As plantas do gênero Amaranthus, popularmente conhecidas como caruru, apresentam como características gerais, o rápido crescimento e desenvolvimento,  elevada habilidade competitiva e  grande produção de sementes, podendo uma planta de caruru, produzir mais de 600.000 sementes dependendo da espécie (Penckowski et al., 2020).

As sementes do caruru são dispersas principalmente por máquinas e equipamentos agrícolas, e sob condições adequadas de umidade, temperatura e luminosidade, podem germinar facilmente.

Figura 1. Sementes de caruru.

É comum observar vários fluxos de emergência do caruru ao longo do desenvolvimento da soja, dificultando ainda mais o controle dessa daninha. Contudo, as sementes do caruru são consideradas fotoblásticas positivas, ou seja, necessitam de luz para germinar, fato que possibilita a introdução de algumas práticas de manejo que auxiliam no controle dessa daninha, reduzindo seus fluxos de emergência.

Conforme avaliado por Carvalho & Christoffoleti (2007), a ausência de luz (escuro) reduz significativamente a germinação de sementes de caruru, corroborando o comportamento fotoblástico positivo das sementes. Conforme resultados obtidos pelos autores, além da luminosidade, a temperatura também exerce influência direta sobre a germinação de sementes de caruru.

Tabela 1. Influência da luz (fotoperíodo de 8 horas de luz/16 horas de escuro) e da temperatura na germinação (%) de cinco espécies de plantas daninhas do gênero Amaranthus, avaliada aos 14 DAS.

Fonte: Carvalho & Christoffoleti (2007)

Visando reduzir os fluxos de emergência do caruru, uma das alternativas conforme destacado por mauro Rizzardi, é reduzir a luminosidade, ou seja, a chegada de luz nas sementes presentes no banco de sementes do solo. Para isso é possível utilizar ferramentas de manejo tais como a adequação das densidades populacionais soja, permitindo o rápido fechamento das entre linhas de cultivo, trabalhando com espaçamentos menores e populações mais altas, dentro das recomendações técnicas para a cultura.

O fechamento das entre linhas de cultivo resulta no sombreamento do solo, dificultando a germinação não só do caruru, mas das demais espécies fotoblásticas positivas. Outra estratégia é agregar cobertura do solo através da palhada.

Uma boa cobertura do solo, utilizando palhada residual de culturas antecessoras pode contribuir significativamente para a redução dos fluxos de emergência do caruru. Além da quantidade de palha, a qualidade da palhada também é importante, uma vez que a relação Carbono/Nitrogênio (relação C/N) da palhada influência na persistência dela na cobertura do solo.

Visando um manejo integrado de plantas daninhas, a boa cobertura do solo e o rápido estabelecimento da lavoura/fechamento das entre linhas, são estratégias de fundamental importância para a redução da população de plantas daninhas que irão matocompetir com a soja, devendo essas estratégias ser mais bem estabelecidas com base no sistema de produção de cada propriedade.

Confira Abaixo mais um episódio do Missão Caruru com as dias e contribuições de Mauro Rizzardi.

 

 


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Referências:

CARVALHO, S. J. P; CHRISTOFFOLETI, P. J. INFLUÊNCIA DA LUZ E DA TEMPERATURA NA GERMINAÇÃO DE CINCO ESPÉCIES DE PLANTAS DANINHAS DO GÊNERO Amaranthus. Bragantia, Campinas, v.66, n.4, p.527-533, 2007. Disponível em: < https://www.scielo.br/j/brag/a/SzLdWpwXzWSsdSJKLjWsfHN/?lang=pt >, acesso em: 08/10/2021.

PENCKOWSKI, L. H. et al. ALERTA! CRESCE O NÚMERO DE LAVOURAS COM Amaranthus hybridus RESISTENTE AO HERBICIDA GLIFOSATO NO SUL DO BRASIL: O PRIMEIRO PASSO É SABER IDENTIFICAR ESSA ESPÉCIE! Revista FABC – Abril/Maio 2020. Disponível em: < https://www.upherb.com.br/ebook/REVISTA-Fabc.pdf >, acesso em: 08/10/2021.

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