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Inoculação em trigo: Confira a importância dessa prática e algumas recomendações técnicas sobre

A inoculação das sementes de trigo consiste na adição de bactérias benéficas a elas, possibilitando ações simbióticas ou associativas entre planta e bactéria, trazendo benefícios ao sistema de produção, podendo ainda, refletir no aumento de produtividade do trigo. Dentre as bactérias disponíveis, as mais conhecidas utilizadas na inoculação de sementes são as bactérias fixadoras de nitrogênio do gênero Bradyrhizobium. Infelizmente a ação simbiótica dessas bactérias em fixar nitrogênio atmosférico e disponibiliza-lo para as plantas está restrita a plantas da família Fabaceae, ou leguminosas como são popularmente conhecidas, a exemplo da soja.

Entretanto, existe um outro grupo de bactérias benéficas do gênero Azospirillum, cuja associação com gramíneas (Poaceae) resulta em benefícios as plantas, potencializando a produtividade de culturas como trigo e milho. Diferentemente do Bradyrhizobium, o Azospirillum sintetiza fitormônios que promovem o crescimento vegetal, principalmente do sistema radicular das plantas (Prando et al., 2019).

Ainda que em pequena quantidade, as bactérias do gênero Azospirillum possuem a capacidade de fixar nitrogênio atmosférico, entretanto, em quantidades muito inferiores as fixadas pelo Bradyrhizobium, não sendo capaz de suprir toda a demande de nitrogênio da cultura. Como culturas como trigo e milho são tradicionalmente adubadas com fertilizantes nitrogenados, os benefícios do Azospirillum via inoculação das sementes são mais nítidos na promoção do crescimento vegetal, em especial do sistema radicular das plantas.



Conforme comprovado por diversos autores, a inoculação das sementes de trigo com Azospirillum tem proporcionado ganho significativo de produtividade da cultura. Segundo Ludwig (2015), em condições controladas, a inoculação do trigo com Azospirillum pode promover ganho de produtividade de até 30% em comparação ao trigo não inoculado. Hungria et al. (2010) também observaram ganho produtivo do trigo em função da inoculação das sementes, chegando a ganhos médios de produtividade de até 18% dependendo da estirpe inoculada.

Entretanto, para garantir a eficiência da associação entre bactérias e o trigo, algumas orientações precisam ser seguidas a fim de garantir boa população de bactérias. Deve-se utilizar bactérias e/ou inoculante registrados junto ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), com aptidão para uso na cultura do trigo. O inoculante também devem conter um número mínimo de bactérias formadoras de colônia a fim de garantir o processo de associação entre plantas e bactérias (Tabela 1).

Tabela 1. Alguns Inoculantes indicados para a cultura do trigo.

Fonte: Biotrigo Genética (2020)

O inoculante deve ser conservado em ambiente fresco, em temperaturas amenas. O processo de inoculação do trigo é semelhante ao da soja, e deve ser realizado preferencialmente no dia da semeadura. Quando se optar pelo uso de inoculantes líquidos, deve-se realizar a inoculação e posterior secagem das sementes á sombra. No caso de inoculante turfoso, recomenda-se o uso de substancias adesivas para melhor aderência do inoculante nas sementes.

Não é recomendado a realização do famoso “sopão”, onde defensivos químicos e inoculantes são adicionados ao mesmo tempo no tratamento de sementes. O ideal é realizar a inoculação após o tratamento de sementes com inseticidas e fungicidas. A inoculação também pode ser realiza no sulco de semeadura, no momento de execução dessa prática.


Veja mais: Atenção com a adubação nitrogenada no trigo


Referências:

BIOTRIGO GENÉTICA. INFORMAÇÕES TÉCNICAS PARA TRIGO E TRITICALE: 13° REUNIÃO DA COMISSÃO BRASILEIRA DE PESQUISA DE TRIGO E TRITICALE. Biotrigo Genética, 2020. Disponível em: < https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/214730/1/informacoestecnicasparatrigoetriticalesafra2020-1592946148.pdf >, acesso em: 14/03/2020.

HUNGRIA, M. et al. INOCULATION WITH SELECTED STRAINS OF Azospirillum brasilense AND A. lipoferum IMPROVES YIELDS OF MAIZE AND WHEAT IN BRAZIL. Plant Soil, p. 413–425, 2010. Disponível em: < http://www.bashanfoundation.org/contributions/Hungria-M/2010.-Hungria-PS.pdf >, acesso em: 14/03/2022.

LUDWIG, R. L. INOCULAÇÃO COM Azospirillum brasilense E ADUBAÇÃO NITROGENADA EM CULTIVARES DE TRIGO. Universidade Federal de Santa Maria, Dissertação de Mestrado, 2015. Disponível em < https://repositorio.ufsm.br/bitstream/handle/1/5130/LUIDWIG%2c%20RODRIGO%20LUIZ.pdf?sequence=1&isAllowed=y >, acesso em: 14/03/2022.

PRANDO, A. M. et al. COINOCULAÇÃO DA SOJA COM Bradyrhizobium E Azospirillum NA SAFRA 2018/2019 NO PARANÁ. Embrapa, Circular Técnica, n. 156, 2019. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1117312/1/Circtec156.pdf >, acesso em: 14/03/2022.

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Equipe Mais Soja
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