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Feijão: Cuidados na fase de implantação da lavoura

Uma das culturas de maior importância econômica, cultural e social, o feijão está difundido por todo território brasileiro, havendo expressiva produção do grão na região Sul do Brasil (Comissão Técnica Sul-Brasileira de Feijão, 2012). Independente da variedade ou cultivar, o feijão é conhecido por sua complexidade de manejo, especialmente em regiões como temperaturas amenas e elevada umidade relativa do ar, fato que favorece o desenvolvimento de doenças na cultura.

Considerada uma cultura sensível a pragas, doenças e condições ambientais, certos cuidados são necessários na fase de implantação da lavoura de feijão para a obtenção de boas produtividades do grão. Fatores como exigências ambientais e climáticas, hábito de crescimento, cultivar, produtividade e resistência a pragas e doenças devem ser levadas em consideração no início da implantação da lavoura, além disso, cultivos irrigados requerem manejo diferenciado de cultivos de sequeiro.

Condições de elevada umidade do solo além de prejudicar o estabelecimento da lavoura favorecem o desenvolvimento de doenças fúngicas a exemplo da Fusariose. Popularmente conhecida como Podridão-radicular-seca (Fusarium solani) essa doença causa lesões no colo da planta, podendo causar destruição das raízes primárias impossibilitando a absorção de água e nutrientes do solo, refletindo na morte de plantas e redução do estande (Wendland; Lobo Junior; Faria, 2018).

Figura 1. Sintomas típicos de Podridão-radicular-seca (Fusarium solani) nas raízes de feijoeiro-comum.

Foto: Murillo Lobo Junior

Doenças como a Antracnose (Colletotrichum lindemuthianum), e a Podridão-radicular de Rhizoctonia solani também são comuns em algumas áreas de produção do feijão nos estádios inicias do estabelecimento da cultura. No caso da Antracnose, o patógeno é capaz de infectar as sementes, provocando sintomas como a descoloração e a formação de lesões escuras no tegumento ou mesmo nos cotilédones, já a Rhizoctonia solani, quando a infecção ocorre no estágio de plântula, o fungo produz lesões deprimidas de forma irregular, com a cor castanho-avermelhada na base do caule, que resultam em morte de boa parte do sistema radicular e/ou tombamento das plântulas (Wendland; Lobo Junior; Faria, 2018).

Dentre as possíveis práticas de manejo para controle dessas doenças, podemos destacar o uso de sementes certificadas (livre de patógenos e de boa qualidade física, fisiológica, genética e sanitária), a semeadura e implantação da cultura em áreas bem drenadas, a boa e velha rotação de culturas e principalmente, o tratamento de sementes com fungicidas específicos para o controle dessas doenças.

Além da alta suscetibilidade do feijão ao doenças, pragas iniciais também são problema para a cultura. Insetos como o Gorgulho-do-solo (Teratopactus nodicollis); coros, lagarta-rosca (Agrotis ipsilon); Lagarta-elasmo (Elasmopalpus lignosellus), Spodoptera (Spodoptera frugiperda) e larva-alfinete (Diabrotica speciosa) podem causar sérios danos a plântulas de feijão. Os danos variam em função das pragas, mas pode ocorrer desde destruição das raízes da plântula a seu corte a nível do solo.

Figura 2. Danos de Spodoptera frugiperda em plântulas de feijão.

Foto: Eliane D. Quintela

Assim como para o controle de doenças de início de ciclo do feijão, o tratamento de sementes exerce significativo efeito para o controle de pragas inicias, sendo assim, deve-se aliar ao tratamento de sementes com fungicidas, inseticidas para controle dessas pragas. Além do uso desses produtos no tratamento de sementes, é fundamental atentar para a qualidade desse tratamento.

Juntamente a todos esses cuidados citados anteriormente (sementes de qualidade, tratamento de sementes, controle de pragas e doenças…), deve-se atentar para a profundidade de semeadura e distribuição de sementes, utilizando populações adequadas, com base nas recomendações técnicas da empresa detentora da tecnologia (produtora da semente). Elevadas profundidades de semeadura podem dificultar a emergência das plantas de feijão, retardando o estabelecimento da lavoura.

Outro fato importante, é atentar para o manejo e controle de plantas daninhas, uma das principais estratégias é realizar a implantação da lavoura “no limpo”, especialmente se tratando de lavouras sob sistema de plantio direto. A estratégia favorece o estabelecimento da cultura, antes que ocorra matocompetição com plantas daninhas, mas atenção, é essencial identificar as principais espécies de daninhas presentes na área de cultivo, visando determinar o período ideal para controle delas sem que ocorrem interferências na produtividade do feijoeiro.

Confira o texto completo clicando aqui!

Referências:

CTSBF – COMISSÃO TÉCNICA SUL-BRASILEIRA DE FEIJÃO. INFORMAÇÕES TÉCNICAS PARA O CULTIVO DE FEIJÃO NA REGIÃO SUL BRASILEIRA, 2012. Disponível em: < http://docente.ifsc.edu.br/roberto.komatsu/MaterialDidatico/Agroecologia_4%C2%B0M%C3%B3duloGr%C3%A3os/Feijao/informacoes_tecnicas_cultivo_feijao.pdf >, acesso em: 20/05/2021.

QUINTENA, E. D.; BARBOSA, F. R. MANUAL DE IDENTIFICAÇÃO DE INSETOS E OUTROS INVERTEBRADOS PRAGAS DO FEIJOEIRO: 2° EDIÇÃO ATUALIZADA. Embrapa, Documentos, n. 246, 2015. Disponível em: < https://www.embrapa.br/en/busca-de-publicacoes/-/publicacao/1031725/manual-de-identificacao-de-insetos-e-outros-invertebrados-pragas-do-feijoeiro >, acesso em: 20/05/2021.

WENDLAND, A.; LOBO JUNIOR, M.; FARIA, J. C. MANUAL DE IDENTIFICAÇÃO DAS PRINCIPAIS DOENÇAS DO FEIJOEIRO-COMUM. Embrapa, 2018. Disponível em: < https://www.embrapa.br/en/busca-de-publicacoes/-/publicacao/1102266/manual-de-identificacao-das-principais-doencas-do-feijoeiro-comum >, acesso em: 20/05/2021.

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Equipe Mais Soja
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