A colheita da soja está em estágio avançado (79%), aproximando-se da finalização na maior parte das áreas. Contudo, ainda apresenta desaceleração pontual em função da elevada umidade atmosférica e da ocorrência frequente de precipitações, que limitam as janelas operacionais. Esse cenário tem mantido as plantas com alto teor de umidade, impactando diretamente o ritmo das operações e contribuindo para perdas qualitativas, como aumento de impurezas e grãos avariados.

A lavouras restantes estão em maturação (20%) e em enchimento de grãos (1%), correspondentes principalmente a semeaduras tardias ou de segunda safra. Nessas áreas, as condições hídricas têm favorecido a formação dos grãos. Porém, há incremento na incidência de doenças, especialmente ferrugem-asiática e patógenos de final de ciclo, além de incidência de percevejos, cujo controle tem sido dificultado pelas limitações de acesso às lavouras.

As produtividades apresentam elevada variabilidade, refletindo a disparidade das condições hídricas ao longo do ciclo, especialmente durante o estágio crítico de enchimento de grãos. As áreas implantadas em épocas mais favoráveis e com melhor distribuição de chuvas têm registrado rendimentos muito satisfatórios, equivalente a uma safra normal. Já nas lavouras afetadas por restrição hídrica, ou conduzidas em ambientes mais restritivos de fertilidade ou de compactação de solos, o desempenho está inferior, com perdas que superam 50% do potencial produtivo. Em alguns casos, a maturação antecipada por estresse hídrico ou manejo (como dessecação) tem contribuído para perdas adicionais por deiscência de vagens.

Na Metade Sul, os fatores climáticos também interferiram na logística da colheita, restringindo o escoamento e gerando filas nas unidades de recebimento devido à concentração da operação em curtas janelas de tempo firme, o que reduziu a eficiência do
processo, mesmo em propriedades com maior capacidade mecanizada.

A produtividade média estimada pela Emater/RS-Ascar está em 2.871 kg/ha, e a área cultivada em 6.624.988 hectares.

Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, a colheita avançou, mas houve restrições operacionais impostas pela elevada umidade e pela ocorrência de chuvas intermitentes, especialmente na Fronteira Oeste.

Em São Borja, os cultivos foram muito afetados pela restrição hídrica, e as produtividades iniciais se situam entre 900 e 1.200 kg/ha, com expectativa de alcançar entre 1.800 e 2.400 kg/ha nas lavouras implantadas em dezembro e janeiro. Em áreas de várzea ou sob irrigação por pivô central, os rendimentos superam 2.400 kg/ha, podendo ultrapassar 3.000 kg/ha. Os cultivos de safrinha irrigados mantêm potencial produtivo mais elevado e manejo fitossanitário intensificado.

Em Rosário do Sul, os produtores que concluíram a colheita passaram a prestar serviços a terceiros, visando otimizar o andamento das operações diante das restritas janelas de tempo favoráveis.

Em Maçambará, cerca de 60% dos 55.000 hectares foram colhidos, havendo registros de perdas por debulha e grãos mofados devido ao atraso na colheita. Na Região da Campanha, o acúmulo de caminhões e a formação de filas nas unidades de recebimento tornam insuficiente o escoamento do produto colhido quando os graneleiros móveis e estacionários atingem sua capacidade máxima, o que retarda a colheita. Em Hulha Negra, as áreas de coxilha implantadas em novembro sofreram maior restrição hídrica e apresentam produtividades entre 900 e 1.500 kg/ha; as melhores áreas alcançam 3.000 kg/ha. Em Candiota, os rendimentos médios estão em torno de 2.100 kg/ha.

Na de Caxias do Sul, a colheita alcança aproximadamente 80% da área cultivada, mas ocorreram limitações impostas pelo excesso de umidade, sobretudo no período noturno e nas primeiras horas da manhã, devido ao orvalho intenso. A produtividade média regional está estimada em aproximadamente 3.000 kg/ha, ficando abaixo das expectativas iniciais.

Na de Erechim, a colheita está em finalização, atingindo 95% da área; restam pequenas parcelas maduras por colher. A produtividade média regional está projetada em 3.600 kg/ha, com variações entre municípios que oscilam de 2.200 a 4.200 kg/ha, denotando a influência significativa das condições locais de solo e clima.

Na de Frederico Westphalen, a colheita alcança cerca de 85%. Ainda há 12% das lavouras em maturação e 3% em enchimento de grãos. A produtividade média estimada é de aproximadamente 3.000 kg/ha. Na de Ijuí, 85% foram colhidos. Os resultados médios estão em 3.000 kg/ha, mas apresentam grande variabilidade. A elevada umidade restringiu as operações a curtos períodos.

As áreas de segundo cultivo representam menos de 5% da área total e se encontram em início de maturação, sem prejuízos significativos à qualidade dos grãos. Em Santa Bárbara do Sul, em aproximadamente 80% das lavouras, a produtividade média é de 4.200 kg/ha; 10% variaram entre 3.000 e 3.600 kg/ha; e 10% entre 2.100 e 2.400 kg/ha.

Na de Passo Fundo, 95% da área foi colhida, e 5% estão maduros por colher. A produtividade média se situa em torno de 3.000 kg/ha, com variações pontuais entre cultivos em função das condições específicas de manejo e clima.

Na de Pelotas, a colheita atinge 41% da área. Predominam lavouras em maturação (42%), as áreas em enchimento de grãos totalizam 16%, e algumas residuais estão em floração. As condições de umidade do solo estão favoráveis ao enchimento, sustentadas por baixa evapotranspiração. A produtividade média regional está estimada em aproximadamente 2.800 kg/ha.

Na de Santa Maria, a colheita foi parcialmente interrompida em função das precipitações, especialmente em Tupanciretã e Capão do Cipó, onde ocorreram os maiores volumes, sendo retomada com a melhora das condições climáticas. A operação alcança aproximadamente 70% da área. Porém, ainda abaixo do padrão histórico para o período em razão do plantio mais tardio e das chuvas, que limitaram a trafegabilidade das lavouras.

A produtividade está estimada em aproximadamente 2.900 kg/ha, levemente inferior à projeção inicial. Na de Santa Rosa, 77% foram colhidos; 14% estão em maturação; 8% em enchimento de grãos; e 1% em floração. Há grande variabilidade produtiva, de 1.200 a 4.200 kg/ha, influenciada por fatores, como distribuição de chuvas, manejo e tipo de solo. Em áreas tardias, observa-se porte reduzido das plantas, o que dificulta a colheita e aumenta as perdas operacionais. As lavouras de safrinha apresentam bom aspecto visual, mas há elevada pressão de doenças e percevejos, cujo controle tem sido prejudicado.

Na de Soledade, a colheita supera 90% no Alto da Serra do Botucaraí e Centro Serra. No Baixo Vale do Rio Pardo, atinge cerca de 75%, incluindo municípios de produção extensivas, como Encruzilhada do Sul, Pantano Grande e Rio Pardo. A produtividade média regional está próxima de 2.900 kg/ha, com registros superiores a 4.900 kg/ha em áreas de alto nível tecnológico e inferiores a 1.800 kg/ha em situações pontuais. As lavouras se encontram majoritariamente maduras, mas houve redução do ritmo de colheita em função das chuvas no período.

Comercialização (saca de 60 quilos)

A cotação média da soja passou de R$ 117,22 para R$ 115,25, reduzindo 1,68% em relação à semana anterior, conforme o levantamento semanal de preços da Emater/RS-Ascar.

Fonte: Emater/RS


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FONTE

Autor:Emater/RS

Site: Informativo Conjuntural 1917

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