As condições climáticas desfavoráveis, com chuvas bem abaixo do esperado, nos estados da Região Sul e no Mato Grosso do Sul estão obrigando os produtores a projetar prejuízos e recalcular o tamanho da safra brasileira de soja em 2021/22. A estiagem se prolonga pela Argentina, Uruguai e Paraguai e tem sido o principal assunto a ser avaliado no mercado internacional da commodity.

A produção brasileira de soja em 2021/22 deverá totalizar 132,33 milhões de toneladas, com recuo de 4,2% sobre a safra da temporada anterior, que ficou em 138,1 milhões de toneladas. A estimativa foi divulgada por SAFRAS & Mercado, nesta sexta-feira.

Em novembro, quando foi divulgado o relatório anterior, a projeção era de 144,7 milhões de toneladas. O corte entre as duas estimativas, devido ao clima seco nos estados da Região Sul e no Mato Grosso do Sul, foi de 8,55%.

Com a colheita em fase inicial, SAFRAS indica aumento de 4,1% na área, estimada em 40,8 milhões de hectares. Em 2020/21, o plantio ocupou 39,19 milhões de hectares. No relatório anterior, SAFRAS indicava área de 40,5 milhões de hectares.

O levantamento aponta que a produtividade média deverá passar de 3.542 quilos por hectare para 3.260 quilos.

Foram feitos cortes relevantes nas expectativas de produtividades médias dos estados da Região Sul, com destaque negativo para os estados do Paraná e Rio Grande do Sul.

A baixa umidade registrada ao longo do mês de dezembro e primeiras semanas de janeiro trouxe grandes problemas para o desenvolvimento das lavouras dos estados da Região Sul do Brasil, culminando em fortes perdas produtivas. “Os maiores problemas se encontram no estado do Paraná, onde pelo menos 30% do potencial produtivo está sendo perdido devido à estiagem. Devido ao ciclo de produção do estado e com a colheita já começando, já podemos considerar que a maior parte das perdas é irreversível”, explica o consultor de SAFRAS & Mercado, Luiz Fernando Roque.

Já no Rio Grande do Sul, a estiagem também atinge em cheio boa parte das lavouras, o que já resulta em perdas produtivas em algumas regiões. Apesar disso, como o ciclo produtivo do estado é um pouco mais tardio, ainda é possível que parte das perdas seja minimizada caso uma umidade relevante chegue ao estado nas próximas 6/8 semanas. “Mesmo assim, consideramos que algumas perdas já são irreversíveis, principalmente nas lavouras mais tardias que tiveram problemas de germinação e desenvolvimento inicial devido à baixa umidade acumulada nos solos”, completa o analista.

No estado do Mato Grosso do Sul, a falta de umidade também atingiu algumas regiões, mas não SE pode falar em perdas tão extensas, por enquanto.

Fonte: Agência SAFRAS

Texto originalmente publicado em:
Safras e Mercados
Autor: Dylan Della Pasqua - Agência SAFRAS

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