e o primeiro mês cotado fechou a quinta-feira (19) em US$ 5,91/bushel, contra US$ 5,88 uma semana antes.

Nos EUA o plantio do trigo de inverno chegou a 98% da área esperada até o dia 15/11, contra a média histórica de 96% nesta época. Enquanto isso, as condições das lavouras apresentavam 18% entre ruins a muito ruins, 36% regulares e 46% entre boas a excelentes.

Ao mesmo tempo, as exportações semanais dos EUA atingiram a 325.948 toneladas de trigo, ficando dentro das expectativas do mercado. No acumulado do ano comercial são 12 milhões de toneladas exportadas, volume pouco superior ao registrado no mesmo período do ano anterior.

Já no Brasil, onde a colheita está praticamente encerrada, os preços se mantiveram firmes, porém, com um viés de estagnação. A média gaúcha no balcão ficou em R$ 79,11/saco, enquanto no Paraná os preços oscilaram entre R$ 76,00 e R$ 77,00/saco.

O clima continua sendo o elemento central da atual safra de trigo nacional. Agora é o Estado de São Paulo que acusa perdas em função da falta de chuvas. O volume produzido seria de 260.000 toneladas, o que significa 15% a menos do que o projetado inicialmente. O fato é que o mercado está muito volátil, colocando a indústria moageira em dúvida quanto ao preço que deve fixar na farinha visando o repasse ao consumidor.

Por enquanto, o preço do trigo, e grande parte dos preços das demais commodities, estão sob influência da pandemia, especialmente agora com a chamada “segunda onda” da Covid-19 em grande parte do mundo.

No Rio Grande do Sul, a colheita do trigo chegava a 95% da área semeada no dia 12/11. Em muitas regiões do Estado a quebra é de 50%, enquanto em outras a mesma recua para 30% e até menos.

Enfim, o enfraquecimento do dólar no Brasil nos últimos dias tornou mais barato o trigo importado, fato que força uma pressão de baixa nos preços internos. Entre os dias 09 e 16 de novembro, segundo o Cepea/Esalq, o preço no Rio Grande do Sul recuou 2,3% e no Paraná 2,8%.

Segundo o último relatório da Conab, divulgado agora em novembro, a produção brasileira de trigo ficaria em 6,3 milhões de toneladas, sendo 7% menor do que o indicado no relatório anterior. Mesmo assim, julgamos que tal número ainda está superestimado frente as quebras importantes ocorridas no Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina e outros Estados. Mas, em ficando neste volume, as importações estão projetadas em 6,8 milhões de toneladas para este ano comercial, diante de um consumo interno esperado em 11,8 milhões de toneladas e exportações ao redor de 700.000 toneladas.


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Fonte: Informativo CEEMA UNJUÍ, do prof. Dr. Argemiro Luís Brum (1) e de Jaciele Moreira (2).

1 – Professor do DACEC/UNIJUI, doutor em economia internacional pela EHESS de Paris França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA.
2-  Analista do Laboratório de Economia da UNIJUI, bacharel em economia pela UNIJUÍ, Tecnóloga em Processos Gerenciais – UNIJUÍ e aluna do MBA – Finanças e Mercados de Capitais – UNIJUÍ e ADM – Administração UNIJUÍ

Texto originalmente publicado em:
CEEMA
Autor: CEEMA Unijui

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