O objetivo desse trabalho foi avaliar a tensão superficial por meio do goniômetro KRÜSS DSA25 pelo método da gota pendente e a eficiência do inseticida Dipel®, Bacillus thuringiensis, var. kurstaki, linhagem HD-1, quando aplicado na soja com e sem adjuvantes em diferentes horários do dia para o controle de Chrysodeixis includens (Walker, [1858]) (Lepidoptera: Noctuidae).

Autores: MILENA CAYE1, ADRIANO A. MELO2, ODERLEI BERNARDI2, BRUNA L. HETTWER3, MANOELA R. HANICH4, LUCAS E. HAHN5

Introdução

Trabalho disponível nos Anais do Evento e publicado com o consentimento dos autores.

Entre os principais fatores limitantes da produtividade da soja (Glycine max) estão os problemas fitossanitários. Dentre eles, destaca-se a ocorrência de insetos-pragas, como a lagarta falsa medideira, Chrysodeixis includens (Walker, [1858]) (Lepidoptera: Noctuidae). A lagarta ataca as folhas, destruindo o limbo foliar, deixando apenas as nervuras (GAZZONI et al., 1988). Uma das alternativas para o controle da espécie C. includens é o uso de inseticidas biológicos, dentre eles, o Dipel®, Bacillus thuringiensis, var. kurstaki, linhagem HD-1 (Bacillales: Bacillaceae). Esse, quando ingerido pelo inseto alvo, é caracterizado por produzir cristais proteicos tóxicos que se ligam a receptores do intestino médio causando desequilíbrio osmótico das células, que ao se romperem extravasam o conteúdo intestinal do inseto, levando-o a morte (POLANCZYK; ALVES, 2004; PRAÇA et al., 2004). Ainda, para modificar as condições da calda de aplicação tem-se o uso de adjuvantes, que aumentam a qualidade da aplicação e a eficiência biológica do inseticida (MELO, 2015), podendo ainda, alterar as características físico- químicas da calda de pulverização, diminuindo a tensão superficial o que resulta em melhor molhabilidade (IOST & RAETANO, 2010). Nesse contexto, o objetivo desse trabalho foi avaliar a tensão superficial e a eficiência do inseticida Dipel®, quando aplicado na soja com e sem adjuvantes em diferentes horários do dia para o controle de C. includens.

Material e Métodos

O experimento foi conduzido em campo durante a safra agrícola 2018/19 na área experimental do Departamento de Defesa Fitossanitária da Universidade Federal de Santa Maria, Santa Maria – RS (29º42’52,78” S e 53º44’06,29”O). A cultivar de soja utilizada foi TMG 7161 RR, semeada no dia 25/01/2019 com espaçamento de 0,45 metros entre linhas e densidade de 14 sementes/m linear. As unidades experimentais utilizadas mediam 4 x 6 m (24 m²). O experimento foi dividido em cinco tratamentos, nos quais se testou o uso de três adjuvantes diferentes e a associação desses com o inseticida biológico Dipel® a fim de avaliar tanto a eficiência no controle de Chrysodeixis includens (Walker, [1858]) (Lepidoptera: Noctuidae), bem como a tensão superficial da calda.

Os tratamentos utilizados consistiram na associação do inseticida Dipel®, Bacillus thuringiensis, var. kurstaki, linhagem HD-1, com os adjuvantes: Nimbus na dose de 0,5% do volume de calda, Break Thru® S 240 na dose de 0,05% do volume de calda e Extremo na dose de 0,5% do volume de calda. As aplicações dos tratamentos foram realizadas com um pulverizador costal, pressurizado com CO2, dotado com barra de 2 metros com 4 pontas do tipo leque XR 110.015 espaçados 0,5 metros, calibrado para o volume de calda de 150 L ha-1 (Figura 1a). As aplicações foram realizadas quando as plantas estavam no estádio R1 (FEHR & CAVINESS, 1981). As aplicações ocorreram com temperatura de 17°C, 90% de umidade relativa do ar (UR%) e velocidade do vento de 7,2 km/h.

Após uma hora da aplicação foram coletadas folhas completamente expandidas do terço superior de cada tratamento e colocadas em potes com ágar e papel filtro, visando manter a turgescência da folha durante o período de avaliação, já o papel filtro tem função de evitar o contato direto da lagarta com o ágar depositado no fundo do pote. Antes de realizar a infestação das lagartas nas folhas de soja pulverizadas com os tratamentos, se fez durante 24 horas a adaptação da dieta das lagartas com folhas de soja, ou seja, as lagartas foram transferidas para potes com folhas de soja para que se alimentassem das folhas durante o período de 24 horas. Cada pote recebeu uma folha tratada e uma lagarta de 3° instar totalizando 52 potes/lagartas/tratamento, divididos em 4 repetições com 13 potes/lagartas em cada um dos tratamentos. As lagartas utilizadas foram da espécie Chrysodeixis includens, da criação do Laboratório de Entomologia do CCR-UFSM mantidas com dieta artificial e em condições controladas.

As avaliações do número de lagartas mortas foram realizadas aos 7 dias após a infestação nas folhas, a fim de determinar a eficiência de controle da C. includens dos tratamentos. As lagartas foram consideradas mortas se após um leve toque de pincel não apresentavam nenhum movimento aparente (Figura 1B). Para análise de tensão superficial foram feitas 10 repetições por tratamento por meio do goniômetro KRÜSS DSA25 pelo método da gota pendente (Figura 1C). Os dados obtidos de mortalidade de C. includens conforme horário de aplicação foram submetidos ao teste de Tukey (P ≤ 0,05), utilizando-se o software estatístico R, enquanto os dados obtidos de tensão superficial foram submetidos ao teste de Tukey (P≤ 0,05), utilizando-se do software estatístico SASM-Agri.

Figura 1. A aplicação dos tratamentos com o pulverizador costal pressurizado com CO2 (a) eficiência no controle da C. includens após infestação em folhas pulverizadas com os tratamentos (b), avaliação da tensão superficial dos tratamentos através do goniômetro KRÜSS DSA25 pelo método da gota pendente (c).

Resultados e Discussão

A porcentagem de mortalidade de Chrysodeixis includens em função da aplicação do inseticida Dipel® e associação com adjuvantes sete dias após infestação apresentou diferença estatística (tabela 1). Obteve-se um aumento na eficiência de controle quando aplicado com adjuvantes em relação a aplicação apenas do inseticida. Obteve-se maior eficiência de controle da lagarta nos tratamentos Dipel® associado com Break Thru® S 240 (0,05%) e Dipel® associado ao Extremo (0,5%) com 88,46% e 90,38% de mortalidade respectivamente. Esse aumento da eficiência no controle de C. includens nos tratamentos com adjuvantes pode estar relacionado com a diminuição da tensão superficial da calda de pulverização (tabela 1). Os óleos influenciam diversos fatores nas pulverizações agrícolas, entre eles, a redução da tensão superficial, que diminui o ângulo de contato, resultando numa melhor cobertura da superfície, facilitando o contato do produto com o alvo biológico (QUEIROZ et al., 2008). Ainda, é possível perceber que os tratamentos que se destacaram quanto a eficiência no controle de C. includens tiveram menores valores de tensão superficial para calda de pulverização, isto é, 24,2 mNm-¹ para Dipel® associado com Break Thru® S 240 (0,05%) e 23,3 mNm-¹ para Dipel® associado a Extremo (0,5%). Os demais tratamentos associados a adjuvantes diferiram estatisticamente quanto a porcentagem de mortalidade da lagarta e a tensão superficial em relação ao tratamento em que foi aplicado apenas o inseticida.

Tabela 1. Mortalidade de Chrysodeixis includens e tensão superficial da calda de pulverização em função da aplicação do inseticida Dipel® e associação com adjuvantes sete dias após infestação.

Conclusões

A adição Break Thru® S 240 (0,05%) e de Extremo (0,5%) na calda de pulverização interferiram positivamente, tanto no controle de Chrysodeixis includens, quanto na redução da tensão superficial em relação aos demais tratamentos.

Referências

GAZZONI, D. L.; OLIVEIRA, E. B., CORSO, I. C.; CORRÊA FERREIRA, B.S.; VILLAS BÔAS, G.

L.; MOSCARDI, F.; PANIZZI, A.R. Manejo de Pragas da Soja. Londrina: EMBRAPA-CNPSo – Circular técnica, 5. 1988. 44p.

MELO, A. A. et al. Impact of tank-mix adjuvants on deposit formation, cuticular penetration and rain- induced removal of chlorantraniliprole. Crop Protection, v. 78, p. 253-262, 2015.

POLANCZYK, R.; ALVES, S. Bacillus thuringiensis: uma breve revisão. Agrociência, Pelotas, v.7, n.1, p.1-10, 2003.

QUEIROZ, A. A.; MARTINS, J. A. S.; CUNHA, J. P. A. R. Adjuvantes e qualidade da água na aplicação de agrotóxicos. Bioscience Journal, v.24, n.4, p.8-19, dez. 2008.

Informações dos autores

1Aluna de graduação, Universidade Federal de Santa Maria, UFSM, Santa Maria/RS Brasil, Fone (55) 99988-2672, milenacayebvb@hotmail.com;

2Engenheiro Agrônomo, Professor Adjunto, Dep. Defesa fitossanitária, Universidade Federal de Santa Maria, UFSM, Santa Maria/RS;

3Engenheira Agrônoma, Aluna de Mestrado, Programa de Pós-Graduação em Agronomia, UFSM, Santa Maria/RS;

4Aluna de graduação, Universidade Federal de Santa Maria, UFSM, Santa Maria/RS;

5Aluno de graduação, Universidade Federal de Santa Maria, UFSM, Santa Maria/RS.

 

Nenhum comentário

Deixar um comentário

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.