Existem diversos fatores que podem ocasionar perdas na produção de plantas de interesse agronômico, dentre eles, pragas, doenças, condições climáticas e tratos culturais. O manejo de doenças integra várias táticas, como presença de palhada na superfície do solo, densidade de plantio, resistência genética, controle biológico, rotação de culturas, entre outras. Como medida alternativa no controle de doenças de plantas, tem-se a indução de resistência, que tem como objetivo evitar ou atrasar a entrada e ou subsequentes atividades do patógeno em seus tecidos.

O planejamento das estratégias de controle é de suma importância para o sucesso, tendo em vista a integração de vários métodos buscando adequar as condições da lavoura ao menor grau possível de condições ideais para desenvolvimento de doenças (PEREIRA et al., 2013). Em razão da maioria das práticas utilizadas no controle de doenças não satisfazerem o controle e custo-benefício desejados, pesquisadores trabalham na busca de outras formas de controle, sem que haja queda na produtividade e aumento no custo de produção.

Através da aplicação de substâncias bióticas e abióticas capazes de ativar o mecanismo de defesa vegetal, o uso de agentes potencializadores e/ou indutores de defesa da planta é uma alternativa que atende os requisitos de eficiência no controle e menor impacto ambiental. Apesar de não evitar a doença, a maioria dos agentes reduz a sua intensidade entre 20 e 85%, além de apresentar amplo espectro e longa duração (WALTERS & FOUNTAINE, 2009). Dentre os inúmeros agentes utilizados para mitigação destas doenças em plantas, destacam-se: o sílicio, fosfito de potássio, acibenzolar-S-metil e cobre.

Avanços na pesquisa envolvendo a indução de resistência em plantas vem sendo acompanhados pelo desenvolvimento de produtos comerciais que apresentam eficácia, estabilidade e menor impacto ao meio ambiente. Estes produtos podem melhorar a produtividade agrícola pela redução de perdas ocasionadas por estresses bióticos e abióticos, dentro do conceito de amplo espectro de ação, conferido por estes indutores. Resultados promissores foram alcançados com o uso do indutor químico de resistência acibenzolar-S-methil (ASM), onde a aplicação do produto proporcionou proteção contra Hemileia vastatrix em mudas de cafeeiro (GUZZO et al., 2001; MARCHI et al., 2002).

O silício é um elemento mineral, o qual acumulado nos tecidos vegetais está relacionado a uma redução na intensidade de diversas doenças. Em aplicações foliares o mecanismo de ação sugerido é a formação de uma barreira físico-química pela deposição do silício sobre a superfície foliar, resultando em aumento da rigidez da cutícula devido a polimerização do silício abaixo da mesma, como pelo reforço da parede celular (LIANG et al., 2005). Em arroz, o silício reduziu a severidade da brusone, da mancha parda e da queima das bainhas por meio da alteração de vários componentes epidemiológicos (DALLAGNOL et al., 2009; RODRIGUES et al., 2003; SEEBOLD et al., 2001).

Nolla et al., (2006) relataram que a severidade do míldio na soja foi reduzida ela aplicação de silicato de cálcio via solo. Rodrigues et al. (2009) relataram que a aplicação de silicato de potássio, em campo, na dose de 60 g L-1, por via foliar, reduziu a severidade da ferrugem da soja (Phakospsora pachyrrhizi) em cerca de 70%.

Os fosfitos são compostos originados da neutralização do ácido fosforoso (H3PO3) por uma base (hidróxido de sódio, hidróxido de potássio ou hidróxido de amônio). Por não serem fitotóxicos e possuírem elevada atividade fungicida (COHEN & COFFEY, 1986) e possível ação de ativação de mecanismos de defesa da planta, como o estímulo à produção de fitoalexinas (GUEST & GRANT, 1991; JACKSON et al., 2000), podem ser uma alternativa ao tratamento com fungicidas convencionais.



Produtos à base de fosfito de potássio tem seu desempenho comprovado pela ação antifúngica, principalmente frente aos oomicetos como: Phytophthora, Pseudoperonospora, Peronospora, Plasmopara, Pythium, Albulgo e Bremia. Os efeitos sobre este grupo de microrganismos consistem na inibição do crescimento micelial (fungistástico), mudanças metabólicas que influenciam diretamente no fungo, e supressão de germinação e esporulação (COHEN & COFFEY, 1986; GARBELOTTO et al., 2009).

Diversos trabalhos realizados por Carmona (CARMONA et al., 2009; CARMONA et al., 2008; CARMONA et al., 2006a; CARMONA et al., 2006b; CARMONA, 2006) em nove ensaios no cultivo da soja na Argentina entre os anos de 2005 a 2008, oito com fosfito de potássio e um com fosfito de cobre, demonstraram que o uso de fosfito de potássio reduziu a severidade de doenças de final de ciclo (DFC) e aumentou o rendimento de soja entre 210 a 270 kg ha-1. Outro exemplo de sucesso é no cultivo da batata na Argentina, onde Lobato et al., (2008) demonstraram que fosfito de potássio diminui o ataque de Phytophthora infestans, Rizoctonia solani e Fusarium solani. Estes mesmos autores corroboram a hipótese de que os fosfitos são mais fungistátiscos que fungicidas (LOBATO et al., 2008).

O acibenzolar-S-metil (ASM) tem sido uma das substâncias químicas envolvidas na ativação de mecanismos de resistência mais pesquisada, principalmente por promover proteção em plantas a doenças fúngicas, bacterianas e virais, em diferentes estudos (STEINER & SCHÖNBECK, 1995; WALTERS et al., 2005). A ação do acibenzolar-S-metil como indutor de resistência tem sido comprovada em diversas culturas, envolvendo vários patossistemas. Destacam-se entre estes: o cacau (Theobroma cacao L.), o cafeeiro (Coffea arabica L.), o caupi e o tomateiro (RESENDE et al., 2000; MARCHI et al., 2002; RODRIGUES & COELHO, 2002; GURGEL, 2004). Segundo Jakab et al. (2001), a proteção efetiva desse indutor deve-se a uma potencialização dos mecanismos naturais de defesa da planta contra os patógenos.

Para nematoides, os resultados também têm sido promissores. Em feijão caupi (Vigna unguiculata) e em soja a aplicação de ASM em plântulas com sete dias após emergência, promoveu redução de 50% de R. reniformis e M. javanica (CHINNASRI et al., 2003). O produto também foi eficiente no manejo de populações mistas de nematoides, composta por Meloidogyne e Pratylenchus, em cana-de-açúcar (Saccharum spp.), de M. javanica em soja e de P. brachyurus no milho (Zea mays) (CHAVES et al., 2004; PUERARI et al., 2013). Em estudo desenvolvido por Yao & Tian (2005) com o fungo Monilinia fructicola, o ácido salicílico foi capaz de reduzir o crescimento micelial em 64% e a germinação de esporos em 60%, a uma concentração de 2 mM. Fato também relatado por Iqbal (2010) sobre Penicillium sp., o qual observou o efeito fungicida do ácido salicílico (AS) com reduções de 60% e 100% na germinação de esporos, quando utilizado a 2 e 6 mM, respectivamente.

O cobre compõe muitas enzimas e está envolvido na síntese de proteínas, carboidratos e fixação simbiótica de nitrogênio pelas leguminosas (HUBER; GRAHAM, 1999), além de ser um regulador ou um fator essencial em vários sistemas enzimáticos envolvidos na defesa das plantas a infecção, na produção de compostos antimicrobianos e na resistência geral às doenças (GRAHAM, 1983; GRAHAM;WEBB, 1991).

Um efeito do cobre na resistência do tomateiro foi indicado no controle de Xanthomonas vesicatoria, visto que não ocorreu diferença significativa na severidade da doença entre as linhagens de Xanthomonas vesicatoria resistente e suscetível a cobre, embora este tenha reduzido significativamente a doença em ambas cultivares (JONES et al., 1991).

O uso de indutores de resistência apresenta-se como interessante ferramenta de controle de doenças em plantas cultivadas, tendo em vista o seu efeito sistêmico, a compatibilidade com outros produtos e o amplo espectro de ação. Entretanto, novos estudos, principalmente em campo, devem ser realizados a fim de se potencializar os efeitos dos produtos já utilizados, encontrar novas opções de indutores de resistência, bem como avaliar o efeito na produtividade final nas culturas.

Por: Thais Pollon Zanatta

Engenheira Agrônoma –  Professora do Curso de Agronomia da CESURG, especialista em ecofisiologia de plantas de lavoura.

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