Após a colheita da soja, até o período de implantação da cultura de inverno, em algumas propriedades não se realiza a semeadura de uma cultura intermediária para promover maior cobertura do solo, ficando a cobertura do sistema restrita aos resíduos culturais do cultivo da soja.

Uma alternativa para essas propriedades, especialmente nas regiões Sul do Brasil, é o cultivo do nabo-forrageiro (Raphanus sativus L.). O nabo-forrageiro é uma planta da família das Crucíferas, que pode ser utilizada na rotação de culturas trazendo inúmeros benefícios ao sistema, além de ser considerada uma planta com habilidade de reciclar nutrientes do solo, tais como nitrogênio, fósforo e potássio. Além disso, o nabo-forrageiro é uma espécie tolerante a seca e geadas, o que faz dele uma interessante alternativa para cultivo no outono e inverno (Embrapa).

Dentre outras características dessa forrageira, conforme a Embrapa, o nabo-forrageiro produz cerca de 20 t.ha-1 a 35 t.ha-1 de massa verde, 3,5 t.ha-1 a 8 t.ha-1 de massa seca. Ainda que a produção de matéria seca da cultura seja relativamente baixa, conforme destacado por Crusciol et al. (2005),  o nabo-forrageiro possibilita uma rápida liberação de macronutrientes dos seus resíduos culturais para a cultura sucessora, proporcionando maior disponibilidade de nutrientes, sendo uma interessante alternativa para uso como adubação verde.

Após implantação do nabo-forrageiro, anteriormente a semeadura das culturas de inverno, o nabo pode ser dessecado ou até mesmo manejado utilizando o rolo faca. Conforme avaliado por Crusciol et al. (2005), o nabo forrageiro produz, até o estádio de pré-florescimento, elevada quantidade de parte aérea em cultivo de inverno, acumulando 57,2; 15,3; 85,7; 37,4; 12,5 e 14,0 kg ha-1, respectivamente, de N, P, K, Ca, Mg e S.

Figura 1. Quantidade de macronutrientes acumulada na palhada de nabo forrageiro (▫) e liberação acumulada (▪) em função do tempo após o manejo da fitomassa.

* e **Significativo a 5% e a 1% de probabilidade, respectivamente, pelo teste F.
Fonte: Crusciol et al. (2005)

Esses nutrientes ficam disponíveis para a cultura sucessora a medida em que os restos culturais do nabo-forrageiro são degradados. Conforme observado por Crusciol et al. (2005), para um sistema onde o manejo do nabo-forrageiro consistiu em utilização do rolo faca e posterior dessecação, há o aumento da velocidade de liberação de macronutrientes até 10 dias após o manejo, a partir daí, a velocidade de liberação dos nutrientes tende a diminuir e estabilizar.

Considerando a quantidade de nitrogênio acumulada pelo nabo-forrageiro, essa cultura pode ser considerada um excelente adubo verde, principalmente quando antecede culturas responsivas a adubação nitrogenada como gramíneas de inverno. Dessa forma, além de servir como fonte de cobertura para o solo, o nabo-forrageiro torna-se uma interessante fonte de nutrientes, auxiliando na redução de custos da lavoura sucessora e promovendo maior produtividade dela.

Além dessa considerável contribuição para o sistema de produção, o nabo pode auxiliar na descompactação do solo. Seu significativo sistema radicular possibilita além da descompactação do solo, o aumento da infiltração de água e melhoria de seus atributos físicos e biológicas.

Figura 2. Raiz de nabo-forrageiro.

Foto: Maria da Penha Angeletti

Contudo, deve-se ter alguns cuidados na implantação da cultura do nabo, principalmente se tratando da aquisição de sementes. A cultura apresenta elevada susceptibilidade ao mofo-branco (Sclerotinia sclerotiorum), sementes infectadas com escleródios podem proporcionar rápida infecção de mofo-branco, além de proporcionar aumento de inóculo na área de cultivo. Áreas com histórico de ocorrência da doença devem receber atenção especial, entretanto, em alguns casos pode-se utilizar o nabo-forrageiro como uma cultura armadilha para o mofo-branco.



Figura 3. Sementes de nabo-forrageiro contendo escleródios de mofo-branco.

Fonte: Marcelo Gripa Madalosso – Madalosso Pesquisas

A estratégia visa possibilitar com que o mofo-branco se desenvolva na cultura no nabo onde maiores medidas de manejo são realizadas para reduzir a incidência da doença e pressão de inóculo sobre culturas sucessoras, reduzindo assim a incidência de mofo-branco em culturas como a soja.

Cabe destacar que a quantidade dos nutrientes remanescentes nos resíduos culturais do nabo-forrageiro pode variar de acordo com a densidade populacional do cultivo, condições de clima, ambiente e aporte nutricional. Mesmo assim, conforme observado por Heinz et al. (2011), o nabo-forrageiro contribui de forma significativa para a ciclagem de nutrientes, possibilitando com que culturas sucessoras se beneficiem dos nutrientes liberados em seus resíduos culturais.


Veja também: Mofo Branco em Soja – Aspectos gerais


Referências:

CRUSCIOL, C. A. C. et al. PERSISTÊNCIA DE PALHADA E LIBERAÇÃO DE NUTRIENTES DO NABO FORRAGEIRO NO PLANTIO DIRETO. Pesq. agropec. bras., Brasília, v.40, n.2, p.161-168, fev. 2005. Disponível em: < https://www.scielo.br/pdf/pab/v40n2/23823.pdf >, acesso em: 15/04/2021.

EMBRAPA. NABO-FORRAGEIRO. Agência Embrapa de informação Tecnológica. Disponível: < https://www.agencia.cnptia.embrapa.br/gestor/agroenergia/arvore/CONT000fbl23vn002wx5eo0sawqe38tspejq.html >, acesso em: 15/04/2021.

HEINZ, R. et al. DECOMPOSIÇÃO E LIBERAÇÃO DE NUTRIENTES DE RESÍDUOS CULTURAIS DE CRAMBE E NABO FORRAGEIRO. Ciência Rural, v.41, n.9, set, 2011. Disponível em: < https://www.scielo.br/pdf/cr/v41n9/a11611cr5315.pdf >, acesso em: 15/04/2021.

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