A partir do desafio de produtividade do Comitê Estratégico Soja Brasil (CESB) percebeu-se que o diferencial nas lavouras de altas produtividades de soja foi “fazer o básico bem feito”. Dessa forma, além do uso de sementes de qualidade, a sanidade das plantas e condições climáticas favoráveis que são imprescindíveis, a melhoria do perfil de solo e a matéria orgânica atualmente estão aquém do necessário, sendo obtidas, com a rotação de culturas, correta identificação dos solos e suas limitações morfogenéticas, adequado manejo biológicos e conservacionista. Neste sentido, abordaremos o tema referente a cobertura de solos e seus benefícios na melhoria das condições produtivas.

A soja é o carro chefe na maioria das propriedades rurais, juntamente com o milho. Dessa forma, ao desenvolver estratégias para melhoria da qualidade do solo as mesmas são pensadas para a entressafra, sem que o agricultor abra mão das principais culturas agrícolas. A rotação de culturas melhora o perfil do solo por minimizar as restrições químicas e físicas impostas pela sucessão cultural nas áreas de cultivo. No sistema de plantio direto consolidado é a melhor opção, estando em alta o consórcio de plantas de inverno.

O consórcio de forrageiras tem benefícios como adubo verde trazendo incremento da fertilidade do solo. Isso ocorre através de diferentes aspectos, como: a diferença de capacidade de troca de cátions (CTC) entre as leguminosas e as gramíneas (apresentam elevada CTC); maior proteção do solo pela deposição da palhada; fixação do nitrogênio atmosférico; favorece a infiltração de água; melhor manutenção da matéria orgânica; proporciona maior controle da temperatura, pragas, doenças e das plantas daninhas.

Fonte: http://www.grupopozza.com.br/wp/?p=1146

As plantas de cobertura protegem o solo dos processos erosivos que ocasionam a lixiviação de nutrientes existentes nos horizontes superficiais, nos quais as raízes atuam. Tanto a palhada na superfície quanto o efeito das raízes são indispensáveis, pois, a capacidade produtiva do solo é dependente do teor de matéria orgânica, sendo este responsável pela retenção de água no solo, pela disponibilidade de nutrientes e estruturação do solo. Para melhorar a fertilidade, espécies como milheto, braquiárias, tremoço branco, mucuna, crotalária e nabo forrageiro tem a capacidade de ciclar nutrientes para os cultivos seguintes, sendo que a maioria das leguminosas atuam como fixadoras de nitrogênio no solo liberando de 20 a 30 kg de N ha-1 para a cultura subsequente.

A palhada deixada pelas forrageiras impede a germinação e desenvolvimento de plantas daninhas fotoblásticas positivas, visto que atua como impedimento físico à radiação solar, como é o caso da buva (Conyza spp.), importante invasora na cultura da soja. Dentre as alternativas encontradas, visa-se uma cobertura eficiente que é conseguida com uso de braquiárias. Além disso, existem plantas de cobertura alelopáticas como o azevém, que ao liberar exsudatos radiculares dificultam a emergência e/ou germinação das plantas daninhas.

Trabalhos como o de Cremonez (2018) ilustram a dinâmica de plantas forrageiras utilizadas em consórcio. Nesse estudo utilizaram-se plantas solteiras como nabo forrageiro, ervilhaca peluda, tremoço branco e sorgo forrageiro e os consórcios de nabo+aveia, nabo+sorgo, ervilhaca+aveia, ervilhaca+sorgo, tremoço+aveia, tremoço+sorgo e tremoço+ervilhaca. Isolado e em todos os consórcios o nabo forrageiro apresentou melhor e mais veloz cobertura de solo, no entanto, seu ciclo é mais curto que a das demais plantas de cobertura, o que reforça a importância de aliá-las no cultivo. Para supressão de plantas daninhas infestantes, segundo o autor, as únicas culturas que não proporcionaram um alto nível de controle foram o tremoço e o sorgo, novamente, o nabo forrageiro e o seu consórcio com aveia e sorgo suprimiram as plantas invasoras antes de 38 dias após semeadura (DAS), já a aveia solteira, também obteve superação do ponto crítico entre 52 e 58 DAS.

No trabalho de Cremonez (2018), da mesma forma que o observado para a porcentagem de área de solo coberta, as culturas do nabo forrageiro e da aveia preta se sobressaíram, atingindo um acúmulo de MS de 5360 kg ha-1 e 4335 kg ha-1, da mesma maneira ocorreu com os consórcios utilizando estas plantas. A cultura da aveia, foi a cultura que tanto solteira, quanto em consórcio, com exceção de quando em consórcio com o nabo, apresentou a menor decomposição, mantendo grande quantidade de matéria seca no decorrer do período avaliado sendo o tempo de meia vida da decomposição de 28 a 37 dias. Segundo o mesmo autor, nenhum dos tratamentos proporcionou melhoria das propriedades físicas e produtividade da soja, entretanto, todos os tratamentos apresentaram vantagens como a proteção do solo, ciclagem de nutrientes e supressão de plantas daninhas.

Sabendo-se que a safra de verão é preparada durante o inverno, e que os ganhos produtivos são maiores quando em rotação do que em sucessão, os consórcios são uma boa alternativa para a diversificação durante a entressafra de soja e milho. A melhor alternativa de consórcio obtida foi o uso de nabo forrageiro e aveia, para proteção do solo e supressão de plantas daninhas, reduzindo o banco de sementes e mostrando um auxílio eficiente no Manejo Integrado de Plantas Daninhas (MIPD).

Para mais informações, leia o texto a seguir: Uso de plantas de cobertura na entressafra de milho e soja.



Texto: Eduarda Grün – Bolsista do grupo PET Agronomia/UFSM.

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