O Manejo de Resistência de Insetos (MRI) é um conjunto de medidas que são adotadas para evitar que a biotecnologia no campo seja perdida em poucas safras com a evolução da resistência de insetos às proteínas Bt, por exemplo. A resistência existe porque na natureza há alguns indivíduos raros que sobrevivem à exposição de agentes de controle como o Bt ou inseticidas.

Dentre as estratégias de MRI se destaca a adoção de áreas de refúgio (plantada com híbridos não Bt) e o uso de eventos piramidados, ou seja, que expressam mais de uma proteína efetiva para o grupo-alvo. Também é importante a utilização de alternativas de controle (como inseticidas químicos e controle biológico), quando a infestação da praga atingir nível de dano.


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O risco de aumento da resistência pode ser minimizado com a adoção de medidas apropriadas de MRI. Além do refúgio, existe um conjunto de práticas que podem auxiliar o produtor rural na manutenção das opções de controle químico viáveis. Pensando nisso, na terceira temporada do Dicas Mais Soja, Oderlei Bernardi, professor e pesquisador na área de entomologia da UFSM, comentou sobre o manejo de insetos na cultura da soja visando evitar a evolução da resistência à inseticidas e plantas Bt.



O professor e pesquisador ressaltou que neste momento, onde estamos iniciando mais uma safra de soja, especialmente no sul do país, um dos cuidados que devemos ter em termos de manejo de insetos-pragas na cultura da soja também deve estar relacionado ao manejo da resistência.

Oderlei ressalta que, na cultura da soja, existem algumas espécies de lagartas como a falsa-medideira, com ocorrência em praticamente todas as safras de cultivo e a Helicoverpa armigera, que embora tenha reduzido suas infestações não perdeu sua importância. Essas duas espécies possuem grande potencial para desenvolverem resistência a inseticidas, conforme destacado pelo pesquisador.

Dessa forma, o manejo da resistência deve ser levado em consideração, onde uma das principais práticas indicadas é a rotação de modos de ação de inseticidas, evitando com que haja seleção de insetos resistentes ao longo do tempo.


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Em relação à falsa-medideira, o professor destacou que vem ocorrendo um problema de redução de suscetibilidade a inibidores de biossíntese de quitina, que são produtos que são utilizados no início do cultivo, ainda quando ocorrem baixas infestações da lagarta, mas que têm tido uma certa dificuldade observada no campo em relação ao controle.

No que diz respeito à Helicoverpa armigera, o professor destaca que existem relatos de falhas de controle no manejo com piretróides, nesse sentido, o uso dessas moléculas poderia ser reduzido em funções dessas falhas de controle já relatadas aqui e em outros locais no mundo.

Sendo assim, o professor destaca que é importante termos essas informações quando decidimos usar o controle químico para manejo dessas espécies, fazendo sempre a rotação de inseticidas com modos de ação distintos como forma de se evitar a evolução da resistência e manter essas opções de manejo viáveis.


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Para essas duas espécies, o professor cita que temos também a opção de se utilizar a soja Bt, porém, ele ressalta que o uso das áreas de refúgio é primordial para a sustentabilidade da tecnologia, estabelecendo essas áreas conforme a recomendação dos detentores.

Na cultura da soja, Oderlei destaca que também existem outras duas espécies de insetos-pragas que merecem uma atenção especial, que são eles o percevejo-marrom (Euschistus heros) e a mosca-branca (Bemisia tabaci), do grupo dos sugadores.

No caso do percevejo-marrom, temos apenas três grupos de inseticidas como opções de controle, que são eles: organofosforados, piretróides e neonicotinóides, em virtude disso, fazer a rotação de modos de ação é ainda mais importante para que se mantenha viável o controle com esses produtos, ressaltou o pesquisador.


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Para a mosca-branca já existem um número maior de opções para o controle, porém, o número de ingredientes ativos também é bastante restrito, devendo-se também considerar a rotação de inseticidas com diferentes modos de ação.

Para o professor Oderlei Bernardi, em termos de manejo de resistência o planejamento é essencial, ou seja, é a chave para o sucesso do manejo dessas espécies ao longo do tempo.

Para ouvir a conversa do pesquisador com o Mais Soja, assista o vídeo abaixo.

Elaboração: Engenheira Agrônoma Andréia Procedi – Equipe Mais Soja.

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