Autores: Mateus Junior Rodrigues Sangiovo1; Claudir José Basso2; Fernanda Marcolan de Souza3; Eveline Ferreira Soares4

Introdução 

A cultura da soja (Glycine max (L) Merrill) está entre as commoditie agrícolas de maior importância econômica para o Brasil. Seu cultivo se faz presente em grande parte do território nacional e que associado a boa valorização deste grão no mercado mundial, tem contribuído para a expansão anual da sua área de produção como ocorrido na safra 2019/2020 com aumento de 2,7% na área cultivada em relação à safra passada, (CONAB, 2020).

Dentre os fatores que impactam fortemente no rendimento final de grãos da cultura da soja, a época de semeadura é um desses fatores (DO CARMO et al., 2018). A introdução anual de novas cultivares de soja no mercado com características diferentes como a precocidade, tem estimulado produtores da região Sul do país na antecipação da semeadura com propósito de se fazer uma segunda safra.

A produtividade de grãos da soja também pode ser impactada pela ocorrência de insetospragas no decorrer do seu cultivo. De grande importância destacam-se os percevejos, da família Pentatomidae (Subordem Heteroptera), que além de diminuírem a qualidade e o rendimento final de grãos, aumentam os custos e causam danos irreversíveis a cultura (ANTÚNEZ et al., 2016). Assim o manejo integrado de pragas (MIP), através do monitoramento das lavouras com o método de panode-batida, tem sido alternativa na tomada de decisão do momento ideal de se fazer o controle.

Por isso, a hipótese que fundamenta esse trabalho, é que a soja semeada em diferentes épocas tem influência sobre a densidade populacional de percevejos. Por isso, o presente trabalho teve por objetivo identificar as espécies de maior ocorrência dentro de cada estádio reprodutivo da soja e o porcentual de percevejos nas diferentes épocas de semeadura da soja.

Material e Métodos 

O estudo foi realizado durante a safra 2019/2020 na área experimental do Departamento de Ciências Agronômicas e Ambientais da Universidade Federal de Santa Maria, Campus de Frederico Westphalen – RS (27º 23′ 51″ S e 53º 35′ 19″ W), clima subtropical úmido “Cfa” classificado segundo Köppen, altitude de 490 m, com precipitação média anual de 1.881 mm e temperatura média de 19,1°C. A área vinha sendo manejado sobre sistema de plantio direto com o cultivo de aveia preta (Avena strigosa Schreb). O estudo foi composto por cinco diferentes épocas de semeadura, 19/09/2019, 15/10/2019, 13/11/2019, 15/12/2019 e 15/01/2020. A cultivar de soja utilizada foi a DM 5958 IPRO e a semeadura realizada com semeadora composta por 6 linhas no espaçamento entre fileiras de 0,45m e uma densidade de 12 sementes m-1 linear. Quanto a fertilização, utilizou-se 310 kg ha-1 de superfosfato triplo e 215 kg ha-1 de cloreto de potássio.

O monitoramento de percevejos iniciou-se quando as plantas atingiram estádio fenológico R1, até o final do estádio fenológico R7. Baseado no método de pano-de-batida branco (BOYER e DUMAS, 1969), contendo dimensões de 1,0m de comprimento por 0,45m de largura, estendeu-se o pano-de-batida na entre linha da soja onde as bordas foram inseridas na base das plantas e essas sacudidas rigorosamente com 5 panos amostrais (amostragem) semanalmente em pontos diferente para cada época de semeadura. O número de percevejos encontrados, adultos e ninfas (3º ao 5º instar) foram anotados conforme a identificação realizada a campo, sendo a espécie, o estádio fenológico da cultura e data de realização. Após a obtenção dos dados, foram confeccionados gráficos demonstrando as espécies de maior ocorrência, os estádios fenológicos mais críticos e o percentual em cada época de semeadura.

Resultados e Discussão 

As espécies de percevejos Piezodorus guildinii, Dichelops melacanthus e Euschistos heros, apresentaram as maiores densidades populacionais durante todo o período reprodutivo da soja (Figura1). A partir de R5.3 até R5.5 existe uma pressão um pouco superior de percevejo verde pequeno (P. guildinii). A partir daí e principalmente no estádio R6 (maioria dos legumes cheios) se destaca o percevejo barriga-verde (D. melacanthus). Aliás, desde a introdução do plantio direto essa espécie tem ganho atenção pela sua adaptabilidade, onde estudos tem apontado sua incidência nos cultivos de verão, inverno e no período de entre safra. Considerado como principal espécie de percevejo comumente no trigo, cultura que antecede a safra de verão na região (JUNIOR et al., 2014). A (Figura 1) mostra ainda, que a flutuação populacional de percevejos chega ao nível de controle indicado para lavouras de grãos (média 2 percevejos por batida de pano) nos estádios fenológicos (R5.3, R5.5 e R6), momento crítico onde a cultura da soja se-encontra em enchimento de grãos.

Para as diferentes épocas de semeadura da soja, se observa na (Figura 2), que a semeadura realizada em setembro foi a que apresentou a maior densidade populacional de percevejos (43%), diferentemente da semeadura de dezembro que apresentou a menor densidade de percevejos (5%). Já entre as épocas de outubro e novembro, á um decréscimo de (23%) na incidência de percevejos, isso se deve pelo fato que a maior parte dos produtores da região realizam a semeadura da soja até outubro.

Para a semeadura em janeiro a pressão de percevejos se manteve baixa (9%) no comparativo ao levantamento total de percevejos durante a condução do experimento. Assim, fica claro que a antecipação na semeadura da soja para o mês de setembro, aumentou a pressão de percevejos. Isso pode estar associado ao cultivo de cultura como o trigo entre outras espécies para cobertura de solo, que servem de refúgios e onde os percevejos se mantém alojados em função de condições favoráveis para sua biologia (AGUERO et al., 2010), demonstrando que os percevejos tendem a migrar para as primeiras lavouras semeadas de soja.

Conclusão 

As espécies de percevejos de maior ocorrência foram, Dichelops melacanthus, Euschistos heros e Piezodorus guildinii, onde os estádios reprodutivos (R5.3, R5.5 e R6) coincidem em
maiores flutuações populacionais de percevejos. Existe uma alta pressão de percevejos na soja semeada precocemente em setembro e outubro.

Referências 

AGUERO, Marcos Arturo Ferreira et al. Ocorrência, distribuição espaço-temporal e flutuação da população de percevejos pentatomídeos em sucessões culturais sob pivô central e áreas adjacentes. 2010.

ANTÚNEZ, Claudia Carolina Cabral et al. Tamanho de amostra para avaliar a densidade populacional de percevejos em lavouras de soja. Ciência Rural, v. 46, n. 3, p. 399-404, 2016.

BOYER, WP e BA DUMAS. 1969. Métodos de agitação de plantas para pesquisa de insetos de soja no Arkansas. pp. 92–94 em Métodos de pesquisa para alguns insetos econômicos. USDA ARS 81–31: 140 p.

COMPANHIA NACIONAL DE ABASTECIMENTO. Acompanhamento de safra brasileira de grãos, Safra 2019/20 – Sétimo levantamento, Brasília, v. 7 2020. 1-66p. Acesso em: 04 de maio de 2020.

DO CARMO, Eduardo Lima et al. Desempenho agronômico da soja cultivada em diferentes épocas e distribuição de plantas. Revista de Ciências Agroveterinárias, v. 17, n. 1, p. 61-69, 2018.

JUNIOR, Alberto Luis Masaro. et al. Cultivo do trigo: pragas e métodos de controle. 2014.

Informações sobre os autores:

  • 1 Acadêmico do Curso de Agronomia, Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Frederico Westphalen/RS. E-mail: mateus.sangiovo03@gmail.com
  • 2 Professor Dr. Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Frederico Westphalen/RS. E-mail: claudirbasso@gmail.com
  • 3 Mestranda pelo Programa de Pós Graduação Agricultura e Ambiente, Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Frederico Westphalen /RS. E-mail: fernanda22ms@gmail.com
  • 4 Mestranda pelo Programa de Pós Graduação Agricultura e Ambiente, Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Frederico Westphalen /RS. E-mail: soares.eveline@yahoo.com

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