InícioCONSOJADoses de nitrogênio e inoculação com Azospirillum brasilense na cultura do milho

Doses de nitrogênio e inoculação com Azospirillum brasilense na cultura do milho

Qual a influência da aplicação de doses de N e inoculação com Azospirillum brasilense sob os componentes produtivos do milho?

Autores: Eslaine Camicheli Lopes¹; Sabrina Cassia Fernandes1; Sheila Caioni1; Tiago Lisboa Parente1; Lara Caroline Alves de Oliveira1; Marco Antonio Camilo de Carvalho1; Edmar Santos Moreira2

Introdução

O milho é um cereal de grande importância econômica, cultivada em diversas regiões do mundo, principalmente, devido sua alta produtividade, valor nutricional, e às diversas formas de uso como fonte de alimento animal (SILVEIRA et al., 2015). Contudo, o nitrogênio é um dos nutrientes mais limitante para o desenvolvimento e produtividade desta cultura. Isso limita e gera a necessidade de se buscar tecnologias eficientes para o suprimento de N.

Desta maneira, dentre as tecnologias utilizadas na cultura do milho, se conhece as bactérias do gênero Azospirillum. Estas bactérias quando associadas à rizosfera das plantas, podem aumentar a disponibilidade de N através da fixação biológica, gerando estímulos para o crescimento das plantas, e produção de hormônios vegetais, os quais podem influenciar diretamente no crescimento radicular e, consequentemente, elevar a produtividade da cultura (CADORE et al., 2016).

Portanto, o presente estudo objetivou avaliar a influência da aplicação de doses de N e inoculação com Azospirillum brasilense sob os componentes produtivos do milho.

Material e Método

O experimento foi conduzido na Universidade do Estado de Mato grosso, campus de Alta Floresta, instalado sob sistema de plantio convencional, com semeadura da cultivar de milho Hibrido BG7049 YH, com espaçamento entre linhas de 50 cm. O solo da área experimental foi classificado como LATOSSOLO VERMELHO AMARELO Distrófico (Embrapa, 2013), com as seguintes características: matéria orgânica: argila: 254 g dm-3; silte: 62 g dm-3; areia: 681 g dm-3; pH em água: 6; P: 4,5 mg dm-3; K: 0,34 cmolc dm-3; Ca: 2,84 cmolc dm-3; Mg: 0,81 cmolc dm-3; SB: 3,99 cmolc dm-3; V: 59% e CTC: 6,8 cmolc dm-3.

A inoculação das sementes foi realizada momentos antes da semeadura, utilizando-se inoculante líquido com estirpes de bactérias A. brasilense, objetivando estande de 60.000 plantas ha-1. Posteriormente foi realizada a adubação de cobertura utilizando-se ureia como fonte de N (45% de N). A adubação foi parcelada em duas vezes, a primeira em estádio V4 e a segunda em V6. A inoculação com A. brasilense via foliar foi realizada após a adubação de cobertura (estádio V5) em metade das parcelas, aplicando-se 300 mL ha-1 do inoculante, com auxílio de pulverizador costal manual pressurizado com vazão de 200 L ha-1.

As variáveis avaliadas foram, índice de cor verde, altura de inserção de espiga, e diâmetro de colmo, avaliadas em 10 plantas por parcela. O índice de cor verde foi determinado durante o florescimento feminino (embonecamento), com o auxílio de clorofilômetro digital portátil Minolta modelo SPAD 502, com leituras aferidas no terço médio da folha da base da espiga.

Os resultados foram submetidos à análise de variância pelo teste F (P≤0,05), e a resposta da cultura às doses de N foram submetidas à regressão polinomial, enquanto que o efeito dos modos de inoculação com A. brasilense foi testado através do teste de Tukey. A análise estatística foi realizada com auxílio do software SISVAR® (Ferreira, 2011).

Resultados e discussão

Analisando-se os resultados, verifica-se que para as doses de N, houve diferença significativa para a altura de inserção de espiga, onde as médias ajustaram-se a um modelo de regressão linear (Figura 1), o que pode ser explicado pelo fato do nitrogênio ser o nutriente mais exigido pela cultura do milho, pois faz parte da síntese das moléculas de clorofila, afetando diretamente a fotossíntese da planta, composição de enzimas e outros compostos importantes para o desenvolvimento vegetal.

A variável diâmetro de colmo respondeu significativamente apenas para o fator doses, ajustando-se a um modelo quadrático (Figura 2), com ponto de máxima resposta na dose de 143 kg ha-1, atingindo 17 mm de diâmetro. Estes resultados evidenciam a importância de se fornecer doses adequadas do nutriente, que proporcionem um bom desenvolvimento da planta. O diâmetro de colmo é uma variável importante, pelo fato do mesmo estar relacionado com a transferência de carboidratos para formação e enchimento de grãos (Correa et al., 2008). Além disso, colmos com diâmetro maior também apresentam maior resistência ao tombamento, evitando perdas no estande de plantas por ocasião de intempéries climáticas (chuvas forte e vento). Para a variável índice de cor verde, também houve resposta significativa apenas para as doses de N em cobertura, com comportamento linear crescente, indicando que com o aumento das doses de N, maior foi o índice de cor verde obtido, conforme demonstrado na Figura 3.

Quanto maior a quantidade de N foliar, maior será o crescimento e desenvolvimento da planta, permitindo maior índice de área foliar e consequentemente uma elevação na síntese de carboidratos pelo processo de fotossíntese.

Conclusão

Nas condições do presente trabalho, as variáveis avaliadas responderam significativamente apenas para o fator dose, evidenciando que a planta teve maiores respostas com o aumento das doses de N.

Referências

CADORE, R.; COSTA NETTO, A.P DA; REIS, E.F DOS; RAGAGNIN, V.A; FREITAS, D.S; LIMA,
T.P DE; ROSSATO, M. & D’ABADIA, A.C.A. Híbridos de milho inoculados com Azospirillum brasilense sob diferentes doses de nitrogênio. Revista Brasileira de Milho e Sorgo, 15:399-410, 2016.

CORREA, O. S.; ROMERO, A. M.; SORIA, M. A. & DE ESTRADA, M. Azospirillum brasilenseplant genotype interactions modify tomato response to bacterial diseases, and root and foliar microbial communities. In: CASSÁN, F. D.; GARCIA, S. I. (Ed.) Azospirillum sp.: cell physiology, plant interactions and agronomic research in Argentina. Buenos Aires: Asociación Argentina de Microbiologia, p. 87-95, 2008.

EMBRAPA. Sistema Brasileiro de Classificação de Solos. Rio de Janeiro: Centro Nacional de
Pesquisa de Solos, 2013.

FERREIRA, D. F. Sisvar: a computer statistical analysis system. Ciência e agrotecnologia,
Lavras. v. 35, n. 6, p. 1039-1042, 2011.

SILVEIRA, D. C.; MONTEIRO, V. B.; TRAGNAGO, J. L. & BONETTI, L. P. Caracterização agromorfológica de variedades de milho crioulo (Zea mays l.) na região noroeste do Rio Grande do Sul. Revista Ciência e Tecnologia, 1:1-11, 2015.

Informações sobre os autores:

¹ Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT), Alta Floresta/MT. E-mail: eslainelopes61@gmail.com, sabrinacassia1999@hotmail.com; Sheila_Caioni@hotmail.com;
mail:marcocarvalho@unemat.br; tiago.c4@hotmail.com

2Acadêmico do curso de Engenharia Florestal, Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT), Alta Floresta/MT. E-mail: edmar.moreira@unemat.br

Equipe Mais Soja
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