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Déficit hídrico na cultura da soja

Fatores ambientais como qualidade dos solos, temperatura, radiação solar, umidade, disponibilidade hídrica, juntamente com as necessidades fisiológicas de cada cultivar, determinam a produtividade de uma lavoura. Por isso, é necessário que o produtor vise a melhor época de semeadura para que o ambiente esteja adequado para o desenvolvimento da planta durante todo o seu ciclo, atenuando os problemas de estresse causados pela variabilidade do ambiente.

A escassez hídrica acarreta consequências negativas para a lavoura. Visto que a atuação da água determina o bom funcionamento metabólico e fisiológico da planta, dentre eles a regulação térmica, turgescência e atua como solvente para os minerais disponíveis no solo, levando a absorção nutricional pelas raízes. Além disso, a água constitui aproximadamente 90% da massa da planta. As consequências prejudiciais iniciam quando a transpiração da planta é maior do que a absorção de água disponível no solo junto às raízes, caracterizando o déficit hídrico.



A quantidade de água disponível e o manejo adequado de irrigação durante a safra são fundamentais para o bom desenvolvimento da soja. Os períodos de germinação-emergência e floração-enchimento são os períodos mais sensíveis à escassez de água, pois constituem períodos cruciais para o crescimento da planta e a produtividade da cultivar, respectivamente, e a necessidade hídrica entra em declínio (Figura 1).

Figura 1. Evapotranspiração (ET) diária da cultura da soja ao longo dos estádios de desenvolvimento. Adaptado de Berlatoet al. (1986).

A cultura da soja precisa de uma disponibilidade hídrica uniforme. Dessa maneira, a irregularidade das chuvas no Rio Grande do Sul desafia os produtores gaúchos na tomada de decisão para evitar a deficiência hídrica. Condições que, somado ao contexto atual, com o avanço da soja em terras baixas (várzeas), o estresse hídrico ora se dá pela falta de água, ora pelo excesso, por isso os produtores devem dominar o conhecimento das condições de solos dessas áreas, para entenderem a sua capacidade de retenção e drenagem, além de verificar a previsão de precipitação que poderá ocorrer durante a safra.

No caso de deficiência hídrica, a planta se defende com mecanismos que atenuam na transpiração como: diminuição da área foliar e taxa fotossintética; fechamento dos estômatos; enrolamento das folhas, que leva à queda antecipada das flores; e a diminuição do número de vagens, afetando diretamente a produtividade. Estes são fatores que ocasionam uma estatura pouco desenvolvida e murcha (Figura 2) que também prejudica a formação dos componentes de produtividade.

Figura 2. Baixo desenvolvimento e murcha na planta de soja devido à seca. Fonte: agroadvisor<https://agroadvisor.com.br/estresse-hidrico-limita-recuperacao-de-produtividade-da-soja-201617-no-brasil-diz-fcstone/>.

Práticas agrícolas podem melhorar a qualidade do ambiente e auxiliar na manutenção da água na lavoura. O plantio direto, quando bem executado, com correções de solo e rotação de culturas estabelece uma qualidade de solo e cobertura vegetal que aumenta a retenção de água na lavoura. Práticas de conservação dos solos, principalmente o terraceamento, também tem sido utilizada para contenção de água das chuvas, com resultado apontado aumento da produção e grãos, principalmente nos anos mais secos.

Para que não haja perda na rentabilidade ocasionada pelo déficit hídrico é essencial que o produtor realize um planejamento visando o melhor aproveitamento dos recursos hídricos naturais com a escolha da data de semeadura que evite períodos críticos e efetue o manejo adequado da água que favoreça a sua melhor absorção por parte das raízes, como a cobertura do solo, rotação de culturas plantio em cotas e terraços.



Texto: Victória Brittes Inklman – Bolsista do grupo PET Agronomia/UFSM.


Foto de capa: Agro Advisor.

Equipe Mais Soja
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