Um estudo desenvolvido no Programa de Pós-graduação em Engenharia de Sistemas Agrícolas, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP) determinou a melhor data de semeadura para o sistema de produção em sucessão soja – milho safrinha, baseado na rentabilidade econômica em escala nacional.

“Também indicamos a influência das fases do ENOS (El Niño, La Niña e Neutro) sobre a sucessão soja – milho safrinha em diferentes datas de semeaduras e determinamos a magnitude da quebra de produtividade devido ao déficit hídrico e ao manejo sub ótimo do cultivo”, explica Rogério de Souza Nóia Júnior, autor da dissertação que teve orientação do professor Paulo César Sentelhas, do departamento de Engenharia de Biossistemas.

Para atingir os objetivos, os pesquisadores realizaram simulações de produtividade para soja e milho safrinha usando três modelos (FAO-AZM, DSSAT e APSIM). Segundo Rogério, as produtividades das culturas da soja e do milho foram simuladas para 29 locais em 12 estados, com as datas de semeadura da soja variando de 21 de setembro a 1º de janeiro, para um período de 34 anos (1980-2013). “A semeadura do milho ocorreu imediatamente após a colheita da soja.  A produtividade foi convertida em receita bruta a partir de sua multiplicação pelo preço de venda da soja e do milho praticados no Brasil, e então, convertidos em receita líquida diminuindo da receita bruta os custos de produção em cada região do Brasil”, explica o engenheiro agrônomo.

Os resultados indicam que a máxima produtividade para a cultura da soja, para a maior parte do território brasileiro, é obtida quando se realiza a semeadura em outubro. “Por outro lado, nota-se que o atraso da semeadura da soja, a partir do fim do vazio sanitário, gera perdas, quase de forma linear, no potencial produtivo do milho safrinha”, ressalva Rogério.

Como conclusão, para a maior parte das localidades estudadas, a máxima produtividade possível, das culturas cultivadas em sucessão, é obtida quando se antecipa a semeadura da soja para setembro. “Entre as localidades estudadas, a exceção é o município de Altamira, no estado do Pará, onde o início da estação chuvosa é dado em novembro, e a duração deste período é de cerca de nove meses, assim, o intervalo ideal de semeadura dá-se partir dos primeiros dez dias de novembro”, detalha o pesquisador.

El Niño e La Niña – Rogério aponta que a data ótima de semeadura para a sucessão soja – milho safrinha pode variar de acordo com o fenômeno La Niña e El Niño. “A antecipação da semeadura da soja para o final de setembro, permite que o cultivo do milho safrinha seja realizado em época com condições climáticas favoráveis. Contudo, os nossos resultados indicam que em anos de La Niña, a antecipação da semeadura da soja na região Sul do Brasil pode causar perdas de produtividade que superam 300 kg ha-1 para soja e 1000 kg ha-1 para o milho safrinha. Por outro lado, para a mesma região, os riscos da antecipação da semeadura da soja são minimizados em anos de El Niño. Nas regiões localizadas ao Norte do país, o efeito é contrário, ou seja, a janela ótima de semeadura se alonga em anos de La Niña, e encurta em anos de El Niño”, finaliza

Os trabalhos resultantes do estudo estão publicados e podem ser consultados na íntegra em:

https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1161030118304325

https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0308521X18312691

Texto: Caio Albuquerque (17/09/2019)

Fonte: Portal da Esalq.

Texto originalmente publicado em:
Portal da Esalq
Autor: Portal da Esalq

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