Confira a entrevista na íntegra.

As projeções climáticas para os próximos meses colocam o Brasil em estado de atenção diante da possibilidade de um El Niño de forte intensidade durante o ciclo 2026/2027. Embora a classificação oficial de “super El Niño” dependa da evolução das condições oceânicas e atmosféricas no Pacífico Equatorial, os principais centros internacionais de monitoramento indicam um cenário favorável ao fortalecimento do fenômeno, capaz de alterar o regime de chuvas, elevar as temperaturas e intensificar eventos climáticos extremos em diversas regiões do país.

Em entrevista à Sociedade Nacional de Agricultura (SNA), o tecnologista da Coordenação de Monitoramento e Previsão Climática (COMPC) do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), Glauber Ferreira, explica que o monitoramento é realizado continuamente com base nas previsões dos principais centros internacionais especializados em clima. Entre os indicadores analisados estão a temperatura da superfície e das águas subsuperficiais do Oceano Pacífico, o Índice Oceânico Niño (ONI), os ventos alísios, os ventos de oeste e o Índice de Oscilação Sul (SOI), parâmetros fundamentais para identificar a formação e a intensidade do fenômeno.

Projeções

As projeções do INMET, em conjunto com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) e o Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipan), mostram que o aquecimento anômalo das águas do Pacífico Equatorial vem se consolidando ao longo de 2026. Para este ano, a Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) estima 60% de probabilidade de desenvolvimento do El Niño até o fim de julho. As chances ultrapassam 90% a partir da primavera do Hemisfério Sul, em setembro, reforçando a necessidade de monitoramento contínuo e de preparação dos setores mais vulneráveis.

Segundo Glauber Ferreira, os impactos mais consistentes do El Niño ocorrem nas regiões Sul, Norte e Nordeste. Enquanto o Sul tende a registrar chuvas acima da média, aumentando o risco de enchentes e perdas agrícolas por excesso de umidade, Norte e Nordeste costumam enfrentar redução das precipitações, favorecendo estiagens, queimadas e diminuição da umidade do solo. Já no Centro-Oeste e Sudeste, os efeitos são menos previsíveis, mas o fenômeno costuma provocar maior irregularidade na distribuição das chuvas. Em praticamente todo o país, há tendência de elevação das temperaturas médias e aumento da frequência de ondas de calor.

Agropecuária

Os impactos preocupam especialmente a agropecuária, já que a irregularidade das chuvas compromete o calendário agrícola, reduz a produtividade e favorece o surgimento de doenças nas lavouras. Recursos hídricos e geração de energia também podem ser afetados, tanto pela escassez quanto pelo excesso de precipitações, aumentando ainda os riscos de inundações e incêndios florestais.

Diante desse cenário, o INMET recomenda intensificar o monitoramento meteorológico, fortalecer os sistemas de alerta precoce, revisar os planos de contingência e ampliar a integração entre meteorologia, Defesa Civil, gestores públicos e setores estratégicos. Como parte desse trabalho, o Instituto vem expandindo sua rede de estações meteorológicas automáticas para aprimorar o monitoramento climático e fornecer informações cada vez mais precisas para apoiar a tomada de decisões.

 

Autor: SNA – Por Larissa Machado / larissamachado@sna.agr.br
Agradecimento à Assessoria de Comunicação do INMET.
FONTE

Autor:SNA

Site: SNA

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