Na grande maioria dos cultivos, a produtividade é uma das principais variáveis analisadas, sendo almejado seu aumento sempre que possível. Entretanto, a produtividade da soja é uma variável complexa, que expressa a interação genética com o ambiente e está diretamente relacionada a práticas de manejo, que podem potencializar ou não a produtividade dos grãos (Zanon et al., 2018).

Tendo em vista a complexidade dessa variável Zanon et al. (2018) destacam que para melhor definição da produtividade, pode-se dividi-la em componentes, sendo alguns deles número de plantas por área, número de legumes por plantas, número de grãos por legumes, massa de grãos (peso de mil grãos) entre outros…

Da mesma forma, para melhor definição de práticas de manejo, tais como o monitoramento de pragas e doenças pode-se dividir a planta de soja em terços, sendo eles, o terço inferior, médio e superior. Dessa forma, é possível priorizar certas práticas de manejo e defini-las com base nas caraterísticas da arquitetônicas da planta.

Figura 1. Planta de soja dividida em: terço inferior, terço médio e terço superior.

Fonte: Turra et al. (2018)

Mas qual terço da planta produz mais?

Embora a produtividade nos terços da planta esteja intimamente ligada ao material genético, avaliando a arquitetura de plantas de soja e sua influência na interceptação da radiação solar, deposição de produtos fitossanitários e produtividade da soja”, Müller (2017) observou que a grande maioria das cultivares avaliadas apresentam maior produtividade no terço médio da planta, conforme destacado na tabela 1.



Tabela 1. Estratificação dos componentes de rendimento por terços em diferentes cultivares de soja, com distintas características arquitetônicas.

Adaptado: Müller (2017)

Da mesma forma, avaliando “rendimento e propriedades físicas de grãos de soja em função da arquitetura de planta”, Turra et al. (2018) observaram que dentre as 10 cultivares avaliadas pelos autores, seis cultivares apresentaram maior massa de grãos no terço médio da planta (tabela 2).

Tabela 2. Valores observados de produtividade e massa de grãos de cultivares de soja em função da posição na planta.

Médias seguidas pelas mesmas letras minúsculas na coluna e maiúsculas na linha, não diferem entre si pelo teste de Scott Knott a 5% de probabilidade.
Fonte: Turra et al. (2018)

Embora a produtividade esteja ligada a fatores como genética da cultivar, condições ambientais e tratos culturais, com base nos resultados obtidos por Müller (2017) e Turra et al. (2018), é possível afirmar que para a maior parte das cultivares, o terço médio apresenta maior produtividade em relação aos terços inferiores e superiores. Contudo, alguma variabilidade quanto a esse fator pode ser observada dependendo da cultivar e as caraterísticas a qual ela é submetida ao crescimento e desenvolvimento.


Veja também: Índice de área foliar para atingir potencial de produtividade em soja


Referências:

MÜLLER, M. ARQUITETURA DE PLANTAS DE SOJA: INTERCEPTAÇÃO DE RADIAÇÃO SOLAR, DEPOSIÇÃO DE PRODUTOS FITOSANITÁRIOS E PRODUTIVIDADE. Universidade de Passo Fundo, Dissertação de mestrado, 2017. Disponível em: < http://tede.upf.br/jspui/bitstream/tede/1371/2/2017MarieleMuller.pdf >, acesso em: 08/01/2021.

TURRA, F. V. et al. RENDIMENTO E PROPRIEDADES FÍSICAS DE GRÃOS DE SOJA EM FUNÇÃO DA ARQUITETURA DA PLANTA. Anais – VII Conferência Brasileira de Pós-Colheita, 2018. Disponível em: < http://eventos.abrapos.org.br/anais/paperfile/910_20181103_02-53-41_847.pdf >, acesso em: 08/01/2021.

ZANON, A. J. et al. ECOFISIOLOGIA DA SOJA: VISANDO ALTAS PRODUTIVIDADES. Ed. 1, Santa Maria, 2018.

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