Este trabalho tem por objetivo verificar a eficácia no controle da ferrugem asiática da soja por diferentes fungicidas multissítios, aplicados de forma isolada ou em misturas, na região oeste do Paraná.

Autores: MUHL, A.1; ROY, J.M.T.1; MADALOSSO, T.1; FAVERO, F.1; NOGUEIRA, A.C.C.1; HOELSCHER, G.L.1

Trabalho publicado nos Anais do evento e divulgado com a autorização dos autores.

Introdução

Ensaios visando à eficiência de fungicidas para o controle de doenças na cultura da soja vêm sendo realizados ao longo dos anos, e muitos resultados já estão bem consolidados. Para a ferrugem-asiática da soja, uma das doenças mais severas da cultura, a uma correlação direta entre aumento de controle e aumento de produtividade, e essas informações são de extrema importância no manejo da doença. Em vista do fungo Phakopsora pachyrhizi, causador da ferrugem-asiática da soja possuir elevada capacidade de redução de produtividade da cultura (Yorinori et al., 2005).

É importante adotar estratégias para o manejo dessa doença, estas incluem o uso de cultivares resistentes, a utilização de fungicidas, antecipação da semeadura, o uso de cultivares precoces, ausência de cultivo na entressafra e controle de plantas voluntárias de soja remanescentes nas áreas de cultivo. Com aumento das áreas cultivadas de soja, o uso de fungicidas se consolidou como a estratégia de manejo mais difundida, porém isso tem colaborado na seleção de espécies resistentes às moléculas atualmente utilizadas. Na safra 2007/2008 o primeiro grupo a perder desempenho a campo devido à resistência foram os triazóis (DMIs). Em 2013/2014 foi detectada pela primeira vez no fungo Phakopsora pachyrhizi a mutação na posição F129L do gene do citocromo “b” (Klosowski et al., 2015), essa mutação confere resistência parcial ao grupo químico das estrobilurinas (QoIs). Na safra 2015/2016 foi detectada outra mutação na subunidade C na posição I86F, conferindo perda de sensibilidade ao grupo químico das carboxamidas (SDHIs) (FRAC, 2017).

Devido ao aumento dos casos de seleção de grupos mutantes, vem ocorrendo a diminuição da eficiência dos fungicidas comumente utilizados para o controle da ferrugem. Em vista disso, fungicidas com múltiplos sítios de atuação nos patógenos (multissítios), vem sendo utilizados em misturas com produtos de sitio especifico, buscando recuperar a eficiência dos programas de manejo de fungicidas, pois além de seu desempenho individual, quando aplicado em conjunto aos de sítio especifico, confere proteção as moléculas, tornando-se uma importante ferramenta para o manejo de resistência da ferrugem asiática da soja. Portanto este trabalho tem por objetivo verificar a eficácia no controle da ferrugem asiática da soja por diferentes fungicidas multissítios, aplicados de forma isolada ou em misturas, na região oeste do Paraná.

Material e Métodos

O experimento foi realizado no Centro de Pesquisa Agrícola da Copacol (CPA), no município de Cafelândia, PR, no período de outubro de 2018 a março de 2019. A área em estudo possui altitude de 580 m. A semeadura da soja foi realizada no dia 29 de outubro de 2018 em restos culturais de aveia preta que era a cultura de cobertura antecessora. A cultivar utilizada foi o Monsoy 5947 IPRO, de hábito de crescimento indeterminado, grupo de maturação 5.9 e ciclo médio de 125 dias para a região. A  adubação de base utilizada foi de 300 kg/ha da formulação 04-24-16 N P2O5 K20, respectivamente. A taxa de semeadura foi de 10,8 sementes/m e o espaçamento entre linha de 0,5 m.

O delineamento experimental utilizado nos ensaios foi o de blocos casualizados com quatro repetições. As unidades experimentais mediam 2,5 m de largura e 10 m de comprimento totalizando 25 m², sendo a área útil 1,5 m de largura por 10 m de comprimento totalizando uma área de 15 m². O experimento 1 consistiu da aplicação dos fungicidas multissítios isoladamente contendo 20 tratamentos, enquanto no experimento 2 estes mesmos produtos foram aplicados em mistura ao fungicida Fusão contendo 23 tratamentos. As aplicações dos fungicidas foram realizadas com equipamento costal pressurizado com CO2, com volume de calda de 200 L/ha, utilizando a ponta de pulverização BD 110 015 na pressão de 2,0 kgf/cm2, o que gera um espectro de gotas finas.

Foram realizadas quatro aplicações de fungicidas no ciclo da cultura. A primeira aplicação foi realizada no dia 17/12/2018 (estádio R1) que coincide com o “fechamento de linhas”, e as demais aplicações sempre respeitando um intervalo entre 14 e 16 dias. Realizou-se a avaliação da severidade de ferrugem asiática aos 10 e 19 dias após a quarta aplicação de fungicida seguindo a escala diagramática proposta por (Godoy et al., 2005). A severidade foi determinada a partir da média das duas avaliações. A desfolha da soja também foi avaliada por meio de notas de 0 a 100% no momento em que a testemunha apresentasse desfolha superior a 95%. Determinou-se também o rendimento de grãos (kg/ha) corrigindo a umidade para 13%. As variáveis analisadas foram submetidas à análise de variância pelo teste F e as médias agrupadas pelo teste Scott Knott a 5% de probabilidade de erro.

Resultados e Discussão

Segundo a Tabela 1 houve diferença significativa para todas as variáveis analisadas (p>0,05). Para a variável severidade todos os tratamentos apresentaram menor índice em relação a testemunha, porem quando comparados entre si os tratamentos 11, 15, 17 e 18 apresentaram maior severidade em relação aos demais, consequentemente tiveram as menores notas de controles. Já para avaliação de desfolha, a testemunha e o tratamento 15 foram os que apresentaram maior nota de desfolha, enquanto os demais tratamentos tiveram as menores notas. A maioria dos programas de aplicações de fungicidas diferenciou
estatisticamente da testemunha no rendimento de grãos, exceto o tratamento numero 15. Os tratamentos com os maiores rendimentos de grãos foram o 2, 4, 5, 10, 12, 16, 17, 18, 19 e 20.

A redução de rendimento (RR) da testemunha em relação ao melhor tratamento foi de 13,5%. Para variável severidade (Tabela 2) as maiores notas foram observadas na testemunha, os demais tratamentos não diferiram entre si, o mesmo aconteceu com a avaliação de desfolha. Já para o rendimento de grãos a menor produtividade foi observada na parcela da testemunha, quando comparados entres si, o grupo constituído dos tratamentos 18,19 e 20 apresenta o menor rendimento de grãos em comparação aos demais. A redução de rendimento (RR) da testemunha em relação ao melhor tratamento foi de 18%.

Tabela 1. Severidade (SV), controle (CT), desfolha (DF), rendimento de grãos (RG) e redução de rendimento (RR) em função de ferrugem asiática da soja com uso de diferentes fungicidas multissitios, Cafelândia – PR, safra 2018-2019.

Tabela 2. Severidade (SV), controle (CT), desfolha (DF), rendimento de grãos (RG) e redução de rendimento (RR) em função de ferrugem asiática da soja com uso de diferentes fungicidas multissitios, Cafelândia – PR, safra 2018-2019.

Conclusão

Com esse trabalho pode-se perceber que a diminuição na eficiência dos produtos de sitio específico, os produtos com vários sítios de ação (multissítios) têm se tornados fundamentais para os programas de manejo, além de complementar o fungicida de sitio especifico, quando trabalhados de forma isolada apresentam um bom desempenho no controle de doenças da soja.


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Referências

FRAC. Informação sobre carboxamidas em ferrugem da soja. Disponível em:  <http://www.frac-br.org>. Acesso em: 13 mai. 2019.

GODOY, C. V.; KOGA, L. J.; CANTERI, M. G. Diagrammatic scale for assessment of soybean rust severity. Fitopatologia Brasileira, v. 31, p. 63-68, 2005.

KLOSOWSKI, A. C.; MAY DE MIO, L.L.; MIESSNER, S.; RODRIGUES, R.; STAMMLER, G. Detection of the F129L mutation in the cytochrome b gene in Phakopsora pachyrhizi. Pest Management Science, v. 72, n. 6, p. 1211-1215, 2016. DOI: 10.1002/ps. 4099.

YORINORI, J. T.; PAIVA, W. M.; FREDERICK, R. D.; COSTAMILAN, L. M.; BERTAGNOLLI, P. F.; HARTMAN, G. L.; GODOY, C. V.; NUNES JUNIOR, J. Epidemics of soybean rust (Phakopsora pachyrhizi) in Brazil and Paraguay. Plant Disease, v. 89, p. 675-677, 2005.

Informações dos autores

1Centro de Pesquisa Agrícola, Rod. PR 180 km 269, CEP 85415-000, Cafelândia-PR. ariel.muhl@copacol.com.br

Disponível em: Anais da 37ª Reunião de Pesquisa de Soja. Londrina – PR, Brasil.

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