Tema foi objeto de um comunicado do HRAC no 05 de fevereiro de 2021, Comunicado – IRG 0002/2021: COMUNICADO DE RESISTÊNCIA: Referente ao relato de resistência de Euphorbia heterophylla a herbicida do grupo dos Inibidores da EPSPs (Grupo G).

Confira o comunicado na Integra:

À Comunidade Agrícola,

Cumpre ao HRAC-BR, através do presente informativo, comunicar que houve recente relato de caso de resistência da espécie Euphorbia heterophylla (leiteiro/amendoim-bravo) ao herbicida glifosato, pertencente ao grupo dos Inibidores da EPSPs (Grupo G). Esse relato foi reportado no comunicado Técnico da Embrapa de n° 98 (conforme Comunicado HRAC-BR IRG 001/2020) e publicado em 04/02/2021 na página internacional “www.weedscience.org” (Heap, I. The International Herbicide-Resistant Weed Database).

Os estudos seguiram as metodologias preconizadas nas publicações “Critérios para relato de novos casos de resistência de plantas daninhas a herbicidas” e “Dez passos para relatos de novos casos de resistência de plantas daninhas a herbicidas no Brasil”, reconhecidos no Brasil e internacionalmente. Consistiram em ensaios de curva doseresposta ao herbicida glifosato em populações F1, F2 e F3 e caracterização da espécie. Os estudos foram conduzidos por pesquisadores da Embrapa Soja, Universidade Estadual de Maringá e Cooperativa Agropecuária e Industrial, confirmando-se a existência de biótipo de Euphorbia heterophylla resistente ao herbicida glifosato (G) na região do Vale do Ivaí/ PR.

Importante mencionar, que até o momento, não há relato semelhante de falha de controle que esteja relacionado a resistência em outras regiões agrícolas do Brasil. Torna-se importante o monitoramento e acompanhamento de escapes de controle.

Ressalta-se que Euphorbia heterophylla possui relatos de resistência no Brasil (www.weedscience.org) aos mecanismos de ação dos inibidores da ALS (B) e PPO (E). Em outros países, inclusive da América Latina, existem relatos de resistência aos inibidores do PSII (C2), tanto resistência isolada quanto múltipla. Portanto, essa é uma espécie que requer atenção e adoção cada vez mais intensa das boas práticas agrícolas e técnicas preconizadas de manejo de plantas daninhas resistentes aos herbicidas.

Reforçamos, mais uma vez, a importância e necessidade de adoção das boas práticas agrícolas recomendadas, que, dentre outras, podemos destacar:

• Uso correto do sistema integrado de manejo de controle de plantas daninhas;
• Adoção de sementes certificadas e nacionais, não somente de culturas como milho e soja, mas também de forrageiras de inverno, de forma a evitar o ingresso de plantas daninhas nas áreas agrícolas;
• Limpeza dos maquinários, utilizados na semeadura e colheita das áreas com suspeita, que transitam para outras áreas e, ou outros estados;
• Redobrar atenção para áreas com falha de controle, priorizando a eliminação das plantas daninhas sobreviventes, seja manual ou através do uso de herbicidas de mecanismo de ação alternativos, fazendose da adoção da rotação dos diferentes mecanismos de ação;
• Uso correto de tecnologias de aplicação, bem como o uso dos diversos mecanismos de ação para os herbicidas, em pré e pós emergência, nos corretos momentos e de acordo com sua recomendação;
• Manejar as plantas daninhas antecipadamente e antes do plantio, evitando o pousio sem cultura e, ou sem formação de cobertura de solo.
Esta comunicação tem o objetivo de ALERTAR a comunidade agrícola e reforçar a necessidade de adoção das boas práticas agrícolas recomendadas, no sentido de preservar, de forma eficiente, as diferentes ferramentas para o manejo das plantas daninhas, colaborando para a sustentabilidade da agricultura brasileira.

Atenciosamente, HRAC-BR (Comitê de Ação a Resistencia aos Herbicidas),
Caio Vitagliano Santi Rossi
Presidente

Texto originalmente publicado em:
HRAC Brasil
Autor: HRAC Brasil

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