Dessa forma, objetivou-se avaliar doses de adubação potássica em cobertura na cultura do milho e seus componentes agronômicos e produtivos, cultivado sob irrigação no período de outono/inverno em Sistema Plantio Direto.

Autores: Hugo Henrique Andrade Meneghette(1); João William Bossolani(1); Fabiana Lopes dos Santos(1); Bianca Revolti Oliveira(1); Eduardo Felix de Lima(1); Edson Lazarini(1)

Introdução 

O milho (Zea mays L.) é amplamente cultivado no Brasil, principalmente pela sua vasta utilização na agricultura nacional (CRUZ, 2019). Fancelli (2010) mencionou que para que se obtenha um rendimento satisfatório em relação ao cultivo do milho, é necessário que se atente para o estabelecimento de programas de manejo e nutrição em relação a utilização de fertilizantes, e também é preciso adotar certas medidas recomendadas a fim de se expressar o máximo do potencial genético do material.

Valderrama et al. (2011) afirmam que dentre os principais fatores considerados responsáveis por baixa produtividade dos grãos está a baixa disponibilidade de nutrientes no solo. O K no milho tem uma interferência direta na massa de grãos e na quantidade de grãos por espiga, e é o segundo nutriente com maior absorção da cultura, sua ciclagem dá-se por este nutriente estar presente na forma iônica (K+) no tecido, assim com a senescência da planta o seu retorno ao solo acontece (DE OLIVEIRA et al., 2019).

Dessa forma, objetivou-se avaliar doses de adubação potássica em cobertura na cultura do milho e seus componentes agronômicos e produtivos, cultivado sob irrigação no período de outono/inverno em Sistema Plantio Direto.

Material e Métodos 

O experimento foi desenvolvido na área experimental da Faculdade de Engenharia/UNESP, localizada no município de Selvíria – MS, com altitude aproximada de 335 m, sendo realizado no ano agrícola de 2016/2017. O clima da região é Aw. A área possui um solo do tipo Latossolo Vermelho distrófico (LVd) com textura argilosa.

O delineamento experimental utilizado foi de blocos casualizados, com nove tratamentos e quatro repetições. Os tratamentos foram compostos de doses de K2O (0, 15, 30, 45, 60, 75, 90, 120, 150 kg ha-1) na forma de KCl, aplicados na linha de plantio do milho.

O milho foi semeado no dia 14 de abril de 2016 e foi usado o hibrido DKB 390 VTPRO 2 com espaçamento de 0,45 m e densidade de 3,25 plantas m-1, com população esperada de 65.000 plantas ha-1. A colheita foi realizada 137 DAE.

Após a maturação fisiológica da cultura da soja, realizou-se a contagem de estande final e medição de altura de plantas e altura de inserção de vagens utilizando de 10 plantas seguidas, das quais também avaliou-se o número de vagens por planta. Também, 15 m2 de cada parcela foram colhidos para estimar a produtividade da cultura e massa de 100 grãos. Os dados foram transformados para umidade de 130 g kg-1.

Resultados e Discussão

A população de plantas, altura de plantas e altura de inserção da espiga não foram influenciadas significativamente pelas doses de K2O utilizadas (Figura 1A, 1B e 1C). As médias para o número de grãos por espiga ajustaram-se a uma equação quadrática, com DMET (dose de máxima eficiência técnica) de 75 kg ha-1 de K2O e valor máximo de 491 grãos por espiga (Figura 1D). A massa de 100 grãos aumentou linearmente em função do aumento nas doses de K2O, atingindo valor máximo de 35,4 g na maior dose do fertilizante (Figura 1E). A produtividade de grãos de milho apresentou tendência semelhante ao obtido pelo número de grãos por espiga, ajustando-se a uma equação quadrática, com DMET de 83 kg ha-1 e produtividade máxima de 6,85 Mg ha-1 (Figura 1F).

A produção final de grãos é intimamente relacionada com a quantidade de grãos formados e a massa dos mesmos, e é determinada pela taxa de transporte e assimilação durante o período do enchimento de grãos (YANG & ZHANG, 2005). Tanto a translocação direta dos assimilados, quanto a redistribuição do pool de reserva de assimilados contribuem para o preenchimento de grãos (CEYLAN et al., 2016).

Entre as várias funções do K na planta, a regulação da turgidez dos tecidos, abertura e fechamento dos estômatos e controle da transpiração são fundamentais para aumentar a eficiência de uso da água pelo vegetal (COPPO, 2017). De maneira semelhante ao Mg, o K desempenha papéis proeminentes nos processos que estão fortemente associados à fotossíntese e à translocação de fotossintatos (TRÄNKNER et al., 2018).

Conclusão 

A fertilização potássica em cobertura na cultura do milho sob sistema de plantio direto influi positivamente nos componentes produtivos e produtividade de grãos. A aplicação de aproximadamente 80 kg ha-1 de K2O resulta em altos rendimentos de grãos da cultura.

Referências 

CEYLAN, Y.; KUTMAN, U.B.; MENGUTAY, M.; CAKMAK, I. Magnesium applications to growth medium and foliage affect the starch distribution, increase the grain size and improve the seed germination in wheat. Plant and Soil, v.406, n.1-2, p.145-156, 2016.

CRUZ, J. C. Cultivo do Milho. Embrapa Milho e Sorgo, [s.i], v. 6, n. 2, p.1-10, set. 2010. Disponível em: https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/27037/1/Plantio.pdf. Acesso em: 26 abr. 2019.

FANCELLI, A. L. Boas práticas para uso eficiente de fertilizantes na cultura de milho. International Plant Nutrition Institute, Piracicaba, v. 96, n. 131, p.1-16, set. 2010.

TRÄNKNER, M.; TAVAKOL, E.; JÁKLI, B. Functioning of potassium and magnesium in photosynthesis, photosynthate translocation and photoprotection. Physiologia Plantarum, v.163, p.414-431, 2018.

VALDERRAMA, M. Fontes e doses de NPK em milho irrigado sob plantio direto. Pesquisa Agropecuária Tropical, Goiânia, v.41, n.2, p.254-263, jun. 2011.

YANG, J.C.; ZHANG, J.H. Grain filling of cereals under soil drying. New Phytologist, v.169, p.223-236, 2005.

Informações sobre os autores:

  • (1) Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (UNESP) – Campus de Ilha
    Solteira. E-mail: hugoh96@gmail.com

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