A Fusariose é a principal doença do algodoeiro de ciclo anual. As plantas doentes mostram um quadro bastante variável de sintomas, a depender do grau de resistência da variedade e das condições ambientais existentes. Como a obtenção de variedades resistentes é a medida de controle economicamente viável, este tema esteve em pauta na tarde desta quarta-feira (28) durante o 12º Congresso Brasileiro do Algodão, em Goiânia. Os especialistas, Luiz Gonzaga Chitarra, Gabriel Galbieri e Alfredo Ricieri Dias alertaram os participantes quanto aos riscos de inserção da Fusariose nas lavouras de algodão no Brasil.

“Manejamos não apenas uma cultura, mas um sistema agrícola inteiro, o que não é tarefa fácil diante da enormidade do agronegócio algodão no país”, enfatiza Chitarra. Para ele, problemas fitopatológicos como esse precisam de atenção, uma vez que a disseminação do patógeno pode se dar pela semente, por partículas de terra contaminada, arrastadas pelo vento ou pela água, além de implementos agrícolas infectados. “As áreas de cultivo contaminadas permanecem nessa condição por um longo período, pois o organismo sobrevive no solo, produzindo esporos de resistência e sobre restos culturais de algodão ou outros materiais orgânicos”, alerta.

Por isso, segundo o especialista, é importante conhecer aspectos que evitem a introdução do Fusarium no Brasil. Entre eles está a qualidade das sementes, que devem ser geneticamente puras, com alto poder de germinação, vigor, livre de contaminantes e padronizadas. “A maioria dos patógenos é transmitida pelas sementes, então, quando o produtor recebe um lote de sementes, precisa identificar as várias espécies de Fusarium que podem vir junto com elas”, explica Chitarra, acrescentando que existem 14 espécies do patógeno que causa danos expressivos à cultura.

Existem oito raças da Fusariose no mundo. No Brasil, foi detectada apenas a raça 6, porém, o maior risco é a introdução da raça 4, originária da Índia, mas já detectada na Califórnia, Novo México e Texas. “Trata-se de uma raça que causa muitos prejuízos à lavoura e, uma vez introduzida, fica difícil controlar ou erradicar porque é uma doença que pode infectar com muita severidade as plantas brasileiras”, diz Chitarra, explicando que a transmissão da Índia para os EUA se deu via importação de sementes e equipamentos agrícolas usados. “E para evitar que essa realidade chegue ao Brasil, pesquisadores, produtores, consultores e técnicos precisam trabalhar juntos, estabelecendo medidas de controle para evitar o trânsito de máquinas, escolher sementes sadias de fornecedores idôneos, promover a rotação de culturas e usar cultivares resistentes. Prevenir é sempre melhor do que remediar”, finaliza.

Fonte: 12º Congresso Brasileiro do Algodão

Texto originalmente publicado em:
12º Congresso Brasileiro do Algodão
Autor: 12º Congresso Brasileiro do Algodão

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